sábado, 6 de setembro de 2014

++ aos novos e velhOs casais ((ou, o desafio da cAsa




quantas vezes, nós, homens, não consideramos a mulher um "bicho esquisito"? ::
falam, masculino

e feminino, efetivamente, códigos universais diferentes, no sentido de
habitarem diferentes esferas

de sonho :: pensam diferente, agem diferente, e por isso consomem seu tempo
de convívio tensamente costurando a paz,

via de regra sob  a forma de bandeiras que são enxovais de casal e roupinhas
de bebê, para diminuírem

o impacto de uma guerra eterna causada pelo infinito de sua diferença ::  posso, na
continuidade

do processo de costura dessa bandeira de guerra e paz, aprender coisas íntimas
do universo feminino? ::

posso, por exemplo, como homem, aprender a cuidar bem de uma casa? ::
vejo nesse pergunta

o sentido próprio do destino da civilização :: casa da vida cotidiana, que vai do macro
ao micro, e vice-versa,

da residÊncia em nossa rua e bairro  à esfera planetária :: a persistência
neste "desafio da casa"

poderia agora também virar hit na internet, penso, pois não me canso de constatar
o quanto

o elemento macho da espécie humana precisa estar sendo constantemente colocado
em contato

com a forma feminina para apurar seus modos de teoria e conhecimento prático da
vida::

uma nuvem de fumaça tóxica toma conta da inteligência
masculina -

e aposto que isso pode ser cientificamente comprovado - quando se trata
de desempenhar

determinadas tarefas mais próximas do feminino :: vejo os novos rapazes de
certo modo um pouco perdidos nessa

confusão, estreitando os laços com o mundo da imaginação tipicamente do homem
(as viagens, as buscas, as lutas,

as correrias, as bebedeiras), sem se darem por conta que se vai armando, no seio dos
aconchegos românticos recém formados pelo fogo

sensual e misterioso do namoro/casamento, uma bomba relógio, ou seja, um artefato
destruidor até

já com hora marcada para explodir - atualizando-se o ciclo eterno da criação mediante
a destruição ::

por tal ciclo, a família vai se recriando mediante o transtorno inevitável causado
pelo choque entre homem

e mulher dividindo o árduo da vida e suas múltiplas responsabilidades do
cotidiano doméstico ::

em determinado momento, nossos filhos, amargurados pela pouca felicidade do
casal gerador, também inevitavelmente buscarão

um lar mais amoroso do aqueles em que cresceram :: as mães devem ficar atentas
a seus filhos homem ::

a elegância desses meninos no futuro, os modos que precisarão ter no trato doméstico
e diário com as

demandas inocentes e puras do feminino, as exigências para com as formas naturais
da princesa-menina,

que nunca abandonam a mulher (mesmo uma senhora de 90 anos precisa
sentir-se uma princesa)

dependem de um padrão materno de exigência ::  quantas vezes você, mãe, vai -
no limite - reclamar que seu filho

não serve para nada? :: vai gritar, esganiçar-se, efetivamente perder a razão? ::
provavelmente para

o resto da vida, ainda, pois a espécie humana evolui mediante essa espécie de
histeria coletiva,

uma dor de útero que veio plasmando, ao longo de nossa história, a rendição
da fera frente ao

belo, da monstruosidade a que o mito masculino pode conduzir frente a beleza eterna
e impossível do

feminino :: a mulher, no limite, é louca, lógica e lírica, e faz tudo por seu
amado :: render-se (ou matar o dragão que

impede a chegada à torre em que dorme a princesa) representa  amar o
próprio amor, confirmar a

lenda de sua existência :: hoje em dia, o dragão, depois de milênios de sua eterna
domesticação, encontra-se na infinita

dificuldade de se estabelecer uma relação gentil no seio da vida conjugal
amadurecida, em nosso modelo de

família e sociedade, onde o valor da liberdade individual evolui lentamente ::
somos a mais libertária





de todas as sociedades já construídas, mesmo com a persistência de tantas
desigualdades por aí :: na senda

dessa libertação, encontram-se várias conquistas obtidas em processos dolorosos,
como as emancipações

de raça, gênero e orientação sexual :: aos poucos -e é isso o que sociedade em que
vivemos propõe -

a figura patriarcal do homem "machão" e branco vai cedendo espaço para novas formas do masculino,

em uma configuração mais complexa e entremeada, menos bruta e mais dócil ::
sinal nítido desse movimento

é o próprio poder que vem sendo mais frontalmente assumido pelas mulheres
na sociedade :: o bom senso feminino,

frágil na aparÊncia, é um mecanismo tão perfeito da natureza que soube esperar a
hora certa para insinuar-se

em direção ao comando da nave espacial humana rumo ao futuro, como o vem
fazendo, mais nitidamente

desde meados do século passado :: se formos enxergar o quanto as mulheres,
há menos de 100 anos, eram

tão ou mais estigmatizadas quanto a escravaria negra, no caso do bRasil,
deve-se realmente ficar espantado ::

ao mesmo tempo, não posso deixar de observar o quanto, ao defender o
instinto de sobrevivência feminino,

acabo traindo a meus próprios instintos masculinos, em uma espécie de auto-mutilação :: precisamente

nesse ponto é que a vida bruta da natureza se transforma em arte, em criação
humana, que pode se chamar

divina, pois representa uma superação do "bicho homem", animal indefeso, frente ao
próprio mecanismo

básico do universo :: grandes somos, gigantescos, colossais, como demonstra todo
o aparato técnico

e cultural que nos consola e que sempre se torna insuficiente, exigindo novas
superações, o que significa

novas batalhas redentoras entre masculino e feminino, exatamente como é mostrado no filme "Matrix" ::

a minúcia espontânea do feminino é que permite o lento avanço da paz e da
civilização (como na foto

dessa postagem, onde Gandhi, rei pacifista, manifesta grande paciÊncia por meio
da metáfora da mão que fia, ao infinito),

pois ela representa o próprio sonho da alma, como diz o filósofo Gaston Bachelard ::
aos poucos estamos acordando

para o fato de que o "poder da saia" vai mais longe e entrega nosso destino, enquanto
espécie, a vós, mulheres ::

esse destino sempre esteve em vossas mãos, na verdade, como indica a revelação
da pietá, a imagem de cristo

consolado por maria, ou a entrega de zeus aos desígnio de hera :: mais do que qualquer
outra arma,

como a política, a ciência ou religião, comandadas por homens e usadas para
espantar males coletivos, o que realmente tem poder

é o amor de mãe :: ou melhor - esse amor, na verdade, é ele mesmo a
própria ciência, a política e a religião, que, com requinte,

mas sem pedir nada em troca, vem construindo a cada dia uma civilização
mais amorosa :: aqui, novamente,

é possível perceber a glória suprema do feminino, aquilo que constitui sua essÊncia
e o torna capaz de assumir o poder maior

de perpetuar a vida :: sequer faz questão de aparecer, apesar de assumir toda a
dor da existência ::

nisso, precisamente, reside sua glória, a que devemos todos tentar nos igualar :: o
mito de saias esconde-se,

nada deixa exposto, não faz demonstrações de poder, retirando daí uma espécie de
malícia que permite mandar, controlar, sem

contudo usar, abusar da rigidez ou da violência :: e nada, efetivamente,
parece-se mais com isso do que

a atual sociedade de consumo - sim, isso mesmo! - toda inter-relacionada
por meio da

internet :: a rede mundial de computadores, criada pelo capitalismo, nada
mais

é que um mecanismo de controle vocacionado para a dispensa do macho
de 20 anos atrás ::

os hábitos desse  homem precisam mudar :: e a minuciosa impregnação abstrata
de valores existente

no mais pleno funcionamento da internet, o que ainda não logramos alcançar, constrói
uma espécie de arco que nos lança em direção ao futuro ::

o casal contemporâneo constrói-se na rede, sem aflição :: precisamente aqui se
estabelece uma compreensão

necessária, que é a de uma certa pedagogia :: enquanto patrimônio sem par da
civilização, de conhecimento

imensamente acumulado, a internet em seu uso deve ser direcionada ao fim do mútuo embelezamento, nos conectando

mais francamente a seu rumo poético, já prescrito no inconsciente ::  em razão de sua
força motriz,

que é o anseio civilizacional humano por felicidade, a internet pensa-nos belos,
prestando-se à troca carinhosa de elogios e exaltações,

e tornando-se uma espécie de novo altar para o casamento, por todos observado ::
é o novo rito do casamento, e de sua festa,

que não se acaba, pois não se cansa de ser celebrado :: nada exalta mais a união a
dois do que justamente

essa gravação da glória do primeiro dia :: nesse dia, todos somos poetas, somos
a própria poesia,





a música, o canto, o filme :: a internet grava e regrava, conta e reconta tal poema,
permite a consciência

mais plena de como as coisas podem e devem ser - uma eterna alegria,
proporcionada pelo encontro ::

um casal que se ama promove um a beleza do outro, e nessa ajuda
tecnológica que o feminino nos

dá, de eternização do belo, da beleza que doamos ao outro, e que buscamos
no outro, é que está

a nova possibilidade do encontro cada vez mais harmonioso entre homem e
mulher :: como se vê,

ninguém consegue nada sozinho, e minha busca individual de felicidade, dentro
da fórmula eterna

e consagrada socialmente da vida a dois, base da família e de reprodução da
vida, depende do conjunto

da sociedade :: viramos um grande bolo recheado de casamento, navegando pelo
universo :: e cada

suspiro exalado nas redes sociais, de postagens alimentando as delícias do
cotidiano (nossos filhos,

nossas músicas, nossas comidas, nossas bichinhos de estimação) são suspiros de
estrelas longínquas,

reino perfeito de felicidade, que fatalmente nos atrai para sua órbita :: é para lá
que navegamos,

mesmo sem saber, sob o olhar bondoso de uma mãe e um pai eternos, na eterna
bondade de uma união amorosa

porque sonhadora; e sonhadora porque amorosa ::

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

:: @ ouroboros



a forma suprema de conhecimento é essencialmente coletiva e, por isso,
hoje, seu amor, o rio caudaloso

de sua paixão e loucura, sua violência, é essa miríade de imagens e vozes
em rede, a internet,

ela mesma, como a arte adquirida pela serpente, depois de milênios, na execução
do auto controle da língua,

auto resgate, auto ensinagem, auto aprendizagem :: forma suprema de equilíbrio,
malabarismo,

consciência, frieza de raciocínio, para que se torne possível a realidade
inverossímil do amor universal ::




domingo, 10 de agosto de 2014

a amazonA



onde não há pressa, o amor é uma visão longa, mineralizada, indestrutível  ::
há um oriente escondido

no bRasil, que aponta em uma direção meditativa, a direção de uma ioga faceira
autóctone, em que brincam

todos os casais permitidos por nossa miscigenação, enquanto filhos iguais da terra,
novos, fresquinhos

da colheita :: no ápice dessa meditação, seu nirvana, atingido a partir das pedras do
mercado, nas cidades, em seus pelourinhos,

colhemos a cordura de revelação mais que humana :: e nos tornamos
uma verdadeira índia, com a bênção

de krishna, dando voltas no planeta, permitindo visões amáveis sobre
o fim cruel da guerra :: onde não há

pressa, aguardamos até que todos ingressem no vagão da mágica visão do amor
bastante natural, porque

agregador de muitas vontades humanas, muitos pés, muitos vozes, muitas voltagens ::
onde não há pressa,

o super homem voa, sendo seu poder a velocidade que conquistou na cordura do ato
da espera :: sobre esse

pai eterno, há uma mulher feliz em formidável cavalgada, aprumando sua inteligência
e lhe apontando

a direção com os seios :: e dizendo-lhe, em balbucios, "somos a pintura da terra",

e sopram-lhe estrelas,
e voam-lhe os cabelos ::

((para sílvia esse retraTo, com amor ::

sábado, 9 de agosto de 2014

por um bRasil guerreirO



demora um tempo até nos tornarmos gentis, pois é difícil entender que a rivalidade,
a disputa, algo que

sempre nega a nossa individualidade, é algo natural e intimamente desejado
por nós mesmos,

uma forma mítica de juntar-se ao segredo, ao sagrado :: por isso bons meninos
antes precisam aprender

a serem bons guerreiros :: há milhões de desenhos japoneses, e alguns ingleses,
ensinando isso ::

o requisito principal é: força e coragem, em nome do bem :: acho que falta desse
elemento para o bRasil,

para que o mito da cordialidade se desenlace em toda a sua plenitude, e
assumamos nossa fronte

agressiva sem perdermos, efetivamente, a cordialidade :: alguém precisa erguer essa
espada, e o segredo está em

nosso suave processo de escravidão, naquilo que ele tem de poético, e que um dia
forneceu os meninos

gingadores do futebol ao mundo :: ensaiando bem, vamos conseguir jogar o
jogo da economia

global por vias tortas, e renovar o modo como se joga :: esse capacidade de
surpreender, acredito,

está destinada ao bRasil, e o mundo inteiro sonha para que ela se expresse,
fazendo a torcida contrária,


afim de que nos esforcemos cada vez mais nela :: eis o significado de sermos um país
que nunca acontece,

eternamente país de um futuro que não cheGa  ((na senda desse raciocínio, os 7 x 1
tomados da alemanha

tornam-se plenamente lógicos, explicáveis - conseguimos de fato organizar a copa,
com nossa alegria

e desorganização, mas não sem o trágico destino da seleção, e mais uma vez nosso
grito de gol,

apesar de toda nossa potÊncia, ficou entalado na garganta :: isso tudo porque é
extremamente difícil

ser o que somos, na esseÊncia ::  talvez demore 700 anos, mas é só porque
"nossos

planos" para o futuro "são muito bons", como cantavam os doces bárbaros ::
são a própria face oculta

da mitologia espacial norte-americana :: porém, no lugar de se chegar a uma
sociedade artificalizada

pela técnica, repleta de robôs e espaçonaves, chegaremos a um condado de
pura alegria, não importa

o espaço :: mas possivelmente será em um lugar bem juntinho à mata virgem e
a um regato de água limpa,

como quis vinícius de moraes, em seu encanto pelos orixás caboclos da natureza ::
nesse caso,

há que se compreender também justamente a diferença que deve
ser mantida entre

bRasil e esTados unidoS, que encontra analogia perfeita na diferença que há
entre mulher e homem ::

o bRasil é esse paraíso feminino, "complicado e perfeitinho", como diz uma
canção popular :: menos

direto e objetivo que os foguetes norte-ameriCanos (civilização estadunidense,
plenitude total

do espírito da gueRra... :: no coração da amériCa, no enlace amoroso e
discreto entre uma e outra

potência é que se encontrA nosso rumo para o oRiente, pelo ocidenTe,
e que pretende ser um rumo

para  a humanidade inteirA ::

sexta-feira, 11 de julho de 2014

++ há na parede uma pinTura



há um mundo de vida espiritual anônima e encantadora, que zela pela habitação discreta das casas

e das cozinhas :: são manchas maternas e poderosas, de ar que purifica, que
dá sombra, produz frutos,

e anima grandes brincadeiras :: está na canela de um menino que joga bola :: é
uma atividade pictórica ::

de uma bica eterna, escorre uma água :: há o tempo de uma branquidão, de uma
láctea pintura ::

esse tempo é sério e faceiro :: usa óculos, aprumado pela leitura natural das ribeiras, dos
lençóis brancos

em varais infinitos, das gamelas de doce e da carne temperada :: um brasil agrário ::
nesse brAsil que nos aguarDa,

não há pressa :: ele permanece, desde o início da formação de nossa poesia
melhor e doce, cristalizada com as

primeiras plantações de açúcar :: aonde não há pressa, o amor é uma visão longa,
mineralizada, indestrutível ::

há um trem de ferro, que nos corrói, pelas torturas do comércio de escravos,
destilando a pureza, apurando as glÂndulas mamárias de nossa

inteligência :: os escravos aprimoram suas piruetas :: os selvagens indígenas aprimoram
seus cocares,

em que brandamente abrigam o espírito da floresta :: as leis corretas, as palmas, as
saias impuras

das moças brejeiras e beatas :: esse bRasil requer silênCio para ser escuTado ::
não é possível acessá-lo

se nossa paz perturba-se com inveja ou vaidade desmedida :: anda no mistério
das pisadas agrestes da

sociedade inteira, em bibocas ou furnas, e nas nas hortas das escolas, onde nos
amou pauLo freiRe ::

a cada dia, o vejo mais completo, e no que ele se deixa placidamente transfigurar
pelo comércio,

pela prostituição, pela mídia, beijando a todos, sem pedir nada de volTa :: é lírico
e amoroso ::

é maior expansão de um pensamento, um andor, uma andorinha ::








terça-feira, 24 de junho de 2014

(( visão poética d+e mariA ~:>





a maioR violência, e a maior benesse, é a das flores, que o tempo todo
nos força ao martírio do arte,

ao canto ajeitadinho do menino com sua namorada, à persistência no
bem :: cola-se a cidade ao meu ouvido,

como forma de ouvir nossos filhos :: porque sou grande, tenho a
persistÊncia :: porque cuido, sou do bem :: o amor é nossa

violência carnal, sua e minha :: é nossa voz e um violão, um pandeiro, as luzes
da esquina, uma lâmpada acesa :: sinto

saudade infinita de teus pistilos, de tua corola ardente :: e segue o boêmio altivo,
ébrio da altura com que se enfeita, do par de asas

que é um vulcão :: ele se enfeita para ti, ó adoradinha, enfeitado de cor e
visão febril, como o anjo pop

homérico dessa violência nacional :: cuido de tua graça amiga, da cor de tua
amizade, dos teus seios,

do batom, da tua experiênciA revolucionáriA :: a pintura espanta o elemento
mal e humano ::

teu lápis de olho é sagrado, tuas sapatilhas :: teu namoradO é senhor de muitas
colmeias, o deus

da recolha de um mel escondido :: transforma essÊncias em pensamentos e loas, em
coisas boas e viris ::

atrapalha o trânsito acendendo o sábado :: é pura juvenil perturbação incendiária ::
é pura domesticação

da natureza mais agreste e gentil :: conversa com lobos, golfinhos e baleias ::  te faz
carinho, acarinha, colore e aquece

a televisão :: usa pólvora doce, reclama os atrasados, defende os
oprimidos :: teu namorado é poesia e nascimento ::

anda sem revólver, a par de todo o sentimento anímico e perturbador da
cidade, por ti :: tu és

a bíbliA, a sensação, o motivamento :: tu és o que todo homem quer,
africanizando sentidos pueris ::

tua és a manada de javalis, a reencarnação em segredo da poéticA visão de
mariA :: tu és o meu

mais prometido e pacificado, difícil e abençoado império :: e nelE, aprendo a
dormir e sonhar

contigo, sem segredos, por toda a eternidadE ::

terça-feira, 17 de junho de 2014

luLa, chico, esquerDa, dirEita, e o heXa




amamos a diversão e, por isso, fazemos com maestria e doutoralidade aquilo que 
o mundo mais 

ama - o futebol:: tornar-se potência mundial e, portanto, conquistar a admiração e o 
reconhecimento da 

população inteira de um planeta, por intermédio de uma brincadeira, é um carinho 
que se dá à vida 

((como se fosse um beijo na bola, que metaforicamente, então, é o beijo que se dá na 
barriga de uma 

mulher grávida :: somos a pátria dos grandes mistérios encravados, das forças 
e folias surpreendentes :: do mesmo

modo que nos tornamos campeões naquilo que é aparentemente inútil - um jogo, 
uma molecagem,
e isso "não tem preço", em um mundo tensionado pelas competições reais da indústria e do 
comércio -
elegemos luLa e o pT, a primeira força real trabalhadora a assumir o controle de um país de 
modo
democrático :: a vitória do líder operário atualizou para a humanidade a utopiA 
da revolução franceSa, do povo no poder,
sem que em nenhum outro lugar do mundo se tivesse tal fato :: nem mesmo a 
fRança, mater da ideia
de revolução, logrou tal conquista, nem mesmo quando tentou reeditar-se em 
termos revolucionários, com o maio de 68 :: 






cabe ao Novo Mundo, nas améRicas, forçar o vencimento de barreiras que a Velha 
EuroPa sequer percebe
que existem :: o mesmo, evidentemente, se deu com o futebol, inventado na inglAterra, 
país ao qual nunca
cedeu maiores glórias :: coube ao bRasil retirá-lo de um certo europeísmo limitador da 
graça e da alegria:: quando luLa
vencEu, o país inteiro curvou-se e, pelo menos por um diA, foi exaltadA a chegadA real da 
plebe ao trono ::
nada disso, no entanto, é estável :: antes, é suscetível a intermináveis ataqueS da legiÃo de 
maus humoREs
humanos - sobretudo machistas e violentos - que não admitEm a conquista dA felicidade 
como algo
físico, real ((o sonhado paraíso na teRRa, mito fundaDor da cristandade ocidental e, 
por essÊncia, da própria brasilidade :: o miTo reforça-se
pela repetição, e a expulsão do paraíso é um processo interminável :: crisTo e suas 
quimerAs precisarAm
sofrer do mesmo tipo de ataquE, para ressuscitAr "três dias depois", e quatrocentos anos 
mais tarDE,
deiXando o oCidente mais complExo, ao tornar-Se a religião ofiCial de romA e fundir-se 
definitivamente
aos mitos helênicos da grÉcia antiga :: no bRasil moderno, nossa legião de meninos de ruA 
reforça







o mesmo enredo :: como filhos de uma gente mestiça, recebem o abandono da favelA, a tristeza estatística 

de sua condenação a um futuro inexistente :: mas revivem na glória de uma ressurreição improvável, são 

craques dribladores, fornecem o substratO de nossA imperial força futebolística, são a 
reconquista do sonho
por vias mais do que tortas, tortas como as própRias perNas de garRincha, ou 
os espinhos na coroa de cristo :: não há relação nítiDa entre futebol
e políTica, mas a interpretaçãO poéTica profuNDa conseguE ver que, por interméDio da seleÇão e daquilo que foi luLa 

((outro menino abandonado, diga-se de passagem)), o mundo espEra de nós esse avanço do inominável, de 

uma certA magia que nenhumA outra nação conseguE colocAr em práTica :: somos o país do impossíVel - é isso; 

somos uma permissão maior parA que as funduras do oceano mítico se exprEssem, venhAm à tona, 

e reveLem o miTo encarNado, mostrem a imaginação infinita dos ser humano fundida a 
seus deuses e demônios, o bem e o mal;
o que se conseGue por meiO da cRuz (a sacrificação do próprio povo) e do 
carnaval ((sua doce 

redenção no mistério da brincadeira mentirosa, que mente sobre a realidade da vida, 
mas que é a única coisa capaz de proporcionar a verdadeiRa felicidade
de meninos-homens, desviando-os do tráfico, da corrupção, da morte :: a fundura mítiCa 
de uma sociedade
miscigenada como o bRasil, diferenTe de qualquer outro grande 
país (japão, alemanhA e até mesmo
o também caboclizado esTados uniDos), verte rios de sangue perfuMado, menstruaÇão 
docE somente mostRada e compreensível
se for de modo artístiCo, como nas obrAs de chICo buarQue :: pela comemoração do aniversário de chIco (70 anos, completados 






dia 19, depois de amanhã), que aprecia como ninguém um futebol, um carnaval, uma cerveja, e uma 

mulher bonita (do modo mais respeitoso que possa haver, porque através da poesia), 

e que ajudou a construir, a seu jeito, a vitória de luLa, devemos a ele dedicar a vitóriA 
no jogo de hoje :: 

seus samBas são populaRes, já estiveRam na boca da massa, e somenTe não estão 
mais porque tudo aquilo que 

é de uma beleza indescritível - como a popularização de um requintE rítmico-filosófico, 
caso de toda a Música Popular Brasileira, a MPB -
é por natureza uma evanescência, algo que logo desaparece :: será que nosso bRasil bonito, 
o mais lindo que
houve, aquele da década de 70, vai voltar, vai ressuscitAr como cRisto, para com o apoio dos eStados uNidos, cumprir o destino do 

nOvo Mundo, a aMérica, e ajudar a refundar a veLha euRopa, ou seja, o oCidente e 

toda a cristandade helêniCa? :: as condições estão dadas, pois se não existem hoje torturadores físicos, nem sensores 

ideológicos, temos esse imenso lixo acumulado desde a década de 80, com a transformação da favela 

em zona cruel de guerra e, sobretudo, com o achincalhamentO pela mídia de nossos valores estéticos, antes tão duramente 

conquistados, pois resulTado da fusão sangrenta dos gostos e paladares de 
todas as nosSas etniAs ::
a ditadura, a defendEr o conservadoriSmo frente à essência dionísica do bRasil, hoje não 
é militar, mas terrivelmente civil ::
e elA fornece o antagonismo necessário, sempre necessário, ao resplendor e à vitória da beleza :: e o cálice da bebida 

amarga, que chiCo e milton nascimento pediram para recusar nos anos 70, é serviDo 
hoje com a ajuda implacável da internet, por meio de uma
recusa da nação, em discursos extremistas, que muito mais facilmente conquistam o gosto do poVo :: extremismo, espírito de 

porco e chauvinista, servido e sorvido a largos goles pelo grosso da população, em todas as suas camadas :: nossas 

redes sociais, apesar de representarem uma conquista democrática, paradoxalmente 
vêm funcionando
como um criatório de ratos, monstros, terríveis moscas varejeiras, que zombam daquilo 
que representa, acima de 

tudo, uma conquista para a humanidade, ou seja, a brasilidade :: sendo que tal força negativa 
atinge de maneira preocupante 

até mesmo a qualidade de nosso futebol :: alemanhA e holanda já se apresentaram como 
adversárioS mais do que forTes, 

requerendo que, mais do que nunca, o bRasil seja o que ele é :: a disputa nas ruas, com 
o extremismo de esquerDa, acirra 

os ódios, e antecipa a disputa eleitoral de outubro, irracionalizando ainda mais esse particular 
momento da nação :: todas as condições estão 

dadas para que nosso inconsciente coletivo, que sempre deseja o bem, passe a formular 
uma solução mágica para nossos problemas
aparentemente irresolvíveis, e que surgirá com a beleza de um chute a gol :: sonhemos, 
e com razão



e legitimidade, para que nossa incrível capacidade de amar a brincadeiRa volTe a conquisTar a bolA e o munDo :: e que 

nos tornemos grávidos de ilusão, e que os herois do hexa, ilustrando comerciais de bancos, 

mineradoras, grandes companhias do capitalismo mundial, invadam, com a bondade que representam, o coração do 

sistema opressor - necessariamente opressor, deve-se dizer :: toda a opressão que sofremos da sociedade organizada em regras 

e leis rígidas que objetivam produzir dor, lucro, trabalho, é tragicamente vital para o equilíbrio da existÊncia :: isso 

porque os instintos de prazer e amorosidade do ser humano não podem ser deixados a sós (algo que nossos socialistas 

libertários, com todo respeito, ainda não conseguiram entender)):: antes, nossos instintos precisam de uma 

educação, de uma guerra entre a natureza e a cultura :: e essa é a grande lição do mito, da luta entre o bem e o mal, onde ambos se fundem, 

amam-se e odeiam-se, um buscando e gerando o outro :: desse confronto no mundo dos instintos 

é que vêm as carrancas que se degladiam nesse momento, sobre a superfície da realidade :: a

opressão é inevitável, para que o amor sempre renasça, como uma flor brotando do asfalto, na clássica imagem de 

carlos drummond de andrade :: falta a nossa esquerda compreender melhor essa noção, transcender seu marxismo 

corroído, gerando nova quimera ideológico-existencial, de cunho cada vez mais luso-tropical-brasileiro :: 

falta uma nova inteligência brasileiRa, como aquela que cercava lula e chiCo buarque, 30 anos atrás, capaz de 

nos redimir de toda essa dor :: nesse jogo, esquerda e direita são fundamentais, orquestrando o orgulho da nação :: não deve-se esperar a 








revolução capaz de, abruptamente, trazer o paraíso na terra, como nas velhas utopias libertadoras - burguesa ou socialista - da 

euroPa, :: o pensamento mudou :: deve-se investir em nova apreensão do modo como nos tornamos a cada dia mais humanos, em meio a 

lutas intermináveis, porém de modo cada vez mais cordial, conforme reza o mito da brasilidade:: e que o império do mundo 

do dinheiro, da machismo, do preconceito, da falsidade - que existe tanto de um lado como de outro, tanto 

à esquerda como à direita - deixe-se aos poucos contaminar pelas difíceis lições do tornar-se homem e 

menino ao mesmo tempo, em uma só palavra, heroicamente brasileiro, para que um
dia, até mesmo 

essa designação, que identifica um credo, uma raça, uma ideologia, um país, deixe 
de existir e, portanto, oprimir ::
mas esse já será outro capítulo dessa nossa venturosa históRia :><



"Voltadas antes de tudo para si mesmas, esporte e arte são esferas da vida que negam o utilitarismo dominante, e, por isso mesmo, promovem um efeito de pausa, feriado, ou descontinuidade com a sofreguidão exigida pela lógica do lucro, do trabalho e do êxito a todo custo. Se o objetivo do trabalho é enriquecer a sociedade, transformando-a em corpo poderoso, o alvo do esporte é muito mais difícil de estabelecer. Tudo indica que o esporte tem um lado instrumental ou prático que permite "fazer" coisas e promover riqueza; mas ele também tem um enorme eixo expressivo e/ou simbólico que apenas diz e, como os rituais, revela quem somos." roberTo damAtta, notas em torno do significado do futeBol brasileiro ::



repenSar o mito bRasileiro, que engloBa o poder do futeBol como mística coleTiva unifcadora, envolve considerar essa colocação de roberto daMatta :: se o futebol é a nossa cara e diz sobre nós, então somos na essÊncia brincadores dionisíAcos, em contraste bastante acentuado em relação aos esTados uniDos :: nessa américa de diferentes mistuRas, a alma norte-americana certamentE se revela na oposição ao eixo dionisíAco bRAsileiro através do poderoso direcionamento coletivo rumo à produção econômiCA :: novas loucuRas, certamente, despertarão nosso lado dionisíAco atualMEnte talvez algo inativo, para avançArmos em direção a uma maioriDAde do bRAsil enquanto pátriA espirituAl ::