quinta-feira, 18 de agosto de 2016

cultuRa

Não basta adquirir cultura.
A melhor forma de abrandar a nossa
Extensa alma de pessoas pouco puras
É o terno palavrar da brincadeira.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

amériCa selVagem

por que não pensamos em novos filhos homem,
capazes de geraR um novo capitalismo selvagem?
confesso que estou querendo o substrAto
de uM tEmpo sem a uSual coRrEria moDeRna :
uM eXemplO jÁ foi dAdo peLos esTadOs uNidos,
com sUa cOntrAcultura qUe boRdou o vAle do siLício :
há eCos lOngínQuos qUe nOs veNdem,
diGamos asSim, aos esTaDos uNidos :
taLvez o trAtaDo de umA poSse reuNida
do noVo mUndo :

aS coStuRas, apEsaR de coNtraditóRiAs,
sãO orNaDas dE uM mAis pRofunDo deSejo
em tOrno de poderOsAs inSpirAçõEs quem saBe
angÉliCas :
cOMo eNtEndeR lutEraNos e catóLicos
esCreVendo a sIna de umA tERra úNica,
poRque seM reLes diviSões teRRitoriAis?
acRediTo no caPitAlismo de foRça huMana,
alGo qUe, crEio, Marx não viu,
ou vIu?, mAs nãO quiS diZer, só paRa
esCOnder o jOgo, dAndo maIs um
dE seUs gOlpEs de gRande revOlucioNário?
o comPromiSSo da aMériCa lAtina cOm o
marXismo é hOmérico, visTo peRcurSos
oBscUrOs, qUe reúNem em um mesMa
gUerRa idEOlóGica toNaliDades reQUintAdas
de dOminação mAscUliNa, cOmo Luiz GonzaGa,
Barak ObaMa, cHico sCiEnce, fRank ZaPpa e,
pOr fiM, Che gUevEra, a fiGura hisTóriCa
mAis prÓxima de JeSus cRisto de qUe
se tEm notÍcia nOs doIs últImos
sécUlos  ))no mUndo hispâNico,
eVidentEmente((,
porqUe, no bRasil, esSa fiGurA
foI o catÓlicO TancRedo, suCediDo
poR cHico MenDes.
há uMa crIstAndAde em fLor
no coRação d"AméRicA
quE rejuvEnescE o próPrio
hOmEm. respEitAdos
sEus aspEctos maLignos,
difíCeis de sErem diSsolVidos,
eSse hOmEm aGora
é mAis prÓximo do DioNiso
aMorOso, quE, poR seR
iMpossíVel pOuco mAis
de uM sÉculo atRás,
gErou a louCurA de niEtzsche
e o auto-eXíLIo
dE coRa coRalina.

pubicado no facebook em 30 jul 2013

humuS

é verdade isso o que vemos? :: não :: as belas tormentas nos aleitam, a violentíssima e invasiva forma dos deuses >> melhor acreditar que nem existam, um céu sobre paris, um anjo de corda e cultura :: a jóia rara da invasão, o difícil medo a ser vencido :: será que conseguimos nos entregar ao tempo que nos enforca e assola, à senzala? :: fico vendo a invasão :: para nada há tempo :: amarro minha bandana, faço uma interiorização, imagino um m
antra benigno brasileiro :: o lado brando e nobre da vida, tão enterrado dentro de mim, dentro :: e uma desolação, uma flor de lótus, um cactus :: sou um sobrevivente brasileiro, uma lótus, um carro >> estando incapacitado para o tempo, me capacito :: sou um novo dirigente do meu medo, e dirijo :: estou arreliado, fosco, invisível :: estou parado e aberto, dirigindo, recebendo beijos, como uma invasão, e meu motor estragado, um gosto intragável para a vida, eu devolvo despassito, como quem trava do ardor a geração, e promove a abnegação e o humus (...)

ruA

sou um signo composto, 
não simples, mas entremeado 
e invisível nas conexões que permitiriam
veR um desenho :: eu sou a face
inteligente fingindo ser animalidade pura ::
eu sou a lenda sob um carrossel de fogo ::
e aquilo que vejo, aquilo em que me deixo
tocar, ou aquilo
que beijo,
tem a feição final
de uma
ciranda infantil e infinita,
como na solução mágica que representa
para nossa alegria
uma arte, uma conquista, uma briga de rua

quando somos alienados do conhecimento mais elaborado, ou levados a um profundo choque
de nossos valores mais consolidados, uma dança instintiva, unindo deuses e demônios, começa
a relembrar o tempo mítico maior de todos :: algo se cala, então, e algo novo se levanta :: a montanha,
com um único gesto, pare o corpo amado de um novo brado em segredo, as folias são mais eternas, os pensamentos
mais precisos, na capacidade de fingir sobre o eterno e seu terrível jeito selvagem, antigo, aborígene, de nos amar :: o choque
de descontinuidade sofrido pelo bRasil, em sua cultura mais humanística, suas letras, sua música,
seu cinema, penso que agora produzirá uma mudança a partir da saudade profunda que tantos sentem :: sinto
a brandura dessa possibilidade se aproximando, para consolar a imensa fartura de pobreza de nossas
tardes de domingo :: sinto como um afago, e que virá, com a respeitabilidade de uma fantasia divina ::

terça-feira, 16 de agosto de 2016

a muSA

o vínculo sagrado nos une :: uns unguentos, uns retiros em direção à paz, lá onde o beija-flor e o vaga-lume

brincam, a boiada toda se reúne :: somos parceiros, somos a fantasia, e eu te beijo, abrindo o estado interessante

que favorece a lentidão do amor que casa :: o que permanece é a gentileza, e entre nós cresce  uma vegetação bem densa,

onde vive uma solução de vida, em moléculas de ar que com tranqüilidade se respira :: são santidades

que nos definem, em tábuas

de salvação e grega revelação antiga ::  revivendo segredos, nos afinam o olfato e o paladar, e nos acariciamos

como golfinhos, coisas penetrando

a pele, um gosto de pólvora e um cheiro de mar, um delicado rosto de bebê por encontrar, com 
suavidade,

tolerância e fome :: estico uma rede  com a forma do enxame :: sou um palhaço, com bondade e um trono ::

e assim, à beira de teu castelo e um abismo, sou um amigo olhando e  tocado :: puxando com a ajuda das

divindades do refinamento umas formas regionais que bicam e saúdam, e lutam por merecer teu  belo olhar,


forte e açucarado, que se define pela guerra e o sossego do sagrado feminino ::


domingo, 14 de agosto de 2016

com certeza sou um pai gentilmente renovado e renovador :: o que gosto mesmo é de “churrasco,
bom chimarrão, fandango, trango  e mulher”, mas tudo isso transformado em menos exclusão, machismo
e preconceito :: no final das contas, a saciedade,  ou a satisfação, de uma pessoa do sexo masculino,
nesse início de século,
que precisa dar conta de importantes, imprescindíveis, funções da vida em sociedade, sempre pode e
deve mudar ::

não vejo o mundo como os machões de antigamente, e que ainda perduram entre nós,
só deus sabe até quando :: estou cansado dos varões com suas visões estreitas, que acabam sempre em falta de carinho,
neuroses, vícios, depressões e dissoluções familiares :: sou provavelmente a pessoa que mais sofre com os
costumes mal acabados de nosso machismo conservador cotidiano, pois meu tempo sempre foi e
sempre será outro :: e como pai e professor, sempre pergunto – há como transmutar o sentido daquilo tudo que fazemos,
permitindo que as difíceis produções do cotidiano se tornem mais “legais”, menos chatas, mais gostosas de se fazer? ::
pois é justamente esse o problema do ambiente doméstico, onde pais e mães dividem tarefas e os  filhos
crescem ouvindo histórias sobre fugas e abandonos paternos :: na íntima realidade cultural estão os
segredos de uma boa solução para esse tipo de problema, em uma época de recriação da própria
humanidade, levada adiante em parte por obra da nova tecnologia digital :: precisamos de um novo tipo de ser humano,
como diz o  ex-presidente uruguaio, Jose Pepe mujica, algo que vai além da simples produção e divisão igualitária
dos bens econômicos, como buscou articular a antiga esquerda :: precisamos de uma vasta mudança cultural :: e, se precisamos nos refazer culturalmente,
urge nos perguntarmos que brasilidade herdamos ou estamos a desenvolver :: até que
ponto somos de fato brasileiros, considerando a quantidade de conhecimentos inexplorados que se encontram
em nossa raiz cultural miscigenada? :: função do pai poeta que sou: descobrir esses novos continentes de linguagem ::
 quando percebi que os modelos mais imediatos de paternidade na minha vida não me eram suficientes, rumei  a uma sensação de horror tão grande
a ponto de descobrir que a identidade cultural está aí para nos acudir, permitindo verdadeiras reconstruções
de sentido :: que me perdoem os meus mais próximos modelos de masculinidade, forjados pela mídia
de massas, mas o que sempre me pareceu funcionar melhor foi copiar os modelos fornecidos pela contracultura
e as rupturas propostas pela sua miríade de soluções artísticas, sempre tão vinculadas tempo tribal aborígene,
como no caso daquilo que o Brasil tem de mais autêntico ::
sempre fui roqueiro e revolucionário, implodindo os significados machistas e patriarcais, presentes
em cada cerimônia doméstica que sem perceber executamos ao longo de nossas existências :: o machismo
presente nos minimíssimos detalhes ::
e fui e venho, e sou incansável no desfiar dessa estrutura praticamente imperceptível,
para que não sobre nada mais daquele “churrasco, bom chimarrão, fandango, trago e mulher” horrível
de nossos velhos pais e avôs :: para que sobre apenas a sabedoria presente nesta famosa canção popular gauchesca,
de que a vida deve ser vivida realmente com alegria, generosidade e paz no coração :: revoluções
são bem vindas, e aquelas que começam de dentro são as mais poderosas :: como estudioso da cultura
contemporânea, o que desejo para o mundo é um pai definitivamente avisado sobre a importância
do estudo,  da arte, da beleza, da poesia, e dos infinitos perigos que acompanham  a vida machista e patriarcal a que estamos tão doentemente  acostumados ::