sou um signo composto,
não simples, mas entremeado
e invisível nas conexões que permitiriam
veR um desenho :: eu sou a face
inteligente fingindo ser animalidade pura ::
eu sou a lenda sob um carrossel de fogo ::
e aquilo que vejo, aquilo em que me deixo
tocar, ou aquilo
que beijo,
tem a feição final
de uma
ciranda infantil e infinita,
como na solução mágica que representa
para nossa alegria
uma arte, uma conquista, uma briga de rua
quarta-feira, 17 de agosto de 2016
quando somos alienados do conhecimento mais elaborado, ou levados a um profundo choque
de nossos valores mais consolidados, uma dança instintiva, unindo deuses e demônios, começa
a relembrar o tempo mítico maior de todos :: algo se cala, então, e algo novo se levanta :: a montanha,
com um único gesto, pare o corpo amado de um novo brado em segredo, as folias são mais eternas, os pensamentos
mais precisos, na capacidade de fingir sobre o eterno e seu terrível jeito selvagem, antigo, aborígene, de nos amar :: o choque
de descontinuidade sofrido pelo bRasil, em sua cultura mais humanística, suas letras, sua música,
seu cinema, penso que agora produzirá uma mudança a partir da saudade profunda que tantos sentem :: sinto
a brandura dessa possibilidade se aproximando, para consolar a imensa fartura de pobreza de nossas
tardes de domingo :: sinto como um afago, e que virá, com a respeitabilidade de uma fantasia divina ::
terça-feira, 16 de agosto de 2016
a muSA
o vínculo sagrado nos une :: uns unguentos, uns retiros em
direção à paz, lá onde o beija-flor e o vaga-lume
brincam, a boiada toda se reúne :: somos parceiros, somos a
fantasia, e eu te beijo, abrindo o estado interessante
que favorece a lentidão do amor que casa :: o que permanece é a gentileza, e entre nós cresce uma vegetação
bem densa,
onde vive uma solução de vida, em moléculas de ar que com tranqüilidade
se respira :: são santidades
que nos definem, em tábuas
de salvação e grega revelação antiga :: revivendo segredos, nos afinam o olfato e o
paladar, e nos acariciamos
como golfinhos, coisas penetrando
a pele, um gosto de pólvora e um cheiro de mar, um delicado
rosto de bebê por encontrar, com
suavidade,
tolerância e fome :: estico uma rede com a forma do enxame :: sou um palhaço, com
bondade e um trono ::
e assim, à beira de teu castelo e um abismo, sou um amigo
olhando e tocado :: puxando com a ajuda
das
divindades do refinamento umas formas regionais que bicam e
saúdam, e lutam por merecer teu belo
olhar,
domingo, 14 de agosto de 2016
com certeza sou um pai gentilmente renovado e renovador :: o
que gosto mesmo é de “churrasco,
bom chimarrão, fandango, trango e mulher”, mas tudo isso transformado em
menos exclusão, machismo
e preconceito :: no final das contas, a saciedade, ou a satisfação, de uma pessoa do sexo
masculino,
nesse início de século,
que precisa dar conta de importantes, imprescindíveis,
funções da vida em sociedade, sempre pode e
deve mudar ::
não vejo o mundo como os machões de antigamente, e que ainda
perduram entre nós,
só deus sabe até quando :: estou cansado dos varões com suas
visões estreitas, que acabam sempre em falta de carinho,
neuroses, vícios, depressões e dissoluções familiares :: sou
provavelmente a pessoa que mais sofre com os
costumes mal acabados de nosso machismo conservador
cotidiano, pois meu tempo sempre foi e
sempre será outro :: e como pai e professor, sempre pergunto
– há como transmutar o sentido daquilo tudo que fazemos,
permitindo que as difíceis produções do cotidiano se tornem
mais “legais”, menos chatas, mais gostosas de se fazer? ::
pois é justamente esse o problema do ambiente doméstico,
onde pais e mães dividem tarefas e os
filhos
crescem ouvindo histórias sobre fugas e abandonos paternos
:: na íntima realidade cultural estão os
segredos de uma boa solução para esse tipo de problema, em
uma época de recriação da própria
humanidade, levada adiante em parte por obra da nova
tecnologia digital :: precisamos de um novo tipo de ser humano,
como diz o
ex-presidente uruguaio, Jose Pepe mujica, algo que vai além da simples
produção e divisão igualitária
dos bens econômicos, como buscou articular a antiga esquerda
:: precisamos de uma vasta mudança cultural :: e, se precisamos nos refazer
culturalmente,
urge nos perguntarmos que brasilidade herdamos ou estamos a
desenvolver :: até que
ponto somos de fato brasileiros, considerando a quantidade
de conhecimentos inexplorados que se encontram
em nossa raiz cultural miscigenada? :: função do pai poeta
que sou: descobrir esses novos continentes de linguagem ::
quando percebi que os
modelos mais imediatos de paternidade na minha vida não me eram suficientes,
rumei a uma sensação de horror tão
grande
a ponto de descobrir que a identidade cultural está aí para
nos acudir, permitindo verdadeiras reconstruções
de sentido :: que me perdoem os meus mais próximos modelos
de masculinidade, forjados pela mídia
de massas, mas o que sempre me pareceu funcionar melhor foi
copiar os modelos fornecidos pela contracultura
e as rupturas propostas pela sua miríade de soluções
artísticas, sempre tão vinculadas tempo tribal aborígene,
como no caso daquilo que o Brasil tem de mais autêntico ::
sempre fui roqueiro e revolucionário, implodindo os
significados machistas e patriarcais, presentes
em cada cerimônia doméstica que sem perceber executamos ao
longo de nossas existências :: o machismo
presente nos minimíssimos detalhes ::
e fui e venho, e sou incansável no desfiar dessa estrutura
praticamente imperceptível,
para que não sobre nada mais daquele “churrasco, bom
chimarrão, fandango, trago e mulher” horrível
de nossos velhos pais e avôs :: para que sobre apenas a
sabedoria presente nesta famosa canção popular gauchesca,
de que a vida deve ser vivida realmente com alegria, generosidade
e paz no coração :: revoluções
são bem vindas, e aquelas que começam de dentro são as mais
poderosas :: como estudioso da cultura
contemporânea, o que desejo para o mundo é um pai definitivamente
avisado sobre a importância
do estudo, da arte, da
beleza, da poesia, e dos infinitos perigos que acompanham a vida machista e patriarcal a que estamos tão
doentemente acostumados ::
terça-feira, 9 de agosto de 2016
juvenTude
fazem meu espaço ruir, levam meu artístico pensamento :: penso na defesa :: sou um pai responsável e brasileiro ::
a defesa é o estilo de fazer as coisas :: nunca exatamente a violência, mas um rito de perdoar o inimigo,
com base em liberações de
vozes mágicas, boníssimas, santificadas :: a abertura ao padrão brasileiro é estudar
os caminhos, caminhos abertos dos prazeres :: sempre uma satisfação, sempre um cordeiro negro, sempre
uma imensa floresta :: o que eu quero, eu experimento :: renovação :: prazeres mágicos para formular vozes
de juventude ::
== ++++
a defesa é o estilo de fazer as coisas :: nunca exatamente a violência, mas um rito de perdoar o inimigo,
com base em liberações de
vozes mágicas, boníssimas, santificadas :: a abertura ao padrão brasileiro é estudar
os caminhos, caminhos abertos dos prazeres :: sempre uma satisfação, sempre um cordeiro negro, sempre
uma imensa floresta :: o que eu quero, eu experimento :: renovação :: prazeres mágicos para formular vozes
de juventude ::
== ++++
glauco rodrigues forneceu uma reve
lação do mito bRasileiro :: somos a
sensação de uma penúria,
de onde brota uma constante alegria :: desde o início, desde
os primeiros espancamentos, senzalas
ou extermínios indígenas, getúlio Var
gas, Tiradentes, Tancredo
neves :: agora faz-se o impeachment
de dilma :: prossegue o mito :: haverá uma re
sistência? ::
haverá, sim :: e haverá mais inteligência,
e mais alegria, como marca permanentE de nossas forças de resistêNcia ::
tuDo
sou aquele que não se cansa de olhar :: há uma infinidade de coisas a serem observadas, e todas permitem
efusões de brilho, conclusões sobre o generoso ser do universo :: eu sempre me detenho um pouco
mais por sobre aquilo que a maioria despreza ou ignora :: daí minha lentidão,
porque tudo se espia :: e se for com êxtase, ou maravilhamento, aquilo que se espia nos recria ::
é esse o modo com o qual combato a rudeza, a ignorância e a futilidade,
tão presentes em nossos dias ::
efusões de brilho, conclusões sobre o generoso ser do universo :: eu sempre me detenho um pouco
mais por sobre aquilo que a maioria despreza ou ignora :: daí minha lentidão,
porque tudo se espia :: e se for com êxtase, ou maravilhamento, aquilo que se espia nos recria ::
é esse o modo com o qual combato a rudeza, a ignorância e a futilidade,
tão presentes em nossos dias ::
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