quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

One love

 sinto o som :: a sensação da música expande a força espiritual necessária ao amor ao próximo ::


sonhar com a paz, assim, pede revoluções internas que começam com transformar a postura que se tem diante de tudo ::

eu não quero mudar o outro :: eu quero ouvir a música boa que melhora meus pensamentos, meu ser, minha realidade íntima ::

bob marley foi um curandeiro do ardor de jah, sabia da verdade maior e por isso atuou como agente único da paz, tal qual gandhi ou luther king ::

as lendas vivas são bastante trágicas :: cada destino humano marcado por terno sofrimento invariavelmente produz um efeito de proximidade com o sagrado ::

no caso de marley, proximidade bastante africana, geralmente vinculada, esse africano ser, aos passos de dança, ao pulso da música, que muito se assemelha ao pulso da vida ::

marley formou o sonho de união em sua jamaica dividida, depois que muitas tentativas no âmbito comum da política ou mesmo da guerra resultaram veementemente fracassadas ::

ao povo, dedicou sua vida inteira, além de sua própria morte, tendo por base o amor que sentia por esse mesmo povo ::

quero crer que o filme agora que descreve sua paixão ritualize, entregando às novas gerações, o vínculo sagrado passivel de ocorrer na mesma música pop que escandaliza diversas conservadores ultra direitistas mundo afora ::

quem dera ocorresse no bRasil um florescimento dessa ordem, capaz de unir nosso país dividido ::

tenho certeza que na bruma responsável pela formação de nosso imaginário algo assim já se insinua (...)

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

a artE de comerciAŕ




a maior lenda urbana do mundo chama-se internet :: queremos ser ela, queremos estar integrados a ela como à força de uma galáxia, que não para de evoluir com dádiva, com amor em cósmica dimensão ::


por ela, sonhamos atingir a forma de uma rainha do estranho ardor em vender e trocar ::

multiplicam-se os assuntos e as linguagens, show de estrelas que são características, caracteres, empreitadas em nome de essências ::

todos nela somos perfeitos trabalhadores da ilusão de não acabar, pois, se dirigimos preces à mercação coletiva, podemos ter certeza de que o mundo não para, não seca, não murcha, a internet é a fonte da juventude da humanidade, o porto eterno, o gosto de sumo de nós mesmos, a íntima relva e fauna do mundo humano ::

imagem :: escrava de ganho ++


sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

 olho a cobra ::

quinze mil
voltas
sem cessar,
uma
verdade
anímica
inverossímel
para
quem








nega
o sentido
oculto
da realidade,
onde
a beleza
mora
nas possibilidades
de
conexão
++++
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ouroboros



quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

mãe







eu quero a luz, eu corro do que é pouco saber, eu estou sempre prenhe e imediatamente parindo um animalzinho, ouvindo a chance de esquentar


 ninhadas, cachopa de flores, cacho de uvas, eu estou sempre prenhe e organizando filosofias, a cabeça para fora do bebê é empurrada no ritmo daquela pausa para um fazer nascer, eu quero ser essa mãe natural 


que sonha valsas, e cirandas, para escapar do mal, e sair ileso das vigílias dos idiotas a mil por hora reunidos  em desfiles patriotistas,  


eu não sobrevivo sem milhares de impulsos rebentando em vários sinais, pontos de luz, reis e rainhas de estrelas, poemas, serei estação da luz, onde vago como vaqueiro ou peão mirim, cuidando 


da boiada :: para mim, a criatividade é poder arrumado com a cabeça, e fazer sucesso comercial é indiferente, pois meu contrato já está assinado com a casa editorial da mãe verdadeira, que me obriga a lavrar todos os dias, garantindo não sucesso ou dinheiro, mas segredos que solucionam 


meu pavor existencial de todos os dias, nesse país continente :: sou menino de rua, com pedaço de pau na mão, arma, cano de ferro, bem acintoso, sem privilégios, buscando com desespero meu ser importante, meu lugar, minha comissão, 


meu lanche, minha bituca, meu salgado :: sou a fome em geral ou em  específico, sou o todo que come e se alimenta de tudo, das raizes de plantas, mandiocas, batatas, ou da alma incendiária incrustada  numa carreta de caminhão: sou guerreiro nessa eterna desavença::






sábado, 25 de novembro de 2023

 sempre tem alguém  passando por mim ::

me recolho,

assim,  de um modo originalmente anímico, o social desprezo me revela único,  sou verdadeiramente  pisado, e verdejo :: j

eu sou sábio, e as bandeiras abrem-se para meu denso pensamento se formar :: todas as bandeiras  que dizem que não  sou ninguém, e assim ninguém  vou sendo ::

ninguém me recolhe do chão porque eu sou a rua, assim, uma espécie de puta, que recebe tudo para agradar a todos ::

minha cabeça  onomatopeica, imitativa, mimetizadora, é solidão, se eu agrado ao namorado, ao doutor, ao soldado, ao velhinho malandro ou assanhado ::

é pessoa amarga que passa por mim, é pessoa branca, é pessoa vítima de violência, e eu sou um pobre acuado, redigido enquanto memória, ofensa, homem sábio, aprendiz, malandro, oferenda ::

ando ligado nas horas altas da televisão magna imensa  irrepreensível  e no fluir da boiada permanente e possante, em tudo o que anda e é movimento ::

e descubro-me um menestral vivificado pelo fluxo do simbolismo arcaico, região dourada que me torna rei, avaliza meu ser de menestrel ativo em corpo de índio, um soldado, beirando o desespero, mas altivo e sonhador ::


ninguém pare sem labor uma boa hora de comunhão, ninguém  faz isso sendo raso e por isso e som toma conta de mim e eu lavro o som das personalidades alheias, das personagens, suas pastas, embrulhos, obsessões, tudo o que delas cabe


eu tatuo o que nelas meu mistério erótico  segredo e com isso meu passar é demorado ::



eu sou esse sexo intenso com a espiritualidade, muitas vezes um demônio de duzentas vidas ardendo e doendo em um pátio arqueado por andam melíferas compensações, meu terreno, sempre sem cansaço, sempre altivez ardendo, no compasso alquímico das cidades, ao insistir em ouvir o que se está dizendo, escutar tudo e até  com violência no limite das intoxicações, no perdido das luxuriações, no olho estalado do conselho atávico que bem diz o amor ::

de set 2022 +++

terça-feira, 21 de novembro de 2023

sobRe o 20 de novembro






nossa sabedoria coletiva ancestral apronta uma grande túnica, cheia de símbolos que abrem a brasilidade, a expandem revolucionariamente até ::


entre esses símbolos, estão os da negritude que nos banha desde nossos primórdios enquanto povo ::

não é pouco :: áfrica indígena lusitana :: roma escura :: uma população hoje de mais de 200 milhões de pessoas, um denso depósito de verdades civilizacionais qie se conjugam prioritariamente em nome da revelação do bem, da ética, do amor necessário a qualquer tipo de grupamento humano que almeje atravessar e permanecer no tempo ::

a crueza desse destino nacional, lavado em sangue negro e indígenas, como dizia darcy ribeiro, permite pensarmos a nós mesmos como um poderoso mito de revelação humana, tão forte quanto os mitos das religiões monoteistas aflorados no oriente médio :: e com destino portanto igualmente glorioso, especialmente se pensado no contexto da america revolucionária, a américa que revitalizou o ocidente ::


((sobre o 20 de novembro

quinta-feira, 9 de novembro de 2023

viRar gente



consegui um dom humano para mim, um derradeiro virar gente, eu que não conseguia ser delicado como julgo ser importante, necessário :: virei gente, posso dizer, com pouca margem para o maldoso cachorrão, o cão, diabo, demônio ::


meus sábios aconchegos, e eu sou gente :: o pensamento qualificado, integrado à natureza, agora possuo a púrpura do passado, ganhei um alto grau de poesia me coroando a cabeça, cocar mítico que liga-me ao passado desse lugar ::

agora, só amo, por congraçamento de muitas águas, amo tudo, e muito, perdi o pendor ao fluxo mal conduzido de saber e poesia :: agora eu uso tudo, reduzindo o desespero causado por certos sinais ::



:: sou leve, sou lento, já não sou ninguém sem meu chapéu de carroceiro do mato, e tudo isso é como se fossem óculos para mim, lentes que transmutam o mundo, e o livro geral do gozo se abre :: tudo é lindo, tudo é música, se aceito esse ser regional, e essa literatura afro-indígena que me acolhe :: tudo é terra,  é letra, e eu me farto desse leite :: não sou tipo nenhum, nem jornalista, nem consultor, nada :: sou o começo de um corre-corre, uma gira de vontades de comer e de perceber o que somos, uma múltipla identidade :: estou cheio de voragem, e sou goiano, porque aqui um certo gosto por infinito me acolhe, um pai eterno e uma mãe galhofeira, um querer anímico de hospitalidade mediúnica e salvífica :: nao quero nada, sou só mesa posta, óleo, gengibre e alguma confusão:: tudo muito simples :: boi e tempo, chapéu e manto :: eu sou de cobre, de urucum, de cheiro de pimenta, eu sou geral, doído e pobre :: e eu sou goiano ::