terça-feira, 7 de abril de 2015
domingo, 5 de abril de 2015
doIs
levemente há um brequ e do trem :: havia esquecido como so
u moço, e c
omo dominava cavalos ::
sou um sandero, e o ruminar no pasto
me ilumina :: constelações bonitas, laços :: ouço um só coração :: as
vozes me trazem pilhas da ramas secas, com as quais me enfeito :: e, pleno de outra atitude com
relação
aos atritos da natureza, à possibilidade de sentir-se atr avessado pelo ar que com o fogo conversa,
vou me es
quecendo dos males civilização :: na áfrica úmida de cada cabeça, ou indígena, plena
de esquecimento, o amor na placenta redivivo, amp lo, aberto, úmido de fresco, como nova geração ::
ali, esse amor terno vive, como o que eu vi onte m, enquanto corria alegre com as crianças, e a lua
ia alta :: agora que conheço esta dimensão do planeta, não a esqueço, e fico assim vocacionado
para completar minha amplidão signíca, que dá lastro à
s minhas atitude
s, e pela qual entendo
e compreendo o sinuoso fluxo do tempo :: não importa se apenas sobrevivo, hoje refugado como lixo
e transformado o doutor, o beato sábio, em vítima da ojeriza dos que não amam :: não importaria, também, se fosse
rico em dinheiro :: hoje eu sei que sobre nós, invisível, se estende portentosa lona de circo para iluminar a infÂncia,
a partir de uma luz saudável, natural e boa :: a ela somente se aconchegam os que perderam não
somente todos os dentes da boca, mas a própria boca, e
de maneira drástica :: sua luz dourada e bela flui para a retina
apenas dos desconjuntados, dos que ralaram os joelhos :: esse leva de misteriosos seres não porta
nenhum desejo :: são brancos às portas de um hospiTal :: tiveram rasgadas suas vestes e encontram-se
prontos, depois da solidão do abandono :: são mágicos e médicos :: trocam os trocados que possuem,
costuram e remendam meias :: são achados na própria rua, como despachos ao relento :: a minha gra
nde
pergunta ao psicanalisador de nossa era sanTa seria - haverá saída para fora da esfera dos soNhos, tamanha nossa
capacidade destrutiva, tão irredutível essa capacidade? :: ora, concentremo-NOs na camAda de miTo
que envolve o segredo humano, em como um caPa recobre a terrA, ativa qual uma vegetação ca
ntante
e fenomenal :: quem não mais acrediTa em seReias? :: pois elAs existeM, e brotam dentro de nóS
como úmidA capaciDade reflexiVa :: são nosSo sexo e nosSo temperamenTo, envolvem-nos com ardor, pois somos
o poro pelo qual brotejam sobre a face visível da realidade - e ficam lindas, ricas e nuas, como estrelas
de cinema, esponjosas e exibidas :: querem que as vejAm :: não sei sobre freUd, ou outros, vários, homens corajosos
que enfrentAram a relação carNal nua com o mito, o adentRar na floresta dos pensamentos vivos,
o ser tragado e esmagado por demônios, a rica tribalização, os carnavais e rituais de acasalamento ::
mas tudo aquilo que reside dentro de nós, cujo aces
so depende de uma certa falta de juízo, espírito poeta vivo
e capacidade para o sonho e o sofrimento, é algo que precisa, cada vez mais, ser estudAdo e comprEendido ::
acessado e engolido :: não importa se somos agora cientistas, religiosos, preces vivas em direção
ao conhecimento :: importa que somos ardências, sagacidades traçadas com o lápis fino, avivando
o contato com o íntimo, o suave suspiro de dentro
:: para nós, a árvore nem um pouco parcimoniosa
que concentra todas os fogos, temperos, essências, iras e vinhos, é força que bate, exulta e cala ::
na árvore dourada dos frutos do conhecImento, sempre dentro de um saboroso fruto, sob sua casca,
um verme se agiTA e invade
nossa casa, nosso ventre :: e haverá sempre na menTe corroída, no insano do desamor e da violÊncia,
um método para desperTar a fome dos "sem juízo", os puramente "loucos" ou românticos :: daquele
incapaz de não olhar para o feio furo que semei
a frutos de humanidade :: oh, árvore louca e sem juízo,
tão impossível de não ser vista, amada e recolhida como visão do paraíso :: sonhemos o conhecimento,
pois o alto humano já vai longe, e não pode velejar sem o prumo de nova euforia de dioNIso ::
domingo, 29 de março de 2015
))) mc brinquedo, criOlo e o ódio n())a discussão sobre cotas na usP ++
há uma irreverÊncia perdida no ar, uma força de esquerda que não consegue exprimir seus pensamentos,
porque sequer talvez ainda nem os possua efetivamente formulados :: quando a juventude, mesmo ingênua, foi às ruas em 68, aquilo
que se chama "caldo cultural" emprestava ares de inteligência e sofisticação a seu gesto de inconsequência,
à delicadeza da sua inocência de vidro, seu sonho fatalmente condenado a transformar-se em desilusão ::
do temor que causa um visível avanço do reacionarismo em solo brasileiro, tem anos já, o episódio
da discussão entre alunos sobre cotas raciais na usP me pareceu trazer à tona justamenTe, não a falta
de um sonho infantil, ligeiro e utópico como deve ser, mas o problema da sua falta enquanto
discurso e, principalmente gesto, efetivamente libertário ::
não fico indignado como o jovem "branco" acadÊmico da USP, "coxinha" :: fico, isso sim, é sem saber direito o que pensar sobre a qualidade reduzida
da intervenção contestatória dos jovens negros :: nesse episódio, ao contrário de 68, o "caldo cultural"
creio que acirra uma espécie de tensionamento estéril, violento e inútil :: "meça suas palavras, parça",
alfinetou certa hora uma das jovens negras :: o tempo de mc brinquedo, autor da expressão, que viralizou recentemente pela internet,
é o tempo infantil de uma legítima criança favelada no bRasil de 2015 :: o caso de mc brinquedo realmente nos representa, e demonstra
o espírito de nossa época, de uma internet que imita a estrutura favelada de muitos de nossos
lares e escolas, onde crescem, ou melhor, onde vegetam as crianças, em vaga esperança de um ócio
criativo mas indeciso e, infelizmente, até já indecoroso :: pela ótica de brinquedo, não se segura uma flor para se ofertar a uma garota, sendo
essa flor uma proposta sexual escondida e, portanto, sublimada por intermédio da simbolização,
da fala poética, como sempre acontece em qualquer intenção de música popular ou folclórica ::
quem conhece, sabe :: brinquedo oferece o próprio "peru" em seu repertório, sem metáfora
alguma :: simplesmente dispensou a poesia que cobre a inegável nudez humana, e isso, para mim,
pode
estar representando um sinal de alerta, para pais e educadores :: leva-se anos para forjar uma juventude culta,
para que a força inevitavelmente contestatória do jovem se torne bela, letrada e irreverente :: irreverÊncia
brinquedo tem de sobra - e isso é intensamente útil para a perspectiva revolucionária :: porém,
o morticínio de nossas crianças não é somente físico, mas, principalmente, intelectual, e vemos o
talento
desse jovem plantador de formas inusitadas, brincantes e corajosas ser perversamente desviado :: os jovens
dos anos 60, mesmo sem saber, eram resultado de uma cisão poética cometida na década anterior
pelos beatniks, que haviam implodido a felicidade vazia do lar consumista norte-americano ao se
entregarem
a um conturbado rito de recriação de suas próprias consciências :: no caso atual, o tempo livre, aquele
que deverá propiciar uma aura poética aos gestos de contestação da juventude, encontra-se, por assim
dizer, no vácuo ::
nada sopra em seus ouvidos que possa ajudar em sua marcha, o que certamente favorece o inimigo a
ser batido :: não há internet
que ajude, creio, depois da ruptura fundamental que a direita produziu ao soterrar a cultura brasileira,
tão lindamente formada com a ajuda da própria rede globo ao longo da década de 70 :: hoje somos um
país sem alma, e por isso nossos jovens de esquerda ficam sem palavras na hora do embate, carecem
de repertório :: que maldição é essa? :: foi a maldição da troca da cuca pelo goku, da troca do sítio
(do pica-pau amarelo)
pela xuxa :: em outras palavras, da extirpação - com consequências gravíssimas - da raiz folclórica
brasileira
do âmbito da cultura midiatizada, do âmbito da língua geral, que governa um sem mundo de relações
no cotidiano da nação :: "meça suas palavras, parça" :: isso a jovem contestadora ainda conseguiu
dizer,
e foi espirituoso, pois mc brinquedo não deixa de ser "muuuuuito boooom", a par de seu desgoverno
e alienação :: porém, mandar alguém calar a boca, como acaba
acontecendo, em determinado momento do vídeo que reporta o clima tenso lá na USP, está longe de
representar uma atitude de esquerda ::
gandhi, pai da contracultura a seu modo, pelo exemplo pacificista que inspirou o gesto hippie,
ficaria constrangido e talvez se recolhesse em jejum, como fez algumas vezes, depois de reconhecer
que não basta a vontade de querer mudar, pois mesmo essa santa e poderosa energia pode resultar em
imensas explosões de violência ::
glauber roCha ironizou sutilmente essa situação ao longo de toda sua carreiRa, transcendendo o aspecto meramente
messiânica das esquerdas que então lutavam contrA a ditaduRa :: precisamos de um pouco mais - e aí se
encontra todo o conteúdo da vida e obra glauberianas :: precisamos de uma seiVA profunda, aquelA mesma que os jovens norte-americanos
sugaram, À época da contracultura, pois conectaram-se com a vivacidade organizadora de seu país, localizada precisamente
junto ao templo de união das três raças que constituem a verdadeira américA :: jimi henDrix como emblemA
dessa localizaÇão produZiu as dÉcadas vindouRas de atituDe rebElde, e foi mágico, esperto, surpreendente ::
quando gandhi levantou-se contra o império britânico, fez o mesmo, no sentido de que cobriu-se do mito de sua terra e sua gente :: no atual momento, após o colapso
da cultura brasileira por força de um poder enbranquecedor que acentuou o cinismo de tudo e de todos, o que pode
mudar o bRasil é a retomada de seu espírito caboclo, interpretado conforme as novas linguagens
da tecnologia :: umA retomaDa da favEla, via intençõEs artístiCas, promoVe o alcanCe inusiTado
de nossa penúriA, sua extensão como miTo, precisamente como agoRa consegue fazer o sambista
rapper criOlo :: na verdaDe, criolo já não comporTa rótulos :: sonhAndo com sua redenção como
represenTante
"maloqueiRo" da brAsilidade, cozinhou lentamenTe uma expressÃo noVa e inusiTada, dando prosseguimento
à dinastiA dos reis caetano e chico buarQue :: não se faz uma revolução sem beleZa e corduRa ::
a dor e a fúria incontidas da jovem negra que apareCe no vídeO, se bem trabalhAda ao pé de uma
cultura
bem desenvolVida, consegue extirpaR as tendências fundamentalisTas que também assolAm o
PT, o movimento negRo etc., pois a famosa "ilusão do podeR" não é priviléGio da diReita ::
"oremos",
reza criOUlo, em seu último disco (("convoque seu buda))), "pois iremos suar veneno" :: o inimigo
é o cão feroz dos reacionários do bRasil, mas também se insinua matreiro por nossos coraÇões ::
em últimos casos, como sempre ensinou a própria faveLa, e a condição geral dos escraVos irrestritos
do bRasil, mais vale morrEr canTando (eis toda a cordura do gestO ancestral negro, indígena e
cristão) do que entreguar-sE ao ódio que, de tão sutilmentE contagioso, perverte e confunde toda a cidAde ::
sábado, 28 de março de 2015
clarA
lentamente
a escuridão se desfaz
ao redor dela e,
aprendendo
o rumor de cada um na casa,
germina com
felicidade, graça e fantasia ::
pode ser
que sonhemos todos
por uma vida que não será
a tua, enquanto
cada um te pega no colo ::
pode ser
que cada minuto
passado
nesse novo planeta
te desafie
::
pode ser que agrades,
ou que incomodes,
menos a uns, mais aos outros ::
mas, anna clara,
minha neta -
amamos todos juntos
esse teu sincero amanhecer ::
terça-feira, 24 de março de 2015
uM
sempre há uma máscara, oculta, nascida de deNtro, a nos inserir na realiDade :: meus ardores
mai
s violentos, como os de um anjo anunciador de novidades, é no sal que se projetam, inscrevendo o real sonho de um pacífico
incentivador da sagacidade, um benfazejo rei hom
érico, pleno de incêndios, que excitam e exercem
a governabilidade do reto
rno ao passado mítico :: há asas em meu sonho :: eu sou hoje esse pai, qual filho, fiando
e ex
ercendo a soberana escolha pelo amor :: eu sou a sanha do pássaro, o casamento, o cavador
ritmado :: livre, leve, profundo :: eu sou um beijo, bem encostado, que aflorou pela força atômica
++++ ((
de repúdio ao infinito gesto de amor :: nessa másca((ra, me mascaro, profundo :: porque a tenho
a pleno, é que voejo, e, por voejar, amplio minha face limpa, soterrada pelas entranhas do
esquecimen&&to
de mim mesmo, no mundo :: estou engajado
:: estou bem socialista :: estou míti@@co, escravo, com tudo
e todos ao meu redo
r, eles em seus plenos poderes, me agredindo :: sou bem humano, eu sou um
pássaro, e calço all star :: esquartejado, na inteireza do am@or mundano :: evadido, por pior que seja
o exercício
eterno da solidão :: implícito, em todos os homens vagos, sem clareza de si, que querem
ser igual a mim :: estou ardendo, qual vagina :: estou calmo, marinheiro manso, escrito na pele
com
espinhos e o suor das tartarugas :: chocando ovos, explícito, com calma, enquanto escrevo ::
pelado, enquanto penso :: entronizado, com o suor da cabra e do antílope, v eloz, quadrado, mediano,
imbatível, domado em um rito pleno de carinho, humor, gentileza e ferocidade ::
++++ +++
((((((((((((((((((9::dE trIunfu'Sd i t i r a m b u s
sábado, 21 de fevereiro de 2015
a tudo pelo que passamoS
nadA em
ti reforçA
uMa
veLha caBeça,
e por issO
ficaRás
paRa sempre
meniNa,
baiana filhA
de nossa
senhoRa,
pela qual
me apaixonei,
em iemanjá,
oxum,
oiá ::
há um bÊnção
sobre
noSSa coseção
e lavação
de todo diA,
nossA cocção,
que
nos revigoRa ::
estOU
enCantado
com a tuA
fronTe
guerreiRa,
de menina e
senhoRa,
como foi e
vem sendo - todo
dia - na
redenção
selVagem de tua
mítica
representação,
coMo
loBa sagraDa,
desordeira,
desregrada
e beatífica ::
a tua cabeça sinfônica representa
todoS
os
mitos .< diz
Em quE
teU denTro,
carrEgado de jejUns
e troVões, atordoAdo por
milhõEs
de peSadelos,
e jaRdins
pisAdos, de toDA a cidAde,
é o
negRo cume da soLidão,
com um
sOlo em áFrica,
que acenDe
o senSo gueRreiro
da mulhEr ::: dizEm que eu te domo,
raI
nha,
parA que, no deseSpero,
vocÊ
enguLa em
siLêncio e
manTra toDo o mal
feito ::: para que,
no
casTelo
da raInha,
onde
estÁ um
menino,
eu te perceBa,
anjiNho
sonhAdor,
em silÊncio,
de barba e sonhAdor,
brando
e gUerReiro,
aborígene unTado
pelo
sanGue das tUas
riNhAs ::
dizem que sou
de poRto aleGre,
poTro
redomão e apresSado,
e que
teu passadO
é meu
destino,
que adoecestes,
e que sou tal menino :: que nas foliAS
gerAes
do manTRa aleGre
cotidiAno,
no cenTRo e no merCado,
nós nos
dessalgamos, e
viRamos piSada,
nos
comemOs,
coMo dois passaRinhos,
e bebemoS
cerVeja ::
agoRa, pois
sim,
esTamos aqui,
bem suaDos
e moços,
requisitados o
tempo inteiRo,
beM
corujAs com os netoS
e filHos,
nosSo panDeiro
ainDa tíMido,
tuAs sapatilhAs
perpétuas e bem acesAs :::
nesse forNo
em que fazemoS o pão,
nesSa
cidAde
mundiAl de feliciDade
afliTA
que não entendeMOs,
nos
aplauDem, porqUe
há em toDA
altivez construíDa,
umA
repResentaÇão
daquilO
que
perceBemos
como senDo
a manHã,
do muNdo,
de onDe
saem toDos
os foGos
e mitos :: quero
saBer
como iDioTas
tão perfEitos
vão
nos combater,
não conseguindo
requerer
para
s
I
t
a
m
a
nhA
liturgiA,
algo
que sequer
enTendem ::
não
imporTa
se
noSSas
soleiRAs
estão
puídas,
e os cotovelos,
atravessAdos
nelAs,
belamenTe
se
canSam
todos
os diAs ::
simplesmenTe,
eles
não n
Os enTendem,
porque
tenDem
ao perigo da
salvação
pelo dinheiRo ::
perceBo
a glóRia
em teu halo,
e em umA
arCa
que carreGas,
um poucO
tenSa,
seguRada
ao cOlo,
como
se fosse
um
filHo
coLoCado
em teu
útero,
e que
semearÁ
poesiA
nos campos
de feL :: eu sou essE
martíRio
parA teus olhoS,
e lavo o
teu mar
de sanGue,
paRa
um diA
reergueR
essa taÇa ::
fiQue
benTa
como um
peiXe,
no dia de teu aniverSário ::
fique
revelAção
anímiCa,
com a cauDA
da seReia
bem permanenTe,
por intermédio
de tuAs guiAs
e das tintAs no cabeLo,
corTado à elIs,
que eu me transformo,
por receber
sons
selvagEns
do serTão :: queRo
sentir
teus peitos
e tua maciez aparentaDA
com o vaso mítiCo
de zEus,
queRo
comer
tua proposTa
absuRdA,
quero
padeceR
e jorrAr
inteiRo,
entontecido
e esvaziado,
para
encontrar
a noite e, dePois,
a manhãZinha ::
fico
aqui imiTando a rua,
fiCo
como
galo enCantado,
recolhenDo
ouRo
entRe as bituCas,
fico aqui
peneiRando
sal,
e a cada volTA
da peneiRA
sob o
sol,
penetrA
em mim
o charque litúrgico
da tua
bentA
ovulação, ideias para um eito, um
pedaço
de teRra,
uma rua sagRada,
uma permanente aveniDa ::
estamos saRados, estamos fecundos,
especialmente
estaMos
gaúchos,
revelação dionísca
para noV
AS páginas
muginDo
de lavor ::
estaMos
bem paGos
se ninguÉm
nos elogiA,
recordação
para
a hoRa exata,
tímiDos
como
doiS noivos
que exaLam
o metro
perfeiTo
de uma noVa postuRa complExa
que façA
se reerguEr na cidAde
a poeSia
sábado, 14 de fevereiro de 2015
14 de fevereiro de 2015
meu sangue ferve, de nirvana exótico e sensual :: estou pleno de limpeza, e consigo enxergarfundo, nesse mar amniótico :: não queria estar tão cortado, estar tão alegre e robustecido :: mas eu penso ::
sou o andar da procissão anímica :: que venham os canhões, que venham as cargas, os estoques,
os batuques de santos :: cada visão me anima, a cidade e seus carretéis de linha :: a verdade oculta
na liga verde que ocupou meu pai, meu trágico pensamento :: nada há, da visão do caboclo, que eu
não saiba :: estou colorido e informe, menino intruso :: estou no desassossego :: estou no que é
meu arco e flecha de pensamento oriundo da galáxia possante e nervosa :: estou com meus sapatos
de maloqueiro, sambadores e generosos, irriquietos e puídos :: estou imenso, largo, uma avenida ::
e minha rua é um pensamento :: eu sou a avenida, por onde tudo corre, no desassossego :: eu sei
da lata de tinta que pintou as faixas de trânsito :: eu sei da rosquinha da lata de guaraná, que tilinta ::
seu frouxo armistício :: eu tenho medo com um capeta, por saber dos poderes :: eu simplesmente
não existo, sexo frágil e materno, recuperando o fôlego para recompor-me um dia em melhores
pensamentos, tamanho a "largueza" (desassossego, p. 50) de minha ternura :: eu tenho o livro
aberto e por ele enxergo tudo :: tabaco de fetiche amarrado :: cânhamo :: explosão noturna
"tudo o que dorme é criança de novo" ((d'o livRo do desassossego, fernando pessoA
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