sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

pedrA




há uma pedra que nos beija, que nos fala, nos afaga :: ela reside onde o mito de qualquer cidadé, especialmente uma cidade grande, se encontra ::

nessa profundeza, não há vazio existencial, muito pelo contrário, há um correlação de forças em seu ápice, onde cada um corre e se constrói ::


repositório, fertilidade, fluidez de rio:: aqui, de fato, tudo corre em perfeita umidade, sendo cada vida um moinho de verdade, que mói e constrói, que mói e constrói ::

sobre as costas do deus da cidade ativa-se denso e meigo cérebro coletivo::



nirvana aborígene, céu edificado com memória deliciosa ou sublimada das
ruas :: rimas com traços, tráfego e curvas ::

nele, calcinamos nossas vidas, quebramos ossos, curvamo-nos feito servos ::








quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

como bebês, estamos sempre ativos, nossa criança não para :: nosso bebê é sempre um grande descobridor,
e sorve litros de brincadeira ativa a desfraldar lembranças do céu :: nosso bebê é querido e mágico, e está especialmente
subindo :: um apertãozinho em seu reloginho de culpa, um roxinho na sua hora mágico, e o bebÊ rompe em forças de hostilizar, lágrimas que serão, para sempre, tristes :: e eu cuido do muxoxinho do bebê, e mesmo sua urina é quente e, por isso, força quimérica apascentadora, como os pássaros mais oiá-eu-uo-euê do serTão :: penso o dia inteiro nesse nino, nino numérico, nino de aprender, onde se fundem todas galáxias do inconsciente, e onde comer é desenhar e deliciar-se com passeios telúricos é um desenvolvimento gástrico :: estará pronto o estajarita e o argumentador, estará mugindo o peão arguto bem brasileiro, mesmo na sua falta do ensino clássico, da poesia que camões lentamente lamuriou :: volta pra escola!, ó lampião, e vê se aprende a redefinir os traços da vegetação seca e espinhenta, olha aquele programa, ele mesmo ali, do hulk e da angélica, come com delicadeza todos esses frutos, tudo isso é consumo, e observa como uma população inteira, mesmo com baixo nível e pouca inteligência, apresenta o aprumo da dispersão, a boa horinha da produção coletiva do sonho :: meu bebê é um comércio antigo de conceitos inteligentes, histórias boas e antigas, produção de gente, alma que revoa, uma história sempre quente de iluminação, e eu prossigo, com variações crepúsculares, estagiando no paraíso, arrancando lumes, fazendo aquilo que os negros chamam de vadiação - uma vadiação com meus radares :: não canso de me iluminar, não caso de negociar, com duendes de delírio mágico da banda vadia, o aprumo de uma evanescência, seu surgimento, sua precipitação, para reforçar sobre meu espírito o estado eterno de glória da casa brasileira

 


quem sabe eu realizo uma descoberta preciosa uma super descoberta fruto da devoção a um prazer melhor periciado descobertas para todo o lado e em todos os sentidos afinal o mundo é uma microbiologia são milhões de vizinhas poeiras pululando em vidas intenções acontecimentos no pacto físico quimico e biológico da revelação divina sendo-nos proibitivo morrer de tédio 






domingo, 22 de maio de 2022

violivoz

 ++ obra aberta, reunião de cosmogonias intensas e variadas, o Brasil, culturalmente falando, pede enorme vontade de renovação de tudo o que há ○


crê na particularidade de sua razão quem
se desprende do óbvio, do naturalmente já feito

feito aqueles que em torno da região do subconsciente gravitam e que na realidade permanente dos arquétipos percebem a possibilidade de negação do ruim ++

fartamente vejo no arquétipo brasileiro a fundação necessária para seguirmos adiante de cabeça erguida, sorrindo em direção ao futuro ::

nada apavora quem vê aparecer nossa força ancestral na ritualização do canção brasileira, como a que se presenciou na ultima sexta-feira, no centro de convenções da puc goiás, no show violivoz, de chico césar e geraldo azevedo ::

revi ali as emoções da floresta úmida nativa nacional, quando o pensamento original rememora vinhas mágicas xamânicas eleitas por mestres densamente dionisíacos::

brotam nas métricas da vida cantada pelos reis geraldo azevedo e chico cesar os abrasivos poderes de nossas sensuais soluções civilizatórias::

nelas, a guerra ritualiza jeitos menos violentos de exercício do poder ::


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

meio misTério





o meio mistério talvez seja uma ideia potente :: reflete a cultura brasileira, no geral ::


a verdade do oculto algo à mostra, permitindo uma fé mais intensa, ardorosa :: permitindo uma sacra amizade com o divino da natureza, onde se inclui sobretudo nossa sexualidade ::

podemos ver deusas e deuses nos transes da madrugada, em terreiros de umbanda ou candomblé, nas ritualidades indígenas do toré, no êxtase causado pela jurema ::

e em vários outros pontos de contato com sensualidades místicas produzidas pelo nosso cotidiano real, onde o prazer não é pecado, mas fonte amorosa de vida ::

adoro crer que amanhã será a primavera desse espectáculo de recepção do ser humano no céu, fusão densa entre espírito e matéria, masculino e feminino, uma vez superados todos os obstáculos, também potentes, a dificultarem a visão plena de um paraíso na terra ::

paraíso à brasileira? :: sim, muito maior e mais prolífico do que o bem-estar calculado hoje em dia por algoritmos nos estados da unidos da américa do norte ::

um paraíso ao redor do mundo :: ou melhor, um paraíso gira-mundo :: um paraíso precisamente porque confia-se na vida enquanto roda ou círculo, com reposições necessárias, que reabastecem permanentemente a ideia de infinito ::

um contato eterno com tudo aquilo que somos e fomos, o tempo todo, numa riqueza que sacia a fome por tesouros escondidos de verdade e cordura humana ::

nosso pensamento fóssil brasileiro é o do meio termo entre fenômenos europeus e aborígenes :: não há nenhum puritanismo bloqueador da felicidade vivida no aqui e agora :: nem a rigidez fria do norte que impede a mistura ::

na morada sensual de uma natureza generosa nos encontramos, paridos pela memória de um gesto em glória, dolorido mas amoroso ::

ritos de saciedade em que a divindade nos explora, dando em troca seu ardor visível e poderoso :: homenagens ao espírito folião que nos fazem perdurar na sensação vital de perdão e amor ao próximo ::

tudo muito alto, e ao mesmo tempo muito encarnado, em corpos consagrados ao valor pretérito destas situações de poder amoroso, amável e sensual ::

tudo explodindo em sensações de recato e maravilhamento intenso, onde o poder da energia sexual humana revela extremos de nossa capacidade de criação e permanente recriação ::

por isso o bRasil é partida e chegada do que é novo :: é o pensamento artístico vital que, permitindo recombinações inusitadas, amplia o mundo ::


domingo, 19 de dezembro de 2021

ontoloGia cabocla nacioNal




são inúmeras práticas importantes para as comunidades de raiz negra, indígena, em todo o vasto território

brasileiro, que são avenidas para regiões inconscientes, onde a 

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 do bRAsil, arquétipo articulado

pela nossa mistura social, de classes, racial, cultural, repousa organizando o caos, desordem que,

regulada, se transforma em samba, capoeira angola, e por aí afora :: 

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o bRasil ontológico é primo terceiro
do mesmo que acontece em toda a américa, da patagônia ao alasKa :: me parecendo fundamental

reverdejá-lo constantemente, com prismas diverso


s :: é o que aconTEce, por exemplo, quando,

de certo modo oculto, esse bRasil aparece sob formas institucionais como a academia :: e se há um movimento



de ocupação desse espaço, por meio de produções caracterizadas como científicas, é porque nosso

anseio, enquanto comunidade cabocla, d

iz respeito a uma urgência de legitimação da larga base

        funcional que representam nossas práticas vivas d


e pré-disposição anímico-cabocla ::|\\| práticas vivas, arejando o ar prioritário para

milhões de pessoas, o jeito caboclo abrigA  o sentido de um amplo oratório que,


 suspenso no ar, pede passagem ::

porém, recorre a formas como o pensamento, ou a arte, para gerar um pouco de espaço para si,

nesse sentido se diferenciando fundamentalmente do fundamentalismo religioso neopentecostal ::