domingo, 24 de junho de 2018

neymar e o machismo na favela




neymar encarna talvez uma cultura extremamente machista, de negação completa do feminino ::
isso provavelmente por ser de uma geração ferozmente criada pelo desmando de uma cultura que 

torna a mulher
objeto, através de suas diversões musicais sexistas, como no caso do funk :: o bRasil que neymar tenta

evocar em seus dribles impressionáveis acabou-se ali pela década de 70 ou 80, quando o samba
foi de fato expulso da favela :: o “feitiço indecente” que noel rosa soube captar e transformar em 

poesia,
resultado da miscigenação brasileira, também produziu pelé e garrincha, mas foi se esgotando na medida

em que a base cultural dessa miscigenação foi se exaurindo, para dar lugar à favela massacrada pelo
tráfico, onde, musicalmente falando, a trilha sonora é outra :: como no caso dos funks pornográficos,

que, nessa mesma copa da rússia, estiveram na boca de um grupo de torcedores brasileiros que assediou

uma jornalista :: o bRasil profundo não merece esse desrespeito :: o fato de uma tradição musical
ter perdido sua força requer sua recriação, ainda mais se essa tradição for a força motriz de nossa 

identidade
cultural  :: no entanto, não há, como no caso do funk em relação ao samba, uma substituição à altura 

:: a questão é relativamente
simples :: enquanto o samba, mesmo valendo-se da beleza da nudez feminina, ativa um processo

de contenção e controle do desejo, o bRasil das favelas de agora perdeu-se em formas negativas
de relação com o feminino, onde o desejo torna-se posse e desrespeito :: o cultivo dessas forças

culturais evidentemente influencia as relações no cotidiano :: neymar pode ser um bom jogador, mas suas canelas não possuem o mesmo

feitiço das de pelé ou garrincha, porque o bRasil não possui mais esse feitiço desde sua mais ampla
base social :: os novos meninos da favela receberam outra forma de ser, musicalmente disseminada e, 
por isso, fortemente
disseminada, onde o desrespeito ao feminino constitui a base de uma grande indisciplina social ::

neymar não é apenas um projeto brasileiro de craque, sem ser efetivamente um craque :: pesam sobre
acusações contínuas de arrogância, desmando e infantilidade :: é o reflexo puro de uma situação

que reclama uma revisão urgente de nossas prioridades políticas e culturais :: infelizmente, esse desprezo

pela cultura brasileira passa oculto, ou mais oculto que problemas de ordem econômica ou política ::
porém, quando nos damos conta, já se estabeleceu um grande estrago :: o desprezo crescente que a

própria população vem desenvolvendo por neymar revela o quanto estamos dispersos, perdidos e
confusos em relação à brasilidade :: não mais nos reconhecemos em nós mesmos, pois estamos

profundamente transtornados naquilo que somos enquanto coletividade ::

domingo, 17 de junho de 2018

luLa e a coPa





a força da ritualidade envolvida na copa do mundo é propor a paz mundial :: o próprio século 20 estabeleceu

essa motivação, por ser um período histórico, ele mesmo, recheado de conflitos em nível global ::
a relação do ser humano com seu habitat, a terra, eleva nossas paixões, paixões de vida, paixões

de morte :: muitas vezes tendemos a encarar um evento como a copa do ponto de vista que simplifica
tudo classificando-o como de importância subalterna – já que a prioridade nossa deveriam ser as 

produções
necessariamente ligadas às coisas úteis :: hoje tivemos a estreia do braSil em meio a uma crise política

das mais sérias, o que tende a fortalecer esse ponto de vista :: aqui devemos lembrar, antes de qualquer

coisa, que o bRasil atingiu reconhecimento mundial por ser, não campeão na dimensão das necessidades práticas, como os estados

uniDos, mas líder absoluto na dimensão da fantasia, do ócio, da brincadeira :: a conclusão é óbvia: campeão na paz, e não na guerra ::

trataria-se de uma vocação, ou seja, uma espécie de tendência inata, que carregamos em nossa essência? ::

creio que sim :: não por acaso, os estados uniDos são a força que conduz a maior parte dos conflitos armados hoje

no planeta :: ao bRasil, enquanto força complementar do novo mundo (as américas), cabe a revelação
de uma tirania da festa :: se não caímos na folia, a realidade se torna insuportável, dada a condição

de nação eternamente escrava, mais uma vez confirmada pela deposição de lulA e seus planos de soberania

nacional :: ou seja, a crise política que ora enfrentamos não nos deve acentuar a descrença no país ::
muito pelo contrário: é justamente porque o bRasil completou mais um ciclo de retorno à escravidão

que devemos nos fortalecer na ginga, na malícia, na mandinga do futebol :: vai bRAsil!!!!, tornou-se
importante gritar, mais do que nunca, junto com luLa, que, com toda certeza, torce como ninguém

de dentro de sua ceLa :: nada é mais representativo do que o bRasil, aliás, nesse momento, do que lula,

em sua mais do que reconhecida paixão pelo futebol :: nada é mais integralmente nacional do que lula,

em sua capacidade metaforicamente futebolística de jogar, de formar o mito do bRasil também como
um player da política e da economia mundiais :: lula, o grande presidente, que fortaleceu mercado 

interno, buscou a proteção
necessária ao pré-sal, que entendeu com inteligência brasileira os interesses de cada país no âmbito 
da geopolítica internacional,

sempre propondo a paz, o fim da exploração, a negociação hábil para a solução dos conflitos :: ao final de seu

goveno, lula se apresentava como um promotor global da paz  :: não só um promotor, mas alguém
capaz de formular as soluções necessárias para que o caminho até ela se estabelecesse :: um meio 

caminho
entre socialismo e capitalismo, algo novo, à moda ocidental, e não oriental, como fazem china e 

rússia ::  durante muitos
anos nos perguntaremos como um sertanejo de instrução média conseguiu atingir um ponto tão alto ::

e não devemos nos surpreender se encontrarmos como resposta a própria vocação do bRasil para a amabilidade :::

a própria vocação do mito bRasileiro, que encantou o mundo com o futebol, e que o fazia novamente
por meio de luís Inácio lula da silva :: não há revelação maior do que essa, para nós mesmos, que se 
fortalece

em meio às dificuldades interpostas pela desgraçada escravidão :: a volta do bRasil à posição de submisso

vai gerar um novo estímulo à proposição da vitória da paz, graças à sabedoria acumulada pela obrigação

de relacionar diferenças, habilidade sempre atualizada pelo nosso mito de cordialidade racial :: :: se engana quem

pensa que voltamos à barbárie, ou que cristiano ronaldo nos roubará a honra de sermos os melhores com a bola :: é esperar para ver ::  

sexta-feira, 25 de maio de 2018

a reaLidade moral brasilEira




ou muito me engano, ou a greve dos caminhoneiros começa a engendrar uma nova histeria coletiva
em prol do fim da democracia ::

 já vejo toda essa gente formando opiniões terríveis a respeito dos rumos do país :: é uma turba ingrata, assombrada

por seu próprio medo, reclamando de tudo e, evidentemente, sem espírito crítico :: faz força, tem algum tempo, 

para tirar do governo a classe política, sem saber
exatamente o que colocar no lugar :: apenas quer, mas não pensa :: ou, substancialmente, pensa
com seus hormônios mal calculados, muito mal subjugados :: uma vez atingido seu intento 

conservador,
logo volta à condição de massa de manobra ::
como diz marilena chauí,
o tipo social correspondente aos defensores do autoritarismo não possui sólidos ou claros referenciais

econômicos e sociais, pois alimenta-se da ideologia da classe dominante, alimentando assim sua distância

em relação a um ser efetivamente orgânico :: por outras palavras, essa pequena burguesia da sociedade brasileira

jamais conseguirá ser o que almeja ser (igual à classe dominante), condenando a si mesma a um brutal

vazio existencial ::  pensada pelo lado poético da existência, talvez cumpra um desígnio histórico de dizer algo,

sem saber articulá-lo, sendo, nesse sentido, promotora de um certo caráter profético acerca de sua própria existência :: o povo sabe o que quer ::

nesse caso, o fim da corrupção, o atenuamento de nossas dificuldades coletivas :: no limite, quer, sim,
a própria reinvenção do país :: no entanto, pensa racionalizando por baixo :: combate as políticas

progressistas da esquerda, pois é atravessada por uma insegurança avassaladora, ocasionada por um pertencimento

cultural que não lhe deixa como artificio muita sutileza no campo da linguagem :: o mais provável,
acredito, 

é que essa turba acabe definindo os rumos políticos atuais do bRasil :: vejo desde quando eu
era menino esse tipo

de mentalidade encurtadora dos caminhos, violenta, “burra”, como muitos gostam de dizer :: e
suspeito

de sua difícil solução :: quase não há como nos curarmos, de uma hora para outra, dessa nossa
brutalidade

coletiva :: trata-se de uma triste fatalidade brasileira e, inclusive, global :: felizmente, essa mesma
força 

é que prepara um amanhã até mesmo heroico do ponto de vista das utopias libertárias ::   

segunda-feira, 7 de maio de 2018

imagem dA vida

não poupo em arabescos, imagens gravadas, sonhos, esculturas que me ergam acima da linha comum do horizonte ::

não sou uma água parada, não engulo a programação chata, da televisão, da cultura, do aspecto uniformizado

e colegial da vida ::

domingo, 5 de novembro de 2017

jupiter maçã

As coisas que não andam bem precisam do fenômeno da estranheza que nos causa o louco :: há muitas coisas no brasil que

Não vão bem; aliás, no mundo :: lembro-me do amor que, já na infância, sentia pelos poucos que, na sociedade, arriscavam-se

Para além do comum, da normalidade :: isso que, nascido na década de setenta, fui testemunha de toda uma geração que muito ousava,

Nos campos da linguagem, ou do comportamento :: relativamente com algum atraso, admito, me deparo com a figura emblemática,

Porque não mítica, de júpiter maçã, o rei da brincadeira porto-alegrense que desenvolveu carreira brilhante como músico de rock ::

A lenda sobre júpiter, nascido Flávio basso, falecido tem quase dois anos, escorre e produz uma reviravolta no tempo :: que falta

Nos faze mais figuras como ele, seu objetivo difícil e real de desprogramar o pensamento geral e corriqueiro :: o que convence

em júpiter não foi sua qualidade performática como músico ou rock star, sua capacidade de criar sucessos ou de animar uma

platéia :: o que me faz adotá-lo como uma referÊncia benéfica para o momento crucial em que vivemos, de retorno do fascismo,

é o seu traquejo para desgovernar o sentido :: mesmo entre seus colegas irreverentes de rebeldia roqueira, júpiter era promessa

de visões novas, criatividade vazando, escorrendo do infinito lamento da condição humana em direção ao horizonte das cidades ::

os que vergam tais promessas retiram-nos vendas dos olhos, mesmo que esporadicamente, mesmo que por breves instantes ::

os loucos abnegados ressuscitam sempre, como ideologia de nossos sentimentos mais receosos e profundos, como um magma

inconsciente que incendeia e cura :: daí seu caráter maldito, seu feitio oracular, seu restrito comércio :: no campo da juventude,
   
no entanto, eles se beneficiam de toda uma receptividade para seu intrínseco efeito de destruição da autoridade :: frente

aos cordões conservadores de nossos pais e mandatários, professores, pessoas indigentes em cortesia e fundação dionisíaca,

os loucos colorem tudo :: são aspersões doces de doçuras, contêm doses extraordinárias de ambição divina, a feição angelical

dos que buscam a inocência original de todos os alucinados, santos ou gênios :: dos que entendem o mundo como possibilidade

verdadeira de amor, apesar do infinito devastador de nossa imperfeição humana ::




sábado, 14 de outubro de 2017

Há uma coisa real,
Árvore, namoro
Real da dimensão
Mítica
Com a rua ::
Paz Para os esPíritos,
Originalidade orgânica,
Poucas coisas são tão brancas ::
Acordo tácito entre
As mãos umbandistas,
Eu acredito :: há
Levas de olhares que
Confortam e renovam,
Brigas que respondem
A ancestralidades
Mui antigas :: como
As madeiras que levam
Milênios a crescer,
Se constituem as mós
Que organizam coletivamente
A costura brasileira, a bem dizer,
Beatífica :: “nas sacadas dos
Sobrados”, há conselhos
De donzelas :: na flor de
Uma caneleira, há pólens
Que xamaniza ídolos ::




o feminismo é a atividade intelectual e política mais importante hoje em dia para o Brasil ::
o feminismo desenvolvido com afinco, ao pé do ouvindo dos homens, para deixar tudo bem desassossegado,
tudo bem incomodado :: pois, acreditem, não existe estrutura mais perversa nesse país do que
o imenso poder atribuído ao patriarcado :: (texto incluído em 02 dez. 21, junto com a foto ::






domingo, 3 de setembro de 2017

alForriado



O pós-graduado sente a miscigenação aborígene ::
Ele suou na periferia
Do sistema para especificar
Sensações de coisas puras ::
Seu processo é louco e longo,
Bem feito de corpo ::
Minhas benfeitorias me enfeitam
E não estou longe de um carinho afetuoso
Daqueles que se classificam como
Vencedores, apuradores do intenso
Saber resultante de nosso mescla ::
A profecia nos une, somente o divertimento
Dourado de dom Sebastião é
Tão antigo a ponto de fecundar
O permanente som de nosso sucesso ::
O pós-graduado apareceu em janeiro, quando,
Rumando ao silêncio permanente
Sobre seu desterro, pontuou um trinado
Onírico de sábio sofrimento ::
Dele um saber vem coroado ::
Coroas de violência celestial ::
Apupos da ordem que pensa,
Da ordem fonte reveladora ::
Ó pensamento, esse é meu
Augustíssimo trinado ::
Eu sou o pau pensamento da dor
Que nos desola, que reflete,
E aprimora, o Brasil:
Quede coroa de são Caetano
Ou espada de são Jorge em
Venerações que lhe são próprias?
Quede esticar panos em glória,
Mor purificação orixá? ::
Molha teu saber em ternura
E sofrimento ::
O sábado augusto nunca
Estará completo, pode ser
Reinventado ::
É  mágico defender                                       
O secreto sentimento
Brasileiro,
Cultivando-o com jeitinho,
Fazendo força na modelação,
Na afeição ao solene
Status de alforriado sorrateiro,
De professor a partir do invento,
Encantado, estonteante peito
Alforriado de

Perto das estrelas ::