sexta-feira, 20 de março de 2026

peÃo de oyá


 

eu sinto a beleza da brasilidade no seu tempo de trabalho honesto, que artisticamente se torna uma poderosa força ética e estética de transformação do mundo


oro ao meu braço de peão escalado por oyá, por ela confirmado para empreender a labuta do sorrir em meio ao penar de um povo bastante espoliado


sou um braço e um tornado, um pandeiro e uma bandeira de enfrentamento, hasteada logo cedo, na alvorada de um domingo que intensifica meu amor por caboclas que minha humildade de trabalhador presentifica e consegue gerar, em amoroso e nacionalíssimo panteão mítico regional libertário, um alvor animista a la mario de andrade, um pensamento alto e bastante bondoso bastante regulado por intenções a la cora, de coralino alvor é esse meu esponsal, pai preto me produz, com uma fagulha iniciada ainda na escravidão, é belo esse atabaque, um prazer oriental que a lusitana força épica de pessoa não registrou, prazer de santo antonio com são joao mais xangô e forças primeiras do ambiente amérindio, é bondade antiga e manhosa de exu algo ritmo, algo lenda, algo navegação infinita, e eu sou o pai pancada do amor que subiu e se instalou no olimpo da vasta galáxia ou cordilheira, amazônia infinita







domingo, 15 de março de 2026

 damares alves

eu prometo

não te odiar



nem que seja

por pequenos

lapsos,

eu prometo

aliar sonhos

e fogo em uma mesma canção,

mesmo que

eu precise

me esconder

ao infinito,

na verdade

encontrar

o fogo escondido 

de nossa

união,

emoção 

tantrica

irracional

a gerar

outro

volume

na imensa

cordura

brasileira,

espaço 

onírico 

que tonteia

e desafia

ao malabarismo

de fogos e ritos

antropofágicos



rezo assim todo o dia para circular em espaços majoritários da região do Brasil onde vivo, Goiás 


Vai na reza uma pitada de ironia, mas o desejo profundo nela é de paz e amor