terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Era intenso o mundo de amar aquelas forças femininas, um semblante de mulher nua, como se uma multidão de mulheres lhe acompanhasse. Haveria diferença entre o céu angelical das musas e a cidade?



planTa :: aiPo





o projeto literário de erico veríssimo

domingo, 17 de fevereiro de 2019



São pegadas isso que deixo, as boas recordações das horas (o texto a que leva o link diz de pegadas). Pegadas, marcas de mão, aqui estive. Naquelas teorias incríveis, esquisitas (Foucault era esquisito), da linguagem, por elas se pode dizer que houve aqui um investimento de sentido. E a teoria abre-se. Não a teoria, o investimento. Melhor: o vestido de moça da linguagem, para mostrar fantasmas, brumas, eu caminhando pelos corredores-teorias da faculdade de jornalismo, espíritos vorazes me espreitam. Esse tem a carne foda, dizem eles, este é bom para porrada, este é o grande perscrutador das vozes inverossímeis e máximas, maravilhosas, as vozes-abrigo, uma taxa incrível de não truculência, esperando o táxi dos orixás, fazendo caminha na tarde horrorosa com folhas de louro, tentando abrigo nos jacarandás.

A vela pra Santo Antônio, todos os padroeiros máximos dessas caminhas, Machado de Assis, Quintana, o poeta. Velas por meus parentes próximos. Sou santo e padroeiro.De t-o-d-o-s. És foda, Marcus. De todos. Como vais, meu filho (esse meu filho aí)? Como vai sua amizade com automóveis, meu filho? Como vão seus automóveis. E você, meu afilhado, como vai seu fliperama, seu senso protetivo em relação aos jogos? Todas as destinações da cidade, como naquela orientação indígena, de uma grande matriz para as sentenças de vida na cidade pequena ou urbana, quando da vibração mor infinita brotam fios que são almas, e todos esses fios esticam-se como fios de ovos, ou o ponto em fio do açúcar queimado. Todos são almas viventes da grande bacia das almas, paraíso, picumã, brumadinho, cidadezinhas com seus compadres e comadrinhas, delícias ao sol de serem vidas com seus destinos de produzirem postagens tolas ou de pagarem simples boletos bancários. E eu sou o sol. Eu sou o grande Sol, um novo Caio.

Nas nuvens território dessas cidades, eu sou, nelas formosas pegadas penso, o território abrigo de um éter físico-químico, nuvens de bytes e bits.










música ao longe


avE ::

coruja-das-torres (tyto albA)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

+++++++





ocorrem, aqui, ali, em determinados buraquinhos generazalidos, nos requisitando, as necessidades de proteção ao lar, ao ambiente estético de cada um, ao bioma mítico

de um totalmente mágico menina ou menino :: a bem dizer, são zilhões de verdades cultiváveis, com base em

potenciais asperezas, aspiradas pelo mito em direção ao maior amor humano :: nessas peripécias, são massas aporéticas biossolúveis,

a serem possuídas pelo amor natural da tremenDa noite  ::


A problemática identitária na Estética do frio,
de Vitor Ramil*
Luciana Wrege Rassier**


arteMísia :: planTA








domingo, 3 de fevereiro de 2019

melhores contos de caio f.


local :: andradas


o poeta é casado com a dor :: são eternas núpcias, que lhe põem em contato com as beiradas do fim deste mundo,
lá onde começa o infinito, o imponderável, a origem de tudo ::




++++
nelson rOdrigues :: o complexo de viRa-latas

domingo, 20 de janeiro de 2019

artE :: jards macalÉ



ÁGOra :: tamboreirAs de pelotas


não adianta :: a revolução vem pela arte :: estou com quase 50 anos e essa constatação se torna a cada dia mais

e densa e misteriosa :: eu poderia me tornar um nazifascista da arte, impondo às pessoas "mortas", em seus

cotidianos monótonos, a minha constatação de toda uma vida :: mas não é assim que se mexe com as estruturas ::

toda a minha a vida, e a maior parte das pessoas que conheço, de toda uma vida, são mortas para a arte ::

não fazem nada, são monótonas :: vão para o trabalho "sem saber se é ou é ruim", como diria raul :: as monotonias

viram xingamentos, que viram neuroses, que transformam-se em câncer :: e eu, pedante até demais, por me dizer

até demais, que sou artista, e escrever na minha camisa, que sou artista, vou caracterizando uma consciência

altiva, toda pré-escrita pela inconsciente :: por que as pessoas não se abalam daqui para melhor? :: por que

essa "sonseira", essa negligência bovina? :: abre-se o meu desespero :: vou me adaptar artisticamente às tardes

mornas, enquanto pinto meu meio ambiente, para me aliviar de um desespero dos sentidos :: bem acho, ou

melhor, tenho certeza, que a loucura da arte é uma visão privilegiada, para quem tem a coragem de compreender

os meandros da doce e torturante aventura humana :: a arte requer perder o medo pela conquista de novos

sentidos :: estou para daqui até a puta que os pariu :: estou parindo fúrias :: estou todo pintado e pondo

novas coisas, por tudo, parado, quieto, sem que me entenda, apropriando-me das poesias do mundo :: e é como

se eu pisasse em uma nova lua, cheio do mistério, apavorado com o mito do boi em território neonazista,

querendo entender o que, coletivamente, nos transformamos em meio século de história, por medo de uma

nova hiroshima ::


quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

domingo, 6 de janeiro de 2019

ágoRa :: gaBriel, guerra do conTEstado


somos um ritual inteiro de m
acumba, a cidade que não se
 vê, nos espelhos,
o ir e vir pela cidade, nos algorítimos cifrados 
dos orixás, telas secretas, programas de 
computador ::




local :: curitibanoS





levo o filho na escola, a blusa manchada de pão :: sinto o gosto da chimia :: está no meu posto pisado
de chão ::

lambo os lábios, é sutil essa diferença, mas, quando somos menininhos, os sonhos renovam-se
com mais facilidade :: havia um fato encerado nas casas postas e limpas :: as vozes e os correrios :: os
anseios, expectativas :: expectativa de vê-los, meus pais, acima de tudo meus ímãs, sua corrente
imantada, meu precipício :: agora lembro que havia um expectativa :: porque estou em triunfo, agora
lembro que estou no rio grande do sul :: a bola lembra, a tarde com mate, e o futebol :: tragam as estolas
da alma farrapa :: os gloriosos dias de festejo, a guerra que travamos longe de nossas mulheres, o espírito
de santo, com suor, cerveja e palavrões, o espicho da vara comprida dos moleques, aprendam a ser homens! ::
o esporte aproxima o livro aberto :: sobre nossas cabeças, uma ilusão :: e como é linda a cultura, mais
ainda o fato de serem os maloqueiros seus grandes mestres :: os maloqueiros são santos, aproximam
seus ouvidos da folia que ninguém ouve :: ninguém soube dos sapatos puídos de garrincha, dos ardores
da cavalhada, dos patriotinhas de ronaldinho, um mestre, a imensidão de neymar,  a placa incrivelmente
sólida da ilusão santista que se eleva pro mar :: eu tinha medo dos maloqueiros, adilson, o grande
maloqueiro da  minha escola, jogava sorrindo, depois morreu porque levou um tiro :: escuta as cordas
de música, vitor ramil, mil dicções para um galanteio :: quando eu pegava a mão de uma menina, apenas em sonhos,
eu era uma mestre :: e a energia "eólica" gerada era suficiente para me elevar por milhões de horas,
suportar o cheiro insuficiente das horas gastas na escola :: porque tudo era tão doce? :: no caso dos adultos,
há uma proteção de cimitarra, e a revolução está em não perceber que somos gatos, felinos que se
esgueiram, sinuosos, por vezes brejeiros, não suportando suportar  os cintos e as fivelas, que nos prendem
às calças, as bordas sinuosas dos sutiãs :: tudo é felino contato, feérico e muito minucioso, escondido ::
estamos civilizados porque a voracidade, do clima de esquenta do desejo, não foi embora, mas mora
escondido :: e como isso me marca, fero açoite :: e como pão com chimia :: muitas
vezes as fivelas se abrem, e o cinto bateu, e a criança apanhou porque o pai apenas foi levado pelo
impulso de ter distribuído o seu líquido inteiro, para a rua do bRAsil inteiro, tamanha a volúpia :: nada disso
a criança chora, pois sua mão e doce, e pertencer ao mundo dos adultos, com seu gosto de cerveja,
e outras vozes amargas, empesta seu ritualzinho de casamento com a maciez de uma forcinha, uma somente
alva e doce amiga :: na solidão da vulva, ele vai se perder, e depois buscar os doces da cidade, contrito
e de ressaca, a cabeça cheia :: somos um ritual inteiro de macumba, a cidade que não se vê, nos espelhos,
o ir e vir pela cidade, nos algorítimos cifrados dos orixás, telas secretas, programas de computador ::
cada palma que se bate é um pandeiro, tamanha mágica do coelho,  na toca de alice, com voz de gal
gosta e a fúria de elis que bate :: eu sou o sonho de rock dessas meninas, e somos esse rito inteiro, da matrix, com bastante pipoca, como frangos, e o ônibus que nos leva,  da zona sul
à zona norte, faz o movimento da ceifa sobre nossas cabeças :: meu tio antônio, um agricultor, figura
do meio, caminho do meio, sigo o coelho, zona norte :: minha mãe não foi uma puta  :: zona sul e zona norte,
e eu leio figurinhas de rock :: terras do mito acampado, eu não ouço a rbs, e as mulheres, com seus rituais
de seriedade invejosa, as unhas, os salões,  nos derrubam do cavalo, com sua inveja calada, trocam
sensações sobre mamilos e esgares em torno da vida doméstica :: eu sou um poço de desilusões ::
eu vou matar o meu marido, secretamente, como secretamente fui ardorosamente só sua :: a força
calada e muda de iemanjá me abateu na subida da serra, e agora eu sou seu criolo malandrão, rapper
do  som :: a estola farrapa me lembra a alma republicana, haverão de sair pequenos milhões de seres,
todos da minha alma mais pura e republicana, o tempo limpo de um novo tempo :: esqueço o embrulhar
do estômago que me proporcionou a jocosidade feminina, seu tempo limpo de estoques de raiva,
trovões, sobremesas cifradas, uma coisa esquisita misturando choques elétricos, tesão e ferros de passar
roupa ::
com xangô fizeram o mesmo :: iemanjá se uniu a iansã e o rei ficou ainda mais forte :: mãe janaina,
saia da janela, toca o sinal que aqui a fome é de negro, é a cor de um olho cego, é grêmio e é inter :: chamo
as crianças pro jantar :: elas vem :: e eu ateio fogo à cidade com a minha fome de bola ((texto de 2016