sábado, 14 de outubro de 2017

Há uma coisa real,
Árvore, namoro
Real da dimensão
Mítica
Com a rua ::
Paz Para os esPíritos,
Originalidade orgânica,
Poucas coisas são tão brancas ::
Acordo tácito entre
As mãos umbandistas,
Eu acredito :: há
Levas de olhares que
Confortam e renovam,
Brigas que respondem
A ancestralidades
Mui antigas :: como
As madeiras que levam
Milênios a crescer,
Se constituem as mós
Que organizam coletivamente
A costura brasileira, a bem dizer,
Beatífica :: “nas sacadas dos
Sobrados”, há conselhos
De donzelas :: na flor de
Uma caneleira, há pólens
Que xamaniza ídolos ::




o feminismo é a atividade intelectual e política mais importante hoje em dia para o Brasil ::
o feminismo desenvolvido com afinco, ao pé do ouvindo dos homens, para deixar tudo bem desassossegado,
tudo bem incomodado :: pois, acreditem, não existe estrutura mais perversa nesse país do que
o imenso poder atribuído ao patriarcado :: (texto incluído em 02 dez. 21, junto com a foto ::






domingo, 3 de setembro de 2017

alForriado



O pós-graduado sente a miscigenação aborígene ::
Ele suou na periferia
Do sistema para especificar
Sensações de coisas puras ::
Seu processo é louco e longo,
Bem feito de corpo ::
Minhas benfeitorias me enfeitam
E não estou longe de um carinho afetuoso
Daqueles que se classificam como
Vencedores, apuradores do intenso
Saber resultante de nosso mescla ::
A profecia nos une, somente o divertimento
Dourado de dom Sebastião é
Tão antigo a ponto de fecundar
O permanente som de nosso sucesso ::
O pós-graduado apareceu em janeiro, quando,
Rumando ao silêncio permanente
Sobre seu desterro, pontuou um trinado
Onírico de sábio sofrimento ::
Dele um saber vem coroado ::
Coroas de violência celestial ::
Apupos da ordem que pensa,
Da ordem fonte reveladora ::
Ó pensamento, esse é meu
Augustíssimo trinado ::
Eu sou o pau pensamento da dor
Que nos desola, que reflete,
E aprimora, o Brasil:
Quede coroa de são Caetano
Ou espada de são Jorge em
Venerações que lhe são próprias?
Quede esticar panos em glória,
Mor purificação orixá? ::
Molha teu saber em ternura
E sofrimento ::
O sábado augusto nunca
Estará completo, pode ser
Reinventado ::
É  mágico defender                                       
O secreto sentimento
Brasileiro,
Cultivando-o com jeitinho,
Fazendo força na modelação,
Na afeição ao solene
Status de alforriado sorrateiro,
De professor a partir do invento,
Encantado, estonteante peito
Alforriado de

Perto das estrelas ::



quinta-feira, 31 de agosto de 2017

miTo

nada recupera mais o bRasil, em sua essência, do que o futebol :: <<

>>imagem :: naïf de fÉ córdula ::

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

tudo

sempre pretendi falar a língua dos pássaros e, agora que a atinjo, é natural que quase ninguém
me entenda, pois, entre vós, são poucos os que realmente alçam voos com uma certa clarividência
 :: bato palmas e os mil pássaros escondidos afloram, e falo todas as línguas, murmuro o mugido de mil
máscaras e de mil monstros :: pego dois, um de cada lado, e vou, tecendo relações :: dois amores,
duas máscaras, dois sorrisos :: e tenho, por conta dessa costura, dessa suave dança, a sensualidade calorosa de um verso ::
a variedade das formas explicitada por um recital, dois desenhos, uma pajelança, múltiplas melodias, várias excitações
 de rua :: clamores da terra se agitam, e aquela audição chamuscada de quem se benzeu na fogueira
das bruxas se apruma, em relação a tudo que comunica e faz sentido :: tenho os mil fogos, que olham,
do pavão, e a natureza do gato :: estou bem postado e antigo, por força daquela risada tenebrosa
e envaidecida das loucas bruxas :: por isso, é natural que não me sigam, pois sou muito ligeiro,
e alto ::  antes, chego a achar normal que me persigam, ou coloquem-se com indiferença, na observação
do que sou e faço :: nunca sou igual a ninguém :: nunca sou arremedo, nem de mim mesmo :: apenas
sou tranquilo, e faço :: uma estranha chama que não se paga, pois não teM pavio, com diz milton nascimento ::
sou como um som distante, profundo e vago :: buu, eu falo ao fantasma da rejeição, e ele corre assustado,
pois é como cada um de nós, inocente como um bebê, vocacionado ao desespero do beijo, ou do contato,
com a ferocidade do conviver humano :: sou como uma monção, ou um calor humano, pleno de
explosões ou afagos :: bem bom, eu penso, é o calor das manadas, pois que somos como os mais fervorosos dos mamíferos, sempre acolhendo-se mutuamente,
apesar de todo o desespero dos chifres, espinhas e cascos, e seu despreparo :: nos comunicamos com a frieza dos répteis,
e eu me desloco :: eu coloco a cabeça para cima e afora da manada, e não digo nada dos caretas, somente esquento a aspersão de um leite bom, para
todos os lados :: eu sou quanTas coisas deUs quiser, e por isso, não me calo :: eu estou agachado
para imaginar futuros, e por isso, e os invento, no tic-tac, no ritmo pulsante de uma internet implícita que
sempre houve, concentrando todo o interesse coletivo :: eu conheço tanta gente que não escreve
nada, e se diz consciente de tudo >> eu conto com todo o sacrifício que um único ser humano é
capaz de contar, e faço todas as artes da capoeira, sou um capoeirista, ritmado, do pensamento, escritor

no alto, que revela a força anímica :: 

domingo, 6 de agosto de 2017

soMos




celebremos
por sermos tudo o
somos, que é o que
sonha de nós
uma perenidade
xamânica,
uma nuvem friA,
uma galáXia,
uma longínqua
mãe loba  :    



a gente não tem cara de panaca





"a gente não está com a bunda exposta na janela pra passar a mão nela”


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quando gonzaguinhA compôs esse verso, na canção “É”, antes da década de noventa, talvez ainda fosse possível

acreditar que havia, em torno de nossa integridade pessoal, um certa proteção,

garantida por nossa autoestima nacional :: mas agora, em pleno dois mil e dezessete, meu temor é de que, sim,

estejamos altamente expostos :: porque, para o lindo povo brasileiro, não se trata mais

de uma questão de sentir-se lesado pelo custo de vida, questões financeiras que ordenavam

a labuta diária, mas ordeira, sempre aliviada pela alegria de nossa identidade

cultural, lá, nos idos das décadas de setenta e oitenta  :: o fato é que a ordem econômica pesou a mão tanto, na passagem do

período da guerra fria ao atual momento do capitalismo mundial, que nossa própria cultura

desandou :: nesse lamentável fim de mundo, para o início de um outro, ainda pouco

visível, o perdão do bRasil aos poucos países ricos que nos escravizam deve ser ainda
mais oriundo de nossa força cultural miscigenada, onde podemos tudo :: o bRasil

não é a maior nação tropical do planeta, apenas :: o bRasil é um válido pensamento

utópico comunicacional a desagregar o aspecto violento a nós imposto pelos ciclos

da economia e do mercado ::   e desejamos retornar ao pleno de nossa convicção,

fornecendo à humanidade o espírito livre da brincadeira aborígene, misturado

aos séculos de desenvolvimento desse “império colonial”, como se diz em uma das

canções de Chico Buarque :: o choque proporcionado pela visão da favela destroçada,

em nome da guerra do tráfico, acumula em nós o “lamento sertanejo”, que, ao final,

só nos envaidece, pela beleza e a riqueza do rito civilizacional em que nos encontramos



envolvidos ::

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

@@ a internet é uma "bobagem" do espírito ++
ao fornecer a internet, a sociedade industrial nos oferece a contraparte da alienação, o soro para a dose
de veneno que precisamos engolir todos os dias, e que nos afasta de nossas realizações mais plenas ::
no entanto, esforçar-se nessa crença, para torná-la a cada dia mais real, e a vida a cada dia mais alegre,
e encantada, é tão difícil quanto ser devoto de algum santo, como no caso dos santos católicos,
ou discípulo da Virgem Maria, Nossa Senhora Santíssima e Sagrada :: há que se ter resignação e bondade no olhar ::
e, ao final, compreender que todos os votos são para o bem comum, e nunca para si próprio :: há que se
acender uma vela todos os dias e consagrar um terço :: em suma, é questão de fé :: de certo modo, nossa sociedade já fez isso,
pois que deu prioridade ao belíssimo desenvolvimento dessa tecnologia, estimulando seu uso,
apostando nela as fichas de nossa emancipação humana :: assim o é na cristandade ocidental, por força
de Nosso Senhor Jesus Cristo :: creio que se pode dizer desta forma :: ou seja, a internet é um novo mito cristão, que, com a graça do mito,
recebe todo tipo de ataque ou descrença, tornando-se ainda mais glorioso :: que tudo o que eu diga sobre isso, portanto,
soe como balela, como sofrimento católico desamparado, como bobagem religiosa, até nada mais precisar ser provado,
e tudo se tornar uma única verdade :: amém!@