domingo, 5 de junho de 2016

a sociedade inteira pede nosso respeito :: que fazer, então, se não concentrar-se em atitudes respeitosas? ::

levei e levo muito tempo nessa riqueza de formulação :: o fornecimento que agrada ao país inteiro,
por sua especialidade gentil :: sonho com tudo, e nada me socorre :: estou perto de atender aos apelos

da virgem :: andar nu no paraíso, com a altivez aberta do altíssimo, que esquenta seu pranto e se embriaga

do perfume dos cinco véus e muitos vestidos, a rendilhar países :: vim ao país sem fundamento, desci ao inferno, somente eu continuo aqui :: na verdade,

o pensamento capturou de milhões de anos atrás uma forte água para o sagrado e secreto batismo ::
estou aqui com tudo, rompendo os quilates, altivo no pertencimento à grã-ordem :: como é secreta

essa voragem, e como me consola um pássaro que me vem à cabeça, de anel com o mundo :: oro,
mantra magnífico :: a rua podre me fez :: oro ao poderoso abacate, sua honra escura um pouco podre,

me fazendo segurar o fervor, de modo a que a cada dia ele se torne cada vez mais figurado, em cavalos

de são jorge, em pensamentos de bar, em espadas de são caetano :: ora, ó visão infinita de voejar
misterioso do grande poeta, a mente esperta entre lavradores e cangaceiros, donde dioniso cometeu

no incesto uma celebração :: meu exu misterioso com suas portas meninas, sua visão sábia e perfeita, a roubar

solfejos e a abrandar desejos, misturar com doçaradas, e meninadas, e trinados tranquilos três vezes
misteriosos do coração pacífico, multifacetado :: meu exu faceiro, a recolher plantas e apascentar

diabruras, todos os dias cozinha, com limão e salsinha :: recolhe mel com bravura, apura caldas e torna o

brando com ainda mais açúcar, lavrado e róseo embranquecido :: lava as roupas, douras as almas, vai vasando seu excerto

para o mundo, toda a maior essência, que é americana, em coração de estudante viajado ::  oro, meu coração de poeta, meu caboclo

caborteiro, verdade que se apruma enquanto tudo se desalinha :: e és tu o angulado generoso, o coronel

de dentro do matagal impiedoso, o senhor mastigado e condoído, a fórmula secreta :: caído, pois escolhido a dedo,

porta-voz de arco que avança para o futuro, avantajado ::
entendendo as profundidades e do amarelo :: sempre pronto, sempre ultrajado, a verter uns
transportes

do que se é por dentro, na iluminação dos polpas e dos cajados, na visita aos íntimos do xamã :: uns índios são os

teus pais e iluminam os teus passos, cantam em segredinho, te banham de paisagens que doem :: queremos

um brasil farto, te dizem eles, e a cada caetano, ou roberto carlos, o sonho embala os brAsileiros ::
quereMOs iluminação farTa, porque agora é a tua colheiTa, e eu recolho os meus mantos, minhas

forças puídas, meu pandeiro esperançoso, na colheita desse pago ::


sábado, 4 de junho de 2016

marCo do triunFo


torno tudo mais bonito
orno tudo
e meu olho perfeito
inquieto aquece ::
ésquilo, sófocles
ou aquilo
de leminiski ::
águas de impaciência
não relativizam
a bruma que
nos separa
do bom coração ::
quando saio,
há corolas
que aquecem
pátios internos,
minha propriocepção
do zodíaco ::
é tudo muito
velho ::
é tudo
muito arcaico ::
e eu quero
ser apenas
como
o movimento
armorial
de barros,
led velho
zeppelin,
ou o vento
intenso
de candura
coralina ::
quente,
fico ::
quieto,
contente ::
aparato
unívoco
do novo
horizonte ::
aparato
do onírico,
para raios
dos sentimentos
tântricos
do olimpo ::
propriocepção
e meu esquema
de vidência ::
a mulher
com seu bico
de pássaro
e os temperos
para o 
assado,
o comer
prazenteiro,
me permitindo
a paz
dos arvoredos
cobertos
de garças,
como se
os cansaços
doessem
menos ::
bato
com a
cabeça
em uma
pedra
desse arcaico
pátio ::
e é como
se eu
batesse
a pedra
de um isqueiro,
cumprindo
minha
função
de facho,
iluminador ::
acho
que eu
sou marCos,
os limpador
de mesas
compostas
de sangue,
após múltiplos
assassinatos ::
eu sou
marcus,
o ruminador ::
estanho,
latão,
casas de cobre ::
forças
que perfuram
e arranham ::
espantos
vistos
a partir
do endurecimento,
sem
indolência ::
tenho
uma
capacidade
de santo
guerreiro,
espantos,
ervas,
cura e sal
para as bicheiras ::
eu sou
o bRasil
antigo
e arcaico ::
eu sou marcus





domingo, 22 de maio de 2016

seGunda



olha que coisa
mais límpida
e mais cheia
de partes ::
amo,
pois,
além
d cantar,
escrever,
pintar
e cozinhar,
é minha 
noiva ::

não tenho
muito
dinheiro ::
mas,
com a glória
do senhor deus,
nossa pai,
e a bênção
da cabocla parideira
mítica,
nossa mãe,
tenho arte,
cultura,
inteligência
e bondade
o suficiente
no coração para
nos sustentarmos
com leveza,
no ar ::

estou
sempre
deslumbrado ::
não
me canso
de estudar
e compreender
teus
braços,
tudo o
que eles
com brilho
fazem,
tuas
múltiplas
forças,
teus filhos ::

a super
mulher
que
me exige
o conselho
de forças
anteriores
a tudo
o que
sou 
e faço ::

e hoje,
enquanto
o bRasil
chora
por 
mais um
golpe
em sua
delicadeza
e democracia,
estar
a teu
lado
é estar
blindado,
é ser
o que
finalmente
sou,
um
sósia
do homem
espiritualizado,
amante ::

amplo 
e impressionado,
sou tudo
o que
a floresta
tem
e que
ninguém
entende  ::
socialista,
real,
agrário  ::
sou
um copo,
ou um jarro,
de
sensações
eternas
da vegetação
fugaz,
que a alguns
poucos
é permitido
beber ::
uma vertigem,
uma
brincadeira ::
do xamã,
uma beberagem ::

sou
um
corpo,
que
vem
me 
restituir
a glóRia ::
sempre
homem,
um super
homem ::
de iansã,
uma
docilidade,
um casamento ::
 contigo,
quero casar-me,
por causa
de teu
magnífico
semblante
de mãe,
moça,
menina,
namorada
em sua
juventude,
gata,
bonita,
jeitosa,
faceira ::

mulher
que apita,
perfil
intenso e
perturbador,
como
nos dia de hoje
convém,
a inspirar
futuras
gerações
muito
menos
degradáveis
pela
gravidade
de tudo  ::



sábado, 14 de maio de 2016

vorAcidade inconsciEnte

há um sincretismo sócio-cultural-religioso no bRasil que nos avia uma receita, ou um modo de funcionar ::

seu caráter mítico o torna absolutamente selvagem e irrepreensível :: não há como capturá-lo, não há como detê-lo ::

sorte maior de quem o venera ((pois esta
 é a situação, a de uma espécie de culto, de ampliação de suas formações

sígnicas, com fortes raízes no inconsciente :: há que ser místico, marginal, ou poeta ou herói aquele que consegue

sentir o trabalho que faz a voracidade de tais entes voláteis e obscuros :: há que se bater no peito e ter muita



coragem para nunca ne
gá-los :: sempre fui um estudante aplicado, porém extremamente irrequieto :: a força está

em outro lugar, para a solução de nossos probl
emas cotidianos, e o que se apresentou para mim como espaço de

produção acadêmica nunca passou de uma tortuosa perda de tempo :: o sentido cristão, ou europeu, impregnado

em tudo, é algo absolutamente insuficiente para tornar a realidade brasileira palco de uma eficiente construção

cultural :: infelizmente, essa construção de uma nova forma de inteligência sofre pesadíssimas resistências ((..., inacabad

sábado, 2 de abril de 2016

artisTA

o gênio sutil, se não nos reinventa, não forma um cordão de proteção em relação ao querido amor
que gera a humanidade em nós 
:: ele é
 um gênio porque vê, em qualquer traço ou ocasião, uma beleza,
recital, mantra ou revelação :: depois que vibra sua concepção, nada resta de um antigo tempo de
ruínas e destruição, desafeto, desapego,

polícia, perdição,
 desigualdade :: a bÊnção sua sempre
será bem-vinda, e do profeta, sempre em de
salinho, ou sobrevivendo ao descompasso da loucura,
se abrirá um mar vermelhO, para a travessia amarela do artista, que somente ele mesmo admira, e muitas
vezes esconde, como perfeito ilusionista das pai
xões turbilhonadas do labirinto humano ::

sexta-feira, 25 de março de 2016

o medo de aMar

secretamente apenas é que  existE deuS ::  se pensássemos que seria possível vê-lo, estaríamos fartamente
equivoCados :: a mensagem da crucificação de jesus crisTo é a de que a presença humanA não comporta
um ser divino em seu meio :: sua condenação pela rua, seu massacre, seu apedrejamento, indica
a solidão de se estar unicamente pensando no amoR, na fraternidaDe, na união :: somos todos 
espíritos pecAdores no sentido de que o amor em mim, em vc, é sempre uma força que não resiste
a um sem número de pressões, elas mesmas co

nstituídoras da rede de relações sócio-culturais,
e ambientais, em que nos encontramos :: por isso, o amor é uma lutA constante contra os princípios
da soberba, da inveja, do estúpido sexismo, e assim por dianTe ::

++
nas comemorações da semana SanTa, o hábito do alimentar-se apenas com peixe, entre as variações



da proteína animal, quer dizer que se não amamos uma proibição, não nos livramos desse nosso
constante estado pecaminoso :: em épocas históricas, como a da atual crise brasilEira, o senso 
de que o pecado anda solto, e que é de dificílimo controle, repercute antes de mais nada uma condição
absoluTamente humanA, que revelA aquilo que se poderia chamar, com um pouco de trocadilho,
de "fraquezA da carnE" :: se partilhamos uma ceia, como na de cristo com seus apósTolos, o chamado
cristão é o da igualdadE :: porém, os conluios

, barganhas, desvios de dinheiro, propinas, confusões,
envolvendo sexo, luxo e dinheiro, são elementos tão característicos de um bRAsil que comunga
dessa terra farta, ampla e rica, que o rito da proibição e do sacrifício volta, sempre, a ser necessário ::
que hoje - dia da paixão de crisTo - a iluminação de nossos ritos cristãos nos iluminem, pois o novo
da ressureição sempre aparece a partir da obrigatoriedade de uma abdicação :: se entramos, interiormente,
em contato com nossas forças escondidas, confabulamos de fato com os artistas a pleno que todos
somos, sendo permitido ao cidadão desse início do século XXI f

azer sua necessária digressão,
rumo ao infinito do interior de si mesmo :: se tais recomendações fossem seguidas quando freuD
inventou a psicanálise, em torno de um século atrás, fico me perguntando se a segunda guerra
mundial não teria sido evitada, po

is o que freud viu no íntimo da psique humana foi um estado
permanente de medo, pânico, beligerância, somente mitigado pelo desenvolvimento de dons






plenos da fala, da expressão, da criação, da análise :: cada vez somos mais envolvidos por uma solução
semiótica que permite a inevitável expressão das forças destrutivas da psique humana, por meio das variações de linguagem
que consegue nos conceder a tecnologia digital em rede, desde que nos devotemos a essas possibilidades do mesmo
modo que, sem perceber, nos entregamos ao erro, ao pecado, à davassidão (no fundo, por puro
medo de não sermos amados e tratados com dignidade e elegância) :: nada da feiúra que sai dos grotões
do facebook, blogs reacionários, memes escandalosamente fascitas, deve nos espantar, pois o fascínora
coletivo é antes de tudo um gentil homem acovardado :: aqui, o tempo mágico do inconsciente
a internet imita, providenciando tudo para que se apresente a incomensurável fundura do ser humano
e seus abismos :: dali saem militantes, ativist

as, políticos, iluminuras e reminescências :: oremos,
pois do sacrifício de nos abrirmos a todas as possibilidades de entes ou seres é que se forja uma real
encarnação daquilo que espantosamente poderemos entender, um dia, por deuS, seu poder,
e sua glóRia, amplamente manifestos por meio da riqueza cultural humana, por meio de um antropológico
marco e suas  variações em etnias, agora, e talvez desde sempre, tendendo a um religioso entrosamento,
contemporaneamente facilitado pelo desenvolvimento da revolução digital :: 




domingo, 20 de março de 2016

a coRagem de seguiR adianTe

forças de libido mal conduzida conduzem o reacionarismo brasileiro, uma espécie de fraco amor pelos
filhos :: como disse luLa, na manifestação do dia 18, em são paulo, não há uma disposição da direita
de agir maternalmente, distribuindo o que se tem a todos os
filhos, que, evidentemente, estão ávidos
por saciar necessidades :: coisas simples, disse luLa :: passear, estudar, comprar :: a legalidade
de brizola, em 61, fortaleceu um espírito "guapo", viril, de resistência :: o mesmo espírito de que agora devemos nos munir :: não há passado que não se resolva ::
a construção do bRasil, a mel


hor sorte para seus d
esvalidos, é esse apelo de mãe, mãe tantas vezes
abandonada, que clama por um maior heroísmo de um pai :: que seus hábitos rudes se esvaiam, que o grosso
de nossas reservas fiquem por aqui mesmo, alimentando o povo em geral, e o conteúdo da nação :: com o pai transformado em consolação
para seus filhos, tudo se abranda :: se o bRasil a
giganta-se, as demais pátrias revoltam-se com nossa
beleza, e por isso aécio é tão facilmente comprado, porque há muito dinheiro envolvido, dinheiro
das podres riquezas, do mundo inteiro, nas mãos de nossos escravocratas mercenários :: mas é preciso "estar atento e forte" :: o que 
os homens fracos da direita chamam de desenvolvimento
não resolve nossa forma miscigenada :: vamos sofrer mais, portanto, e, concentrados por sobre os
lentos abrigos proporcionados pela raiz c
ultural brasileira, vamos precisar aprender a amar um desenvolvimento
"bossa nova", menos opulento, mais condizente com a personificação de um amor pelos povos




aborígenes :: não há nada em são paulo que proporcione o que, à nossa alma, proporcionou nossa bahia ::
lá se encontram os signos perfeitos do estupendo império de uma sabedoria à brasilEira, a vocacionar
nossas maneiras ricas e elegantes de comer, vestir, de  dar de comer e de dar de vestir :: quando o primeiro antropofagismo
surgiu em fainas paulistas, era tudo aquilo ali raiz cabocla vertendo industrialização, para que o império
do sagrado brasileiro acreditasse em si mesmo ::  nossos deuses são bem maiores que imaginamos,
para que nos

esforcemos em imaginação :: são regiões inabitadas do inconsciente humano, suando,
putrefando, sendo ciência e arte, minas de p
rodução e decomposição :: se nessas regiões nos escolamos,
é por meio das cores vivas de inúmeras práticas, rurais, urbanas, que nos consolam com seus perfumes
e chamegos, rumo a uma criação melhor, consciente de um novo tipo de paternidade :: aqui, acreditamos





no carinho e no perigo do fo
go, na bondade dos ecossistemas ((amazônias, pampa, caatinga, cerrado)) e por isso os amores são boas arrumações para os casais que se
casam :: nessa leveza do corpo casado como uma bênção, está a construção dos lares, e é nisso em
que acreditamos :: o corpo amoroso agita até mesm

++++
o o mais rude paulistano, bandeirante em seus
atavismos :: e nisso acreditamos :: que, um dia, o bandeirante amargo, com a bênção de nossa senhora
aparecida, vai verter amor também pelos poro
s, como fizeram os modernistas, em suas formulações
ávidas por necessidades de outra vida :: outra vida além da antiga europa e dos americanismos
 - mais amiga, menos utópica, mais pindorama em seu virtuoso salão onde bailam reis e rainhas de generosos congados ::