quinta-feira, 29 de outubro de 2015

lOa

existem frestas para o céu, que vão, aos poucos, se alargando, nos angelificando, depois de tornada doce toda a carne, no movimento de a ir tornando ::

na dureza invencível da existência, após a formulação de uma gr
ossa camada de sentidos,


 depois de despencarem

todas as ilusões sobre o ser humano, brasileiro, torna-se possível, a partir de um golpe de vista,
reunir-se a dEus, depois de tornada doce toda a carne, e dela doce ir ficando :: as promoções, ofertas, 

varejos, nas variações das lojas do mundo, ficam obsoletas,
perdem a sua aura d

e paraíso :: as divers
ões, as rodadas de salvação impura e, no íntimo, vazias ::
qualquer tipo de busca ou oportunidade - livros, buscas, viagens, profissões, sexo - se torna lixo, 

resíduo,
se não ingressamos na esfera de um contato
nupcial com a vida ao




longo da vida :: existe uma loja, uma loja suave como a existÊncia divina,

onde a busca se consolida em resultado :: nela, o resultado é lento, a compra é obscura e facilitada pela fé ::
não há mercado de futilidades, apenas, ao fundo, de sutilezas :: todo o conjunto das procuras,

levemente ordenado,
após a santificação de nosso desejo, seu
medo impossível de ser calado tornado uma junção grata
junto ao vício divino da revelação por meio do amor denso da carne branda :: não quero me apossar 

de
nada, galgar posições, saltar obstáculos :: pegar, agarrar, prender, obter, conquistar :: quero apenas estar sentindo o mundo como brisa leve,
na alegria de rodas de meninas que se alegram pela alegria de estarem alegres, na d
oação do fruto,

na virgindade, na cópula suave do mantra mítico do mundo, sem barreiras, proteções ou o medo
de desastres :: no mel da língua que profere e
star tudo certo, o tem



po inteiro, t
udo certo, mesmo
o mais profundo dos desatinos de nosso inconsciente, mesmo esse, que governa o nosso sacrifício

enquanto espécie :: a cada manhã, a cada raiar de dia, faço uma oração pelo seu mito, envergando
falas e camisas brancas, bandeiras, toques de pensam
ento altivo, foguetórios e esperanças :: uma faixa

alegre, uma bandagem, cobre a minha testa, sagran



do o sacrifício, lembrando minha fama de alegre
vidente agreste, casado com a manhã do mundo, anun
ciando formas negras de bÊnçãos, em rodas
de sonhos e viragens, em comunicação com o espírito aberto da bondade ::

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

loBo


e a pena bem leve, aquela pluma, amentada em densidade pela
violência, floresceu :: são vocês os meus
cálculos, o meu sonho escarlate, de um fascínio aumentado pelo fato de tornar-se-me, eu, um desses homens
que não morrem, apenas sobem, e são o estar sendo, lá no céu :: de uma germinação do trigo, meu poema
nasceu, e um uivo manso de

menino alpinista, com o registro na memória do horrível, é bem aceso,
apenas :: um esquema com folhas e palhas, uma este
ira nova para os meus voos sem pecado, um receber
da culpa que é de onde o santo recebe o adorno :: e na conjunção da lâmina com a carne, o vento
empestado de rejeição, se torna modéstia :: está fe
ita a cabeça louca com ouro :: a cabeça doida e
abençoada :: a língua bem doce e doce no embalo, sabendo a mistério :: sou o que me pegam, pelo
fio sagrado de sertaneja língua ::

terça-feira, 27 de outubro de 2015

vejo como faz silêncio nessa casa, e como ela é só minha :: não há nenhum conflito de terra, uma única
sofreguidão mal resolvida :: e no contato de meus olhos com sua superfície rosa, sou seu doce
descobridor, um pero vaz de caminha bonito, enfeitiçado por espelhos que lançam feitiços, feitiçoS que já
ouvi nas composições de cartola, vinícius, renato russo e cazuza :: muge, ó boi, na estrada, e não há
conflito, pois as sensações que aqui aprendemos, provenientes do vínculo mais antigo que se tem
com o paraíso, escrevem por nossas mãos bilhetes, e perduram matrizes das mais nobres e brandas::

domingo, 25 de outubro de 2015

para a crueza da selva, ou do deserto, da geleira, do inóspito, uma gentileza do agrário, do cultivo,
da hera idolatrada, nunca abandonada, a ramificação em seu curso, adoração plena, em taças de
vinho secreto e ardoroso :: nessa imagem, a produção sagrada de um mantra onírico que secreta,
desenvolve a cultura, humana - cada vez mais terna e humana - em todos os seus ramos :: há uma especiaria
do deserto, um ramo de árvore do sertão, um bico, uma galhada :: é o pássaro ilUminado, a nos conduzir,
em força de indução imaginativa :: águas que voam, liberdade feérica, sinal sobranceiro, aba do chapéu ::
redução primitiva do desejo :: a admiração plena pelas belas formas, sempre recuperáveis e renascendo,
brotando, germinando ::


quarta-feira, 21 de outubro de 2015

foucaulT

lendo a vida de foucault através de sua obra, e vejo o contato da cabeça do pensador com sua loucura, que é a nossa, mais propriamente dita, toda herdada, em profusão : saltam os mitos gloriosos, em forma de imposição fálica, genital, gloriosa :: há gente que acredita :: como não vislumbrar na vida desses pensadores, na loucura, portanto, o sentido sensual divino do próprio pensamento :: foucault mamando nas fecundações originais da vida, esmagando as tetas gloriosas com sua sofreguidão de menino, tão apartado que fora, pela dor da vida :: zeus te quer recuando, menino, estreitando os olhos, abrindo o bico, bendizendo a benevolência da palavra :: e, separado do seio da mãe, com a memória invertida, o prazer bendito esvaziado, foucault escreve zilhões de linhas, que são seu nítido orgasmo, e se apresenta como de difícil apreensão :: quem vai correr como esse menino?, orgulha-se o pai, orgulhoso :: fertilidade em nome do pensamento, festa no olimpo ::



segunda-feira, 12 de outubro de 2015

das criAnças

nesse dia das crianÇas, a lembRança de que o mito do bRasil resolve nossas mais
terríveis dificuldades coletivas por meio de um espírito inigualável de brincadeira ::
a brincadeira espantosa de tornar maria negra, bem no espírito indígena de reversão,
troca, poesia, saci, mil possibilidades de realização :: saudades do que somos, sempre
passível de ser encontrado em nossas vastas águas de imaginação sonhadora,
das crianças que eduquei e educo ((JulianaAlice ;;} Adélia;;;; Caio((( ,Tomás :::,
minha companheira qual ouro de mina (>>Sílvia, antigos e novos alunos, cada qual
com sua fantasia sempre inatingível, re


solvidos e insolúveis em nossas teias de conteúdos
musicais, de festivais, televisivos, agora no computador, um jogo, uma bola, uma raquete ::
que o jeito alegre seja o tempo da manha de resolver todas as manhas, e agora o livro,
qual uma túnica azul-dourada, com todos os seus bichos e plantas-segredos da amazônia,
nos esteja sendo lido e revisitado :: e nós todos sempre atônitos procurando entender
como é possível sermos tudo isso que somos, sob as bênçãos e as graças de nossa
zelosa padroeira ::

sábado, 10 de outubro de 2015

fernAndo pessoA

o rei acomoda-se ao plano da tortura, calmamente, assi

milando, introjetando, planejando uma glória americana

futura :: penso que o quanto menos visito o tempo meno
s rico de glória, menos o entendo :: e, portanto, menos


forjo a glória do fenômeno do entendime
nto :: fernando pessoa, minha glória é ser menino humano brasileiro, e compreender

essa forja aqui, essa impostura doída e doid
a, minha contrição i



nventiva :: nosso brasil é agora, amigo poeta, e sou

o pãoeta padeiro, pedreiro
, a entregar as caixas doces salpicadas de farinha :: a glória do mito que em mim se deposita,

enquanto crucificado que ajuda a entender o mito :: ô glória!