sexta-feira, 16 de setembro de 2016

luLa está além da doR




o fenômeno luLa é incompreensível, toda sua liderança e formA de revelar o valor do povo brAsileiro ::
somos simplesmente idiotas para compreendê-lo, se não consideramos algo bem avançado,
como a busca de uma identidade cultural miscigenada brasileira, uma teoria e, o que é mais difícil, uma prática da miscigenação ::
em luLa estão concretizadas misturas de percepção e sabedoria humanas que nos levam além do
simples ocidente, e sua pobreza cultural :: devemos considerar que é pobre tudo aquilo que permanece
simples, ou menos complexo, por se negar a incorporar novas conhecimentos :: como no caso,
dramaticamente difícil e dolorido, da incorporação de conhecimentos africanos e indígenas, aborígenes, em uma palavra, ao simples
conhecimento europeu, do tipo cristão ocidental ::

lulA é uma vingança de nossa verdadeira nacionalidade, ao revelar a habilidade de governar
um país de mais de 200 milhões de habitantes com a simplicidade de um sertanejo :: lulA fez com a política e a democracia brasileiras o mesmo que nossos craques
primordias, como Pelé e garrincha, fizeram com o futebol simplesmente europeu :: agregou
verdades antagônicas, o vai-/não-vai dos dribles, ou dos golpes de capoeira :: ou seja, trouxe
uma sabedoria de união dos contrários antes somente manifestada misteriosamente por Getúlio
Vargas, que chegou até mesmo a ser um ditador, apesar de ter deixado herança magnífica em torno
dos direitos dos trabalhadores, e portanto, da democracia :: o Brasil não é simples, e nosso simples saber lusitano-europeu,
acadêmico, lusófono, não dá conta de construir com habilidade aquilo que potencialmente é o Brasil ::
somos meio idiotas para fazer valer o bRasil autêntico, miscigenado :: daí a eterna sensação
de país eternamente do futuro, ou de país que não sai do lugar :: estamos
cozinhando enquanto civilização :: vamos florescer, enquanto civilização, quando formos reconhecidos
((interna e externamente)) como de fato somos, como um agregado de conhecimentos não puramente ocidentais :: eis a grande
verdade epistemológica, ou seja, que diz respeito a uma ciência do conhecimento, que formula
o nosso porvir :: o Brasil está vindo :: o Brasil chega lentamente, e toda a crueldade da perseguição
anti-petista hoje em dia diz respeito a uma dificuldade de compreensão, a uma crise de inteligibilidade ::
assimilar o PT de lulA custa uma grande esforço de crescimento humano-intelectual à sociedade

bRasileira, um esforço não desprezível, que exige grande quantidade de tempo e paciência :: 

luLa

a maioridade intelectual é uma conquista que se revela na libertação que conseguimos angariar
Com relação às opiniões alheias :: que não pisem em nosso jardim florido, o das ideias próprias ::
Em tempos como os de hoje, onde todos opinam, e isso é a consagração da liberdade e da possibilidade
De expressão, a filosofia que força a encenação do debate público abençoa o medo de sermos
Autônomos :: abençoa e lhe dá segurança :: venham, falem, falem “merda”, mas falem :: eis a grande
Precisão da atual tecnologia de nosso conhecimento :: é preciso de fato sem medo nos lançarmos nessa grande aventura da razão compartilhada,
Onde o que não vale é a técnica, a ideologia, a erudição :: pois o que vale, em conjunto com todos
esses itens, é a perspectiva de aproveitar
O momento para se efetivar a presença e a participação, no estabelecimento completo do rito democrático ::
Falo isso por conta de minha já completa desautorização, a desautorização de meu conhecimento,
Por parte de senhores arrogantes que, para além de sua titulação ou formação, com seus mestrados
E doutorados, possuíam apenas
A dita arrogância, ou a vontade de serem mais poderosos do que o simples cidadão comum,
Ingênuo, que abriga em si a necessidade de desabrochar :: por isso que nunca falei mal de aluno,
Nem Nunca me diverti morbidamente apontando suas falhas, sua inocência, sua imaturidade :: triste hábito de
destruição intelectual que revela o aspecto doentio inerente ao excesso de veneração fálica
próprio da civilidade cristã-ocidental :: a maioridade intelectual começa com a apropriação do tempo-espaço
de produção do conhecimento e por isso creio que a vontade que todos temos de discutir a polêmica
atual, por exemplo, da guerra ideológica na política brasileira é uma oportunidade sem igual de
educação de nosso povo :: sou como luLa, nesse caso, e não vejo a possibilidade da implantação
de uma república de sábios poetas, assim, num estalar de dedos, do mesmo modo como luLa disse
que nunca pensou em buscar a implantação de um socialismo no Brasil, de uma hora para a outra
((por meio de eventuais sucessivos governos do PT))), mas que buscava, antes disso, a simples redução
da miséria e do desemprego :: ou seja, um degrau após o outro, no âmbito de uma escala de tempo
bem alargada :: será esse o fim do mistério em torno da alienação do povo e de sua submissão
ao conhecimento das classes dominantes? :: basta tempo... e, para darmos razão ao tempo,
é preciso ter PACIÊNCIA :: não parece simples? :: parece, mas não o é, na medida em que o
recuo desse tipo de sabedoria ajuda a instaurar valores negativos como a violência e o destempero ::
é preciso ter calor pela massa, sabedoria brotada do coração, sabedoria que goteja como uma
óleo sacro, que ilumina de fato nossa forma de ver, sentir, falar :: nesse caso, mais uma vez,
acho que é exatamente isso que acontece com luLa e sua habilidade retórica, sua habilidade
conciliadora, sua capacidade de fazer vencer a luta da classe trabalhaDora :: luLa não é um profundo
intelectuAl da razão aristotélica, ou mesmo socrática :: seu potencial é ouTro, diz respeito a uma
antiguidade bonificadora e sertaneja ::  ele é um afloramento :: sua inteligência é uma interrupção
da arrogância dos intelectuais brasileiros e, por isso, uma vitória do menino bRasileiro de raiz
organicamente brasileira ((porque miscigenada)) :: é afirmação pura e sincera do jeito secreto
que o Brasil tem de se afirmar :: raiz que permite a clareza e a segurança de idéias, sua expressão
e compartilhamento :: daí o sucesso na política desse grAnde líder, e a explicação para o aparente
paradoxo referente a sua falta de instrução escolar, historicamente contrastada com a doutoralidade
formal, nos termos ocidentais, de Fernando henrique Cardoso :: porque o Brasil, como afirmava
Darcy ribeiro, é bem mais que o ocidente, sendo a roma escura e tardiA, lenTa, demorada ::
O líder brasileiro nato por excelência exerce seu poder a partir de uma outra configuração mítica ::
O aluno do futuro não estuda, mas estuda e pratica :: não apenas lê, mas lê e trabalha :: e conversa,
E colabora :: e nada diz mais respeito ao futuro do que essa inteligência transgressora que lula
Nos ensina, em direção a uma forma importantemente nova para o futuro do planeta terra  :: ele é mais que uma possibilidade iluminista de simples acúmulo enciclopédico de
Conhecimentos :: ela é uma aparição de nossa nacionalidade inteira, bruta e sertaneja, manifestando-se,
Lindamente, com uma vontade eterna de beleza femininA, que ajuda a provocar todo esse estranhamento
Em torno de sua figura e a provocar toda essa sua cruel perseguição ::



quinta-feira, 15 de setembro de 2016

++ luLa é o bRasil ::



particularmente, só conheço referências parecidas com a for
ça política encarnada em luLa se me remeto

ao campo da brasilidade mítica, onde figuram nossas incomensuráveis energias arquetípicas :: somente

ele fala como o povo, e com o po
vo, a partir de um sofrimento coletivo maior, despertando confiança no bRasil ::

somente ele encanta com a suprema simpatia não de um sedutor, 
mas de quem é bondoso sem
sem se deixar ser enganado ::





luLa não é só o maior presidente que o bRasil já teve, maior até que geTúlio
vargas ((porque advindo das mais profunda ansiedad
e sertaneja)) :: ele é a própriA voz e atituDe

de um bRasil que insiste em se pronunciar, uma vazão coletiva antiga, maior, colecionadora de todos
os gestos heroicos em nome da indep
endência nacional :: e, como ele acentuou em seu pronunciamento,

não adianta tentar contê-lo :: o que advém do grand
e intento gerador da brasilidade não para
diante das ameças constantes dos cães que ladram :: muito até pelo contrário :: nesse rico episódio

da farsa que busca destruir a carga patriótica do PT
se encontra nosso próprio reforço, o crescimento
das convicções daqueles que sabem o que é, e o que virá a ser, o bRasil de fato ::

sábado, 10 de setembro de 2016

origiGinal


há de haver uma consulta a saberes ricos em informação armazenada, densa :: o íntimo sutil
e menor da fonte da vida :: riqueza natural propriamente
dita, biológica e inumana :: a revelação em processos mínimos, microscópicos, de formulação
escrita sob a forma de composições elementares :: dança química e fulminante, gloriosa :: quando a alga ou o fungo brigam por habitat e comida, isso é desvelador e higiênico,
se nos informamos a respeito, pois nos deslocamos a um reino tão contínuo e essencial-contíuo-essencial, que nos
esquecemos dos amores em vão, pelos quais sofremos, nos aliviamos da disparada de preços, das disputas entre
carreiras de artistas, em suma, de tudo o que nunca parece ter jeito na vida :: protozoários :: o mudo escuso
e profundo das formas animistas :: a imitação do vegetal, a brincadeira do malabarista :: porque
assim nos tornamos mágicos :: o querer imitado do enxame de abelha muda a nossa cara, nos absurda ::
estou pleno, diria manoel de anjos e bairros, as manoelinas certezas de quem se apartou deserticamente
de tudo  :: e esse será um saber antológico, catalogado no mundo das incertezas de quem viaja
de bem com o sentimento único :: não conheço outro plano que me alimente, e por isso eu vou, e sou caboClo,
arranJador de formiGas, domesticador de besouRos, anjo abençoado com os cabeLos das bonEcas
de milho :: o sol poderoSo arde e me abre, pois assim sou todo linguAgem, um processamenTo
de sinais, só, apenas isso, e vivo a poemas de distânCia do trânsiTo na rua, sem levar freada,
sem receber bola na cara ou bala de boRRacha :: sou ultra vago :: sou ligeiro e ansiolítico lisérgico :: sou vento
na pradraria, sou tudo o que se ama com os pós nas patas de um inseto :: sou uma língua ligeira
de um lagarta que come um inseto, sou uma pradaria :: e vento-vento flechando no universo,

sou uma escala graduada de sons e vinculações entre seres e fantasias :: 






quarta-feira, 7 de setembro de 2016

@ sobre o 7 de seTembro, e a inDependênciA culTural do bRasil, na qUal niNguém maiS confiA cOm a forÇa quE eLa eXige :::

como secar as lágrimas do Brasil?
cada dia, e formamos uma cortina de fumaça
sobre a crueldade contra milhões
de condenados à purificação étnica :
há nosso padrão naZista, reZador
e torNado meta ::
coMo resPonder coM enamoramentO
éTnico à misÉriA de uM neGro-ameríndio
qUe penSa nA forMação daqUilo
que é os Estados Unidos,
e a tOma pAra si enqUanto moDelo,
igNorando o calDo cUltuRal bRasiLeiro,
sUas teOriAs troPicAlistAs,
seu aPelo pOr mãeS boNdoSas,
coMo na proDução oCulta
da paZ possíVel nos gUetos
do país?














há nO moMento uma criSe
de liTeratuRa e boSsa noVa,
umA criSe tãO doLorida coMO
prOmissorA ::: não hÁ um novO
rOck de bRasíliA, nenhUm tiPo
de efervescência na cUltura :
nãO há seqUer umA bOlha :
maS aPenAs meNinoS arTistaS
sEm fOrma neM reAl inteliGênciA;
nuNca
se leU tãO poUco; nUnCa se teVe uMa eLite lEtRaDa
tão iNeficienTe : qUe qUer
litEraRizaR apEnaS,
seM troCar coM soCiedAde
uM mísEro abRaço; prEocuPada
aPenAs coM teOriAs foRmais
qUE sossEgAm prEtensõEs
tOLAs de hUmaniZação e enCanTamenTo :
liXos sAem dAs boCas;
peDraS sÃo paRte dE mortEs
aNônimAs que paGam
pOr noSSa falTa de inDependênciA:
siNto isSo na caRne,
sei qUe nAda leSa tAnto noSso
paíS cOmo esSa saFra de "boys"
dE pOuCa ou neNhuma
maScuLinidAde com sAbedoRia :::
senDo o PAi de mUitos
fIlHos, apóS ter se regojiZado
coM mÃes meNospRezaDas
em sUas prOfuNdAs leNdAs
dE iAraS amazônIcAs,
esSe hOmEm mÁscuLo
brAsiLeiro é hOje
uM pOBre cOnqUistAdor,
qUase sEmprE brEga,
oU sUjo sEm sAber
do tAto necesSáriO
à deLicadEza feMinina,
mãe de toDas as reCeitAs
soBre cOmo trAnsfOrmaR
o torpe naQuiLO que bRotou
em OuRo PReto, na ÉPOca
áuRea de MiNas:::
há deSsa toRpeza nOs
chapÉus, e nAs camiNhoneTes
cAbIne duPla, nA coRRupção
geNeraLizaDa, no fRacasSo
de noSso futEbol, na fRaquEza
dE íDolos do bRega serTão dE goiÁs,
íDolo porqUe cAnta,
pOdrE poRque tuDo peNsa qUe poDe;
sEm sAbeR qUe no ÍntImo
dA naÇão há uMa cUltuRa
de ObsteTríCia, um HoMem-cuRa
e cUidAdoso, tão aPegAdo
à teRRa, qUe poR eLa é escOlhido
paRa umA moRte lEntA,
mAs abEnçoAda poR
pÁssaRos e esTReLas:::
o pOuco tEmpO deDicAdo
à dIoniso, o deSastrE
quE é sEntIr umA riValiDade
poUco sAdia enTre coríntians
e palMeirAs, eNtrE
bAndeiRantEs e pOetAs,
eNtrE eVangÉlicoS e espiritiStas
uMbandisTas, reForÇa
a nOção do bRasil cOmo
labiRinto ::::
qUe seJa a hiPocriSia
doS criAdores
de caPitão NascImento
um tiRo no pÉ :
qUe seJa noSsa oNda
neoPenteCosTal uMa
troCa imPurA,
coMo iMpuRo é o
esPíRito juVenil luSitaNo
coRrompido qUe noS comPõe,
seMpre em proEzas tornAdas
rudEs sAfadEzaS,
em apoDreciMentos dE
deMôniOs qUe
esqUeceRam a fOrçA
da iNocênCia
iMpuRa de seR um aNjo
eNaMoRado
pEla muSa
imPossíVel dE seR aMaDa :::


qUaSe não CaiO, qUAse
não Leio, qUasE
não suPoRto mAis
a aUsênCia de LuiZ
gOnZaGa e cHiCo bUarQue
dE hOlAnDa : qUase peNso
nA leVeza de uM LamPião
rEenCarNadO cOmo
mInhA pRoteÇão
cOntRa o peDantiSmO
daQuEles qUe
iRão loTar o cEnTro
cUltuRal dA fEdeRal
daQui a Uns deZ ou Onze
diAs paRa oUviR MauTneR
sEm posSuir a mÍnImA
dEstrEza paRa cOm
o KaOs pOdEroSo
e IluMiNadO qUe é o soFrer
do pOvo bRasiLeiro :::

nAsCe agoRa, como
heRanÇa de Gil e CAetaNO,
uMa puBliCidaDe
poÉtiCa, qUe é meLhor
qUe nosSa leMbRançA
dE 68, esSa qUe estÁ
a iLuminAr, neSSe moMento,
a cAbeça deSses pObrEs
mOçoS doS mOvimEntos
seM nOvoS miTos,
qUe hOje, 7 de seTembro
de 2013, faRão
desfiLar peLO bRasil
a cuLpa de seRmos
uMa pÁtria sem cUlpa
e iNcomprEEndiDa,
tão pOBre e tão saCrifiCaDa
peLos abObAlHadoS
NoRtE-amEriCanos
muito Mais caRne e múSculoS
do quE belEza e boAs lEtrAs.
não pEnso mAis nO ÓpIo
de uMa cAnção quAlquEr,
seQuer tenCioNo,
cOmo jÁ tEncioNei,
a rEdenÇão da pIngA, dA maNdioCa
e dA pImenTa ::: sOu o qUe
RAUl sEiXas reCusOu :
sOu a PoEsiA do tOrmenTo
de Um pRoFetA qUe
peRdeu a lìnGuA :
sOu a ÚniCa coiSa
em qUe cOnfiO,
depOis de minHa
esPOSa :
sou a exPloSão
de uMa cadÊncia
ÚniCa e fAdaDa
ao deSteRRo; toTemizo
o bOi arTístiCo,
sOu tAlveZ o ÚniCo
polêmICo
coM coRagEm
dE diZer qUE
o mAl coMeça em mIm
mEsmo : mAs,
cOmo vêeM,
eu, eNquAnto
um biScateiRo
coM doUtoRado,
cOmo prOfeSsor
deMitiDo e enViado
aO míTico sErtão
do mEsmo exíLio
qUe sAcriFicou CoRa CoRalina,
soU o nEgro mAis
bRanCO qUe esSe
pAís jÁ viu soFrEr
(mAis até qUe ViNícius)
pOis que não há
nEm eNteRRo neM floRes
nEsTa minhA mortE poR
aMOrEs soteRRadoS
peLa pRópriA
dEuSa (semPre jusTa),
mAs aPenAs o sUor
e o cIMento de uMa
ciDade em cOnstruÇão,
ao mEsmo tEmpo
eTerNa e iNfiNita:
na duPla diMensão
de um aBisMo
cRuEl e bEnfaZejo :































teNho os oLhos coRtadOs,
tenhO o tôNus
do peÃo aVaNçaDo
e teCnolóGico,
rEstriTo aos
lImitEs do FacebOOk,
cOm boAs
prOmesSas de UmA
coMida faRta,
boNita e a bom prEço,
umA teNsão exPlíciTA
eNtrE meUs
liVros poR esCreVer,
paRa os qUais não
soBra tEmPo,
e uMa poRção dE fiLhos
poR criAr,
aNsioSos pEla mão
uRbAna de uM xaMã
reSsUrgiDo e
prEocuPadO
coM umA infânCia
dE tiRos, paRda
e eNtrEgue à
cocaíNa e sEus
deRiVados :::
soU o ÚltiMo
sUspiRo pOr
uMa iNveJa
bRanCa, saNcioNaDa
peLa maLandRagem
dO arQuéTipo caPoeiRisTa :
sOu a pAlhA e o miLho,
sOu o frUto do anJO perNeTa
qUe doMestiCou carLos,
a pAz e a bElEza,
o bonde ensanGuenTado,
a dAnça dOs meNinos do trÁfico,
a pOça de sêMen desPerdiÇado,
o poÇo liVre de inCerTezaS,
graÇas à HEra e às bonInAs
reGadAs peLo lEiTE dA
loBa leNta, lÍriCa e
vaiDoSa ao exTREmo :::
às vEzes pEnsO que sOu
eU o pRóprio pOvo,
qUe se esQueCeu dE
se conCEder a si MesMO :
toCaDo nA liTurGia
de Um saCrifÍcio sem PAr,
tEnho a paCiênciA
do pAi, e rEzo tODos
os diAs
peLo tÉdio quE
não fInDa, coMO
subterfÚgio
de uMa esPeRança
qUe aPrEndeu
o trUque do
auTo-eNGano,
cOmo iLusão,
veRdAde
e homÉrico
pOder
dA aLegriA
qUe se reInvenTa,
mesMO saBenDo
quE aInDa
seReMOs
poR lOngo
tEmPo a gEraÇão
pErdiDa
qUe a ReDe gloBo
seCretAmenTe fOrjou,
seM a caRa-duRa
de adMitiR qUe
eStAvA eXtRaviAndo
suA prÓpriA cAsa,
faZendo meRdA
e eMporCaLhanDo
o liVro boNito de uM
paRaíso reAl e poSSívEl,
quE assim o
seRia se tivÉsseMos,
eNquAnto pÁtriA,
uM poqUinho
só mAis de dInheirO,
e umA noÇão
maIs preCisa soBre
cOmo sAber distribuí-lO.

((publicado no facebook em 7 set. 2013 :::



sexta-feira, 2 de setembro de 2016

homeM

olha que coisa
mais límpida
e mais cheia
de partes ::
amo,
pois,
além
d cantar,
escrever,
pintar
e cozinhar,
é minha
noiva ::
não tenho
muito
dinheiro ::
mas,
com a glória
do senhor deus,
nossa pai,
e a bênção
da cabocla parideira
mítica,
nossa mãe,
tenho arte,
cultura,
inteligência
e bondade
o suficiente
no coração para
nos sustentarmos
com leveza,
no ar ::
estou
sempre
deslumbrado ::
não
me canso
de estudar
e compreender
teus
braços,
tudo o
que eles
com brilho
fazem,
tuas
múltiplas
forças,
teus filhos ::
a super
mulher
que
me exige
o conselho
de forças
anteriores
a tudo
o que
sou
e faço ::
e hoje,
enquanto
o bRasil
chora
por
mais um
golpe
em sua
delicadeza
e democracia,
estar
a teu
lado
é estar
blindado,
é ser
o que
finalmente
sou,
um
sósia
do homem
espiritualizado,
amante ::
amplo
e impressionado,
sou tudo
o que
a floresta
tem
e que
ninguém
entende ::
socialista,
real,
agrário ::
sou
um copo,
ou um jarro,
de
sensações
eternas
da vegetação
fugaz,
que a alguns
poucos
é permitido
beber ::
uma vertigem,
uma
brincadeira ::
do xamã,
uma beberagem ::
sou
um
corpo,
que
vem
me
restituir
a glóRia ::
sempre
homem,
um super
homem ::
de iansã,
uma
docilidade,
um casamento ::
contigo,
quero casar-me,
por causa
de teu
magnífico
semblante
de mãe,
moça,
menina,
namorada
em sua
juventude,
gata,
bonita,
jeitosa,
faceira ::
mulher
que apita,
perfil
intenso e
perturbador,
como
nos dia de hoje
convém,
a inspirar
futuras
gerações
muito
menos
degradáveis
pela
gravidade
de tudo ::

o nossO estádio olímpico

as netas das ex-escravas continuam sofrendo e cantando :: a definição brasileira de olimpíada,
no fundo, é essa :: possuímos um olimpo forte, agrário, pois gerador de fundamental energia ::
o destituído, e sempre destituído, Brasil caboclo :: nesses baques, os que possuem vinculação
religiosa com tal panteão mítico maravilhoso, vinculação artística, vinculação social por destinação
de parentesco, entregam-se aos trabalhos bastante penosos, em busca de superação, em corrida pela
destinação ao ser encantado :: é a maratona
balouçante da rede ou do balaio, do berimbau e da discriminação :: são os Zé dos povos, os pretos
velhos, e as pretas, carinhosas, mas sem posição ou lugar no pódio do tempo da vida normal :: somos guerreiras
e guerreiros e o Brasil é nosso celeiro :: estamos em uns filmes de Glauber rocha, ou por vários
terreiros :: são medalhas nossos floreios, e os braços fortEs treinAdos na colheiTa, para aprimoRar
a inteligênciA e o desempenhO da nação ::: se tudo por aqui é viDa não resolVida, e pairam ameaças
por sobre a florEsta, ou por soBre a periferia, em são Paulo, estudAmos formas bondoSas, branDas,
de espantar malefícios :: e somos discriminados, sempre discriminAdos, desde as senzalas,

as ocas indígenas ou a casa do jovem luso poeta ::





1$1$1$1$1$1$1$1$1$1$1$1$1$
__________________________

2@2@2@2@2@2@2@2@2@


nota ((03 set 16 :: destituído, sempre destituído, bRasil caboClo, para quE a ambição desmedidA, caminho

falSo e podeRoso, não ataquE o abrigo do maravilhamenTo :: receber discriminação induz a bênçÃo do ingrEsso

na rede múltipla de signiFicados do seio glorioso da dEusa :: a dureza do existir ´revela sutileZas nítiDas

na face da existência, se nos acauteLamos para seguir a fartuRa que há no existir, tela que se amplia quando,

perseguidos pelo medo, damos a mão ao retrato nítido da fadA-musa que penSa, sem falsas consciÊncias produzidas por nosso
desejo :: sem fraquezas nem falsos problemas acarretados pela veneração do falo