sexta-feira, 15 de novembro de 2024


 



as giras, casa noturna,

existência amoral mediúnica,

extasiada, sem parada no ser

confundido ainda com agruras,



ai gira, boa e tão somente boa, com a paz de alimento anterior brevemente sentido, no lapso dionisíaco laçado,



com a calma do boi que é brasileiro,

no improviso, na cotia, passarinha, aves do céu, moreninhas santas de assegurar amor a meninos



quinta-feira, 20 de junho de 2024

escaLa mário


 oito mil ve

zes neguei a obrigação social em busca da onda viva dionisíaca, prazerosa, errante, esperançosa

recebo agora o prazer da aulinha no primário da convivência, eu faço é bolir em aulinhas com meus colegas, todos são meus colegas, os braços que se encostam são poéticas de unidade brasileira, um grande mario de andrade que me engendra põe corpo nessa viração, no fim do marasmo, dá silêncio esplendoroso à minha inquietude fálica, vontade romana de pai, ó mario, machado, rosa, e o amado, cães que ladram como lobos

a corrida olímpica monta-se nesse cavalo aprumado pelo tempo ruim da solidão, do jogo perdido, do quieto desapego de uns com os outros

o tempo ruim me cola no colega, ao invés de ter medo de sua ofensa inevitável, o tempo ruim abre caminho para a coletiva paixão

enquanto todos se desesperam, eu me enterneço e auxilio a todas nas difícil escalada da montanha

















quinta-feira, 6 de junho de 2024

gabinete

 






meu gabinete

de poeta

sem dor

é constituído

à primeira hora

da manhã,

quando

recebo

meu

colete

à prova

de altas

quedas ::

"o perfume

de magnólia 

que impregna

essa

manhãzinha"

me alivia

tanto a dor

de existir,

de estar 

em mundo

de guerras,

que sempre

me avizinho 

de altitudes

imemoriais

aaltamente

meritórias,

cheias

de pensamentos

cálidos,

que são 

verdadeiros

cais para

a vitória 

da paz ::


altitudes

muitíssimo

elevadas,

das quais

é impossível 

não cair,

das quais

nem dEus

não 

cairia

(e se deus

ali

subir

para

também 

sonhar,

quem

sabe

alguma

nova

revelação 

divina

redentora

de populações 

em perigo,

que use

na sua

inevitável 

queda

toda 

sua munição

compensatória,

que use todas

as suas armas)

+++

ali, sou

um erguido

cadáver 

ressurrecto,

um lampião 

do amor,

com sua

maria

agitada

e bonita,

bela oyá

que tanto

me ergue,

incensado

pelo incêndio 

puro do

coletivo

sentir

inconsciente,

onde somos

todos calma

e gentileza agreste ::

meu gabinete

de pombas

girandeiras

adoradas,

contidas,

pavorosas,

não lida

olímpica

da velha

união 

com o portão 

do céu ::

ó custo

de sair

desse quadro 

fabuloso,

de cair

feito

ginete

assentado

em cavalos

proibidos

de tão 

improváveis,

nessa

mera vida

de ganhador

e ganhadeira,

na lapa de

contenção 

dos geraes

bem goianos




domingo, 5 de maio de 2024

ultimo da fiLa







surge em mim o anti elitismo máximo, o anti definidor de critérios de classificação por superioridade, pois tenho origem radical no fim da fila



assim sendo, e por conta do mistério de maria encarnado em brasilidades, jamais teria eu condições de eleger os maiorais, pois sou o filho lento do amor que ampara, um rei franciscano destinado ao tempo ruim






escravo, poeticamente falando, das agruras do mar bravio, da floresta que amedronta e mata, do fogo permanente do sertão alto, da fodida condição de suportar cargas e mais cargas de preconceito por relacionar-se com bases afro-indigenas que compõem minha cara-estampa










quinta-feira, 2 de maio de 2024

amar a teRra

amar 

a terra,

brilhar 

num

abraço 

em que 

se aviva

meu rosto,


cabe

em meu

olho

tudo o que

vejo

nesse

perto

e distante

carregado

de formas,


e que ponho

no íntimo

de meu

ser e pensar

esperançoso,


o suor

e o sonho

de tanta

gente,

a vida

boa

pra gente

levar,


espalhado

por sobre

os terraços

e planícies

eu terei

o meu artesanal

contato

com

divinos

sensos,


e tomo

o serviço 

devotado

a plantar,

colher

e sorrir

como 

expansão 

do conjunto

do que

somos,


e como

e como

e como,

com

a fome

colecionada

de tantos

amorosos

selvagens

grupamentos,


e ligado à

aura

benigna

do lago

do

profundissimo

olho

peço

fazer

brotar

as vozes

do encantamento,

húmus

e música de 

tudo

o que

é humano






escrito em 02 maio 24, a partir de excursão pelo google maps




















quarta-feira, 1 de maio de 2024

apeio do cavaLo










apeio do

cavalo

cínico,

obrigatoriamente 

cínico,

que é a sociedade,

em busca

de meu 

uterino

segredo,

a coisa

dionisíaca

capaz

de orar

por meus

tormentos,

a necessidade 

cega de ser

o virado,

o avesso,

essencial

antes

de ser gente,

perspicaz

na máscara 

múltipla

força

amorosa

ancestral,

quero

somente

salivar

e montar

na proteção 

de meu

brejo

meu cérebro

de saúva

ou caranguejo,

ser o mais original,

que é

também 

o mais coletivo

dos seres






terça-feira, 5 de março de 2024

sereMos







o mito varia de território para território ++ a potência que cada um contém vai expressando-se no curso da história


++ a bRasilidade ainda não falou tudo o que tem para falar, resta-nos antes de tudo aceitá-la, em seu polêmico princípio de miscigenação ++

+ há uma expressão afro-indígena bastante recalcada, mas que sonha desde sempre com evoluir em ternuras do manhoso rei divino que nos adivinha enquanto fórmula étnica original ++

no mito, mais importa sonhar, e por isso vinculo ao meu ser cotidiano todos os aspectos do idiossincrático levar brasileiro

++  amplio as memórias de um tecer escravo alforriado por doces ilusões ++

vou escorregAr pelo resto da vida em danças-estripulias caboclas, sei disso, e sofrer os arranhões

inevitáveis de uma vida vivida aos pés da gira ++ oito vezes sonho, oito vezes mistério, imperador dos sentidos vagos que desde o inconsciente nos conduzem ++ laroiê +++