terça-feira, 4 de março de 2014

porque toMzé énossomelhor intérpreTe




por que tom zé é realmente nosso único pensador? :: pequeno, magricelo, fortalecido em sua própria 
redenção nordestina, entendeu que no comércio entre ele e as musas, o que mais vale é ser autêntico :: descobriu
então que sua potência masculina é uma potência de criação, e que pode ganhar um país com ela, como
está acontecendo agora :: gênio, erudito, mordaz, corajoso, um cientista
da evolução mítica nacional brasileira :: ele representa nossa inteligência viva da década de 60, quando, iguais a ele,
havia pelo menos um bom punhado ::
meu coração se aquece quando vejo tom zé, correndo, "possuído", hoje aos 77 anos de idade::
como que perceptor de uma imensa responsabilidade tropicalista, fincada-lhe a partir da cabeça anímica inconsciente do seu ser artístico,
que lhe deixa elétrico e retorcido, lá está ele, sempre, literalmente, "enche"ndo o saco, perturbando as certezas e convicções, 
apaixonado por sua bela senhora, sua esposa, Neusa ::
os sem zé não tem dinheiro :: porqu e manter tudo como está, não é mesmo tão zÉ, tudo limpo e organizado? ::
porque não bagunçar os sentidos, até mesmo com alguma violência, levando  paz aos olhos e aos corações
apaixonados de nossa inteligência juvenil, nas universidades? 
esse é o maior signficado de tom zé como grão poeta e responsável pela nova rebeldia de nossos cidadãos na casa dos 20 anos, 
e entendo perfeitamente sua enunciação ontológica, gerando redução demorada, gradual e segura da hipocrisia, da falsidade,
do moralismo e da falta de amor à pátria ::
tudo em você profetiza o que eu sonho, tom zé, incluindo a lenta voracidade dos que se opõem a teu jeito sonoramente esquisito,
verdadeiro black bloc semiótico do bRasil inteiro ::
na esquina desse recreio, no pátio da escola, entre vários outros meninos, você é meu único e, portanto,
melhor amigo ::

segunda-feira, 3 de março de 2014

teus vinténs a miM jogados :: ((sobre goiâniA...



a escrita que é um rabisco reforça nossa beleza inocente, 
de domingo, do paraíso de um dia, que se
repete ciclicamente :: sobre t
oda a cidade vou revelar minha pureza, meu coração de ouro :: não há
violência quando
 isso se reforça como intenso desejo desapegado, elétrico, que se apaga quando
tudo precisa
 voltar 
ao normal :: nossos 
braços são mananciais 
da força obscura, e nossa cura, as pontas afiadas, de lápis, guitarras,
ou fios de alta tensão, 
que momentaneamente de todos sequestram um olho mais atento:: tudo que se passa na cidade, roda,
gir
a, conforma o redemoinho das lutas, do consumo de percepções de pontos de vista :: aquilo que é mais grave e fundo, fica tranquilamente,
sem medo de desaparecer, como uma poça anônima, como nos monturos de coRa coraliNa :: querida Goiânia,
t
eus vi
nténs a mim jogados me fazem desaparecer, reforçam meus picos de vibração onírica, fazem brotar

do chão o sertanejo de formação culta e artista :: sobre todos os raios tenho o governo de que não
abr
e mão
 uma única dinastia :: sou aquele a que se destina apenas o que restou do ouro :: reforço guias,

tenho orientais comigo, bailes, surpresas :: sou a fantasia prazenteira da cozinha ritualística :: rastejo,
so
fro, 
co
mo, enjôo, entendo, vomito, ergo um palácio de fios ornamentais em meio à indiferença 
total e irrestrita ::

domingo, 2 de março de 2014

pontAs de estrElas




a palavra brota da água, da revolução interna de um mar revolto :: ao fundo do fundo do fundo 
dos olhos de nossas senhoras - nossos olhos são miríades de ovários, 

nossas águas, nossas senhoras - agitam-se imensos canaviais,  que ardem em direção ao propósito
de
 uma vida melhor, mais intensa em seu equilíbrio, profundamente mais mansa :: há na erupção dessas fontes agrárias míticas,

uma camponesa regulação, um povo em protesto, a proteger não apenas uma água geral e  rica, nutritiva,

mas nossa sede por tal proteção - nossa fé, nossa religiosidade, nossa televisão, nossa internet, nossa

procura paciente por uma habitação fértil para nossos filhos:: essas mães em recato ovulam nossa própria imaginação,





porque sonham ter filhos com a belezA de seus homens marujos guerreiros :: produzem nossas formas 

possíveis de ser e agir, pensar, trabalhar, casar, amar, morrer, interagir ::
adoro pensar 
que somos isso, enquanto todos pensam que certamente somos outra coisa, menos estas

fantasmagorias, na consideração que fazem

sobre os nós da vida política, nas ruas e cidades de nossa ampla sociedade miscigenada ::  quero

cada vez mais prender-me ao devaneio de que somos todos frutos de pensamentos de corporeidades

absurdas, orgânicas, lentamente organizadas no inconsciente mítico do país, peneiradas de modo
a ter se densificado nelas todo um excesso de docilidade e gentileza :: uma força profunda de nosso açúcar

matrimonial - o primeiro rendilhado, nossa primeira costura entre as possibilidades genético-culturais
branCa, indígena, negrA ::






nossaS mães, nossas musAs, com toqUes refinados de princesAs, interferem desse modo todo dia
sobre nossas lidas e pequenos dramas domésticos :: como professoras, pensam o âmbito 
geral

da nação, em seu jornalismo recuperado pela internet, nos cultivos diários de forças escritoras

e radialistas, no comércio aberto e estimulado, na variedade da ciência, erudita e popular,


na indústria, nos esportes, nos métodos de temperar

o tempo, o sagrado e o sossego, entrE várias outrAs coisas, em seus mínimos detalhes :: são forças de
lavar, 
cozinhar, costurar, acender fogueiras, erigir poderes, formatar modelos, cortar, produzir :: 
repres
entar, significar, fingir, mentir, arrastar, destruir :: representam um poder protetor oculto, militar e feminino sobre o brAsil inteiro ::
são forças invisíveis como a eletricidade, são a própria força que sopra o vento onírico de nosso

imaginário, orixás da pobreza, do luxo e da riqueza, das armas líquidas, do cigarro e da capoeira,
dos intensos amores brotados nas grutas, favelas e mitos de cultura popular à varejo :: 

são doreS intenSas de fios estiCados por ponTas de estrelas ::

reportaGem homenagEm





http://descaradamasio.blogspot.com.br/2013/08/dossie-quem-e-o-professor-marcus-minuzzi.html

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

corpO feminino e utoPiA



o refluxo da utopia a leva a seu local de origem, sua fonte escondida,
depois

que ela se perdeu, depois que as pérolas de seu colar caem uma a uma,
após perderem-se

seus sapatos de princesa, sua coroa :: muitas vezes, sua face de bela dama
ganha um

hematoma, como se alguém a tivesse golpeado :: nossa indecência mais anterior,
aquela capaz

de bater em uma mulher, não foi capaz de suportar tamanha beleza :: a  utopia
é uma linda

mulher desiludida, que ainda não encontrou seu homem perfeito :: assim o foi
com a

revolução socialista, tirada do ventre da revolução burguesa :: enquanto se esconde,
como de

volta a um camarim, depois de tornar-se impura no palco da ação humana, retoca o
pó de arroz,

o lápis de olho, o batom :: como acompanhar a evolução do pensamento social mais
à esquerda,

libertário, portanto, sem dar-se conta hoje do poder da internet? :: a utopia é essa bela
mulher,

a rede mundial de computadores, já praticamente aprontada entre nós, bela e fascinante ::
olhá-la

com carinho nos olhos será capaz de despertá-la :: sinto que quer ser levada ao leito,
que quer

consumir-se em plenitude amorosa e libertadora ::  é muito simples - quando o homem
aprender a amar

nobremente, o pleno orgasmo libertador dessa visão de futuro se revelará :: eis
o segredo

divino da mulher - seus caprichos, exigências, pedidos, seus enjoos e enxaquecas,
suas resistências

e seu recato a tornam impossível - terrível também - e agradá-la requer uma
sobre humanidade

igualmente assombrosa :: simultaneamente, porém, sua beleza e seu charme,
sua docilidade,

mimo e graciosidade a tornam irresistível, insuperável :: quando desistimos
da democracia,

por exemplo, é porque nos cansamos das dificuldades interpostas pela enorme
complexidade

de acomodar diferenças, brigas, opiniões, algo bem ao gosto do feminino, que
sempre irá

buscar a  satisfação de tudo e de todos, sem exceções :: negociar,
negociar, negociar, até o

fim (e aqui está o poder da política, a mando da musa) :: experimentar, experimentar,
experimentar, até

o fim (e aqui estão as ciências e as artes) :: confiar cegamente (e aqui estão as religiões,
e o próprio

significado de ser utopia) :: a internet concentra todas essas possibilidades, ela
é a grande mulher

nua, refeita, mostrando-se, escultural, plena, libertadora :: a grande prova de que
o Ocidente,

a par de todo o terror vinculado a seu percurso civilizatório, sabia onde
queria chegar,

por meio de valores absolutos como a razão crítica e a liberdade de expressão ::
ela nos enche

de amor e expectativa, ela nos quer e nos acaricia :: e saber recolher seu anseio,
sua vontade

profunda, é decisivo para que se consume, de algum modo,
a paz nela prometida ::

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

venho aquI olhar coMo o rio corRe





artesanalmente, construo meu tronco de árvore,
onde dentro dele recebo o mito :: como poderei
alcançar-te? :: agora, somos a Índia universal,

o local do redemoinho, o olho vivo de dEus  :: há uma verdade
feita de bênçãos, e eu sou carregado, programado, jogado como um náufrago
:: ninguém escuta o tempo

amadurecido de teu tempo, apenas eu, que te recolhi como um
passarinho cortado, jejuei, entendi
de um código - possuo amor, pinto, escrevo, escrevo com a água

e o brilho de uma rebentação, de um pensar de boi ::
sou a brotação de teu próprio olho, gotejo um óleo que é sacro,
e escrevo, e só escrevo, biblicamente, porque te leio ::

há uma voz no deserto, há um jarro, um denso afeto que sensualmente
orienta-me e perdura em meu ouvido ::
há pares de asas, em trios, e trovoadas, uma sagacidade felina,

menstruações em cifras, segredos permanentes e sequer esboçados,
jazendo como sementes, guardados, aureamente, docilidade direcionada ao futuro ::
há um livro portentoso, que leio, e ele escorre de teu senso altivo e crístico ::

sou um pensador audaz, por isso te vejo, e consigo te pegar
em um dedo, levemente, brincar d
e alto, tenaz,

poeta, entendedor das gregas posições, dos mares e dos ventos
:: te roubar, tocar cítara, ternamente adorar a tua essência,
te colocar pingentes :: lento e atraído por teus achados, eu vou :: sou totalmente

tomado de assalto, pilhado, forçado a defender-me, para imaginar
as mais belas coisas a teu respeito,
e de teus poderes ::  tenhos os olhos
negros, verdes, melhores, misteriosos, a ansiedade de um professor belo

porque teu pensar aberto
é performático, astronômico, quente e preciso :: teu colo principesco, tua túnica,
teu mar :: sou teu escravo feito do corpo duro das árvores,

tua conquista, teu porto, teu quente amigo :: nego todos os
pontos que não podem te ornar, desde os pés e tornozelos até
os finos astros quentes, no rosto, e nos cabelos ::

aquilo que é quente, eu afago, e vasos mensageiros vertem
sons, sinais, vontade imperial do sertão
ritualístico bondoso, proteção mítica e fonte oriental do
brAsil bordAdo ao som poderosO
de dEus::



quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

@@ sobre porque não consigo detestar Raquel Sheherazade



ora, na internet, qualquer discriminação pode ter seu preço ::
nego a possibilidade de uma manifestação

como a que corre no momento, contra a comentarista Raquel Sherazede,
na medida em que não vejo

a rede como continuidade do antigo feitio de nossas lutas ideológicas ::
tenho severas restrições

em relação ao que essa jornalista costuma dizer, mas retrocedo no mau
sentimento que começo a sentir por ela, por seu aspecto não à esquerda,

quando procuro esforçar-me em uma observação mais atenta aos significados
que, com a internet, estamos começando a viver :: com a internet, navegamos

em direção ao futuro :: trata-se de um futuro que, ao orientar-se por uma
nova disposição na distribuição dos espaços

e oportunidades, deve ser marcado por um novo sentimento com relação à diferença ::
na encruzilhada em que a humanidade se viu colocada, por meio da guerra entre

esquerda e direita, uma encruzilhada de ameaça e medo pelo fim da espécie,
precisamos aprender a deslocar nossos sentimentos negativos;

precisamos de uma nova maturidade humanística e de uma menor dicotomização
em tudo - necessitamos de um mais arraigado sentimento de jogo, onde o que

interessa não é vencer, mas o crescimento proporcionado pelo estar jogando;
penso que se trata de procurar sentir e viver um tempo mais leve e juvenil,

capaz de nos causar a impressão (mesmo que sempre fantasiosa) de que
nosso encontro com a realidade que nos nega ou é hostil deve servir

como fonte de desafio, educação e auto-controle, como busca e tentativa
das possibilidades de paz, por meio da ciÊncia e da arte, e nunca como permanência

do rito de destruição daquilo que nos é diferente :: o bRasil, às vésperas
de uma nova polarização ideológica, em função do período eleitoral,

possui em seu inconsciente coletivo todas as condições necessárias para
buscar essa nova ética para a "guerra" :: antiga esquerda

e antiga direita, contudo, continuarão se engalfinhando ainda por muito tempo,
como se recém tivessem emergido na realidade por força da Revolução Francesa

e de seu espírito moderno - considerado moderno ao final do século 18,
quase 250 anos atrás :: ao mesmo tempo,  o mundo da vida digital e

em rede engendra com paciÊncia outra forma de convívio:: é com bondade,
com a força bondosa de nossos mais humanos e calorosos arquétipos, que se institui

outra realidade, enquanto promessa e mito :: nova realidade, já presente e real - a própria rede
e suas milagrosas formas de integração social - que reforça com grande energia

nossos instintos mais ardentes ::
esses que, por fim, nos guiam, secreta e silenciosamente, rumo ao amor universal ><