domingo, 12 de fevereiro de 2023
domingo, 5 de fevereiro de 2023
sempre que o pintor inventa a si mesmo, projetando-se enquanto imagem nalguma tela, papel branco ou parede, secreta uma espécie de remédio intenso e benfazejo para o cidadão comum, o senhor que vai às compras, a mulher bastante ocupada e trabalhadora, todos aqueles que de certo modo perecem com as aflições da labuta cotidiana ::
de modo que essas parcelas recriadas hoje em dia, em território urbano, mundo afora, pela técnica do grafite, são bem amadas, muitíssimo amadas, aliás, pelo conjunto da cidade, seus moradores, que sentem-se como que vendo pontes que levam ao céu, o céu amigo do rápido devaneio, que, apesar da ligeireza, pode durar e fazer diferença num sorriso que se arrancou, numa mudança de atitude, no perdão a alguma ofensa ::
recriar é, possivelmente, a maior de todas as artes ::
e sentir, sentir por exemplo o valor acumulado do sacrifício urbano coletivo, é ofício da brasileira gente que trabalha com artes, poesia, música ::
e se sentir quase sempre nos faz revisitar constantemente a dor, procurar sentir coletivamente, ser receptáculo da onda maior e mais geral dos rumores humanos de nosso tempo, fecunda obras inteiras que selam identidades ::
goiÂnia é um pedaço do bRasil que conta a história ainda hoje inacabada de entrada rumo dos sertões do bRasil ::
eras se sucedem, e os ciclos envolvem sobretudo a fabricação de toda uma gente, um povo, uma população ::
quando caminhamos infinitamente, posto que diariamente, por uma cidade, inconscientemente seguimos embarcados em um carro controlado por antigos impulsos amorosos, que legitimam todas as dificuldades encontradas na vida em sociedade ::
o paço, a larga avenida, o beco, o palácio, a larga alvoRada, o coreto ::
está tudo misturado pelas épocas, os vitoriosos, os explorados, os decadentes ::
salve o geralmente negro navegante que, como diria aldir blAnc, tem por monumento as pedras pisadas do cais ::
"casco de burro de lenha", disse cora sobre o violento amor da cidade sobre todos nós ::
não existe, na cidade, especialmente a cidade grande, quem não seja pisoteado, quem não se sinta pisoteado, pela pisada coletiva do mercado, dos mercados, das modas, das convenções, das ideologias, da cultura, das construções demoníacas que refletem as mais profundas obsessões humanas em densa carga de libertação ou busca de liberdade ::
o brotar de flores perfumadas por sobre os monturos da civilização que se acumulam vorazmente nos becos é uma verdade profunda que sempre me enfeitiçou na literatura de cora coraliNa ::
recomendo visitar o beco do codorna, museu aberto da cidade de goiÂnia, tendo-se em vista essa velada e obscura lentidão que aos poucos permite entender a raiz profunda do bRasil ::
sábado, 28 de janeiro de 2023
sexta-feira, 27 de janeiro de 2023
pedrA
há uma pedra que nos beija, que nos fala, nos afaga :: ela reside onde o mito de qualquer cidadé, especialmente uma cidade grande, se encontra ::
nessa profundeza, não há vazio existencial, muito pelo contrário, há um correlação de forças em seu ápice, onde cada um corre e se constrói ::
repositório, fertilidade, fluidez de rio:: aqui, de fato, tudo corre em perfeita umidade, sendo cada vida um moinho de verdade, que mói e constrói, que mói e constrói ::
nessa profundeza, não há vazio existencial, muito pelo contrário, há um correlação de forças em seu ápice, onde cada um corre e se constrói ::
repositório, fertilidade, fluidez de rio:: aqui, de fato, tudo corre em perfeita umidade, sendo cada vida um moinho de verdade, que mói e constrói, que mói e constrói ::
sobre as costas do deus da cidade ativa-se denso e meigo cérebro coletivo::
nirvana aborígene, céu edificado com memória deliciosa ou sublimada das
ruas :: rimas com traços, tráfego e curvas ::
nele, calcinamos nossas vidas, quebramos ossos, curvamo-nos feito servos ::
nirvana aborígene, céu edificado com memória deliciosa ou sublimada das
ruas :: rimas com traços, tráfego e curvas ::
nele, calcinamos nossas vidas, quebramos ossos, curvamo-nos feito servos ::
quinta-feira, 26 de janeiro de 2023
como bebês, estamos sempre ativos, nossa criança não para :: nosso bebê é sempre um grande descobridor,
e sorve litros de brincadeira ativa a desfraldar lembranças do céu :: nosso bebê é querido e mágico, e está especialmente
subindo :: um apertãozinho em seu reloginho de culpa, um roxinho na sua hora mágico, e o bebÊ rompe em forças de hostilizar, lágrimas que serão, para sempre, tristes :: e eu cuido do muxoxinho do bebê, e mesmo sua urina é quente e, por isso, força quimérica apascentadora, como os pássaros mais oiá-eu-uo-euê do serTão :: penso o dia inteiro nesse nino, nino numérico, nino de aprender, onde se fundem todas galáxias do inconsciente, e onde comer é desenhar e deliciar-se com passeios telúricos é um desenvolvimento gástrico :: estará pronto o estajarita e o argumentador, estará mugindo o peão arguto bem brasileiro, mesmo na sua falta do ensino clássico, da poesia que camões lentamente lamuriou :: volta pra escola!, ó lampião, e vê se aprende a redefinir os traços da vegetação seca e espinhenta, olha aquele programa, ele mesmo ali, do hulk e da angélica, come com delicadeza todos esses frutos, tudo isso é consumo, e observa como uma população inteira, mesmo com baixo nível e pouca inteligência, apresenta o aprumo da dispersão, a boa horinha da produção coletiva do sonho :: meu bebê é um comércio antigo de conceitos inteligentes, histórias boas e antigas, produção de gente, alma que revoa, uma história sempre quente de iluminação, e eu prossigo, com variações crepúsculares, estagiando no paraíso, arrancando lumes, fazendo aquilo que os negros chamam de vadiação - uma vadiação com meus radares :: não canso de me iluminar, não caso de negociar, com duendes de delírio mágico da banda vadia, o aprumo de uma evanescência, seu surgimento, sua precipitação, para reforçar sobre meu espírito o estado eterno de glória da casa brasileira
e sorve litros de brincadeira ativa a desfraldar lembranças do céu :: nosso bebê é querido e mágico, e está especialmente
subindo :: um apertãozinho em seu reloginho de culpa, um roxinho na sua hora mágico, e o bebÊ rompe em forças de hostilizar, lágrimas que serão, para sempre, tristes :: e eu cuido do muxoxinho do bebê, e mesmo sua urina é quente e, por isso, força quimérica apascentadora, como os pássaros mais oiá-eu-uo-euê do serTão :: penso o dia inteiro nesse nino, nino numérico, nino de aprender, onde se fundem todas galáxias do inconsciente, e onde comer é desenhar e deliciar-se com passeios telúricos é um desenvolvimento gástrico :: estará pronto o estajarita e o argumentador, estará mugindo o peão arguto bem brasileiro, mesmo na sua falta do ensino clássico, da poesia que camões lentamente lamuriou :: volta pra escola!, ó lampião, e vê se aprende a redefinir os traços da vegetação seca e espinhenta, olha aquele programa, ele mesmo ali, do hulk e da angélica, come com delicadeza todos esses frutos, tudo isso é consumo, e observa como uma população inteira, mesmo com baixo nível e pouca inteligência, apresenta o aprumo da dispersão, a boa horinha da produção coletiva do sonho :: meu bebê é um comércio antigo de conceitos inteligentes, histórias boas e antigas, produção de gente, alma que revoa, uma história sempre quente de iluminação, e eu prossigo, com variações crepúsculares, estagiando no paraíso, arrancando lumes, fazendo aquilo que os negros chamam de vadiação - uma vadiação com meus radares :: não canso de me iluminar, não caso de negociar, com duendes de delírio mágico da banda vadia, o aprumo de uma evanescência, seu surgimento, sua precipitação, para reforçar sobre meu espírito o estado eterno de glória da casa brasileira
quem sabe eu realizo uma descoberta preciosa uma super descoberta fruto da devoção a um prazer melhor periciado descobertas para todo o lado e em todos os sentidos afinal o mundo é uma microbiologia são milhões de vizinhas poeiras pululando em vidas intenções acontecimentos no pacto físico quimico e biológico da revelação divina sendo-nos proibitivo morrer de tédio
domingo, 22 de maio de 2022
violivoz
++ obra aberta, reunião de cosmogonias intensas e variadas, o Brasil, culturalmente falando, pede enorme vontade de renovação de tudo o que há ○
crê na particularidade de sua razão quem
se desprende do óbvio, do naturalmente já feito
feito aqueles que em torno da região do subconsciente gravitam e que na realidade permanente dos arquétipos percebem a possibilidade de negação do ruim ++
fartamente vejo no arquétipo brasileiro a fundação necessária para seguirmos adiante de cabeça erguida, sorrindo em direção ao futuro ::
nada apavora quem vê aparecer nossa força ancestral na ritualização do canção brasileira, como a que se presenciou na ultima sexta-feira, no centro de convenções da puc goiás, no show violivoz, de chico césar e geraldo azevedo ::
revi ali as emoções da floresta úmida nativa nacional, quando o pensamento original rememora vinhas mágicas xamânicas eleitas por mestres densamente dionisíacos::
brotam nas métricas da vida cantada pelos reis geraldo azevedo e chico cesar os abrasivos poderes de nossas sensuais soluções civilizatórias::
nelas, a guerra ritualiza jeitos menos violentos de exercício do poder ::
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