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meu
gabinete
de pombas
girandeiras,
adoradas,
contidas,
pavorosas,
na lida
olímpica
da velha
união
com
o portão
do
céu
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○●eu sinto a beleza da brasilidade no seu tempo de trabalho honesto, que artisticamente se torna uma poderosa força ética e estética de transformação do mundo
oro ao meu braço de peão escalado por oyá, por ela confirmado para empreender a labuta do sorrir em meio ao penar de um povo bastante espoliado
sou um braço e um tornado, um pandeiro e uma bandeira de enfrentamento, hasteada logo cedo, na alvorada de um domingo que intensifica meu amor por caboclas que minha humildade de trabalhador presentifica e consegue gerar, em amoroso e nacionalíssimo panteão mítico regional libertário, um alvor animista a la mario de andrade, um pensamento alto e bastante bondoso bastante regulado por intenções a la cora, de coralino alvor é esse meu esponsal, pai preto me produz, com uma fagulha iniciada ainda na escravidão, é belo esse atabaque, um prazer oriental que a lusitana força épica de pessoa não registrou, prazer de santo antonio com são joao mais xangô e forças primeiras do ambiente amérindio, é bondade antiga e manhosa de exu algo ritmo, algo lenda, algo navegação infinita, e eu sou o pai pancada do amor que subiu e se instalou no olimpo da vasta galáxia ou cordilheira, amazônia infinita
damares alves
eu prometo
não te odiar
nem que seja
por pequenos
lapsos,
eu prometo
aliar sonhos
e fogo em uma mesma canção,
mesmo que
eu precise
me esconder
ao infinito,
na verdade
encontrar
o fogo escondido
de nossa
união,
emoção
tantrica
irracional
a gerar
outro
volume
na imensa
cordura
brasileira,
espaço
onírico
que tonteia
e desafia
ao malabarismo
de fogos e ritos
antropofágicos
rezo assim todo o dia para circular em espaços majoritários da região do Brasil onde vivo, Goiás
Vai na reza uma pitada de ironia, mas o desejo profundo nela é de paz e amor
minha humildade vai a meu mito antigo, à primeira luta entre humanos em que se produziu a ideia de que vencer sempre piora o caráter ::
nesse vale de sentidos de difícil habitação, sou o pai e o pão, embebido em sangue e panos sujos, navegáveis em sua poesia arcaica, e de chão, capoeira angola::
meu biógrafo terá algum trabalho, especialmente para dizer quem sou :: indassim, se dividir meus investimentos profissionais em duas metades, terá acertado ::
primeiro, o tempo do literato, melhor quando lia, melhorado na quentura de um permissivo prazer
:: em seguida, o negro abolicionista, lutando para libertar-se da carga pesada, fardo que não alivia sobre o corpo, forte e fraco corpo que, apesar de todo dia renascer, todo dia se acaba ::
logo, nessa segunda metade de meu terno tormento profissional, tornei-me o escritor derrotado que se fecundou, que se abaixou tanto, por necessidade e humilhação, que tocou no livrinho branco da terra, e melhorou de caráter ::
não sou mais um cantor feliz e algo explorador (de escravos ou de mulheres), fase da primeira metade
agora sou mais gente, e meu ferimento aberto é que toca esse ritual melhorador, essa ritualidade de evolução ::
eu tô fodido, mas bem pago, pois o livro é bento, abençoado, esse que me escreve, esse em que me escrevo ::
em outubro de 25
se amplio o som, isolando-o, posso ampliar o que o coração sente, o coração ouvido, captar amor em tudo, meu coração coração apaixonadíssimo frequentemente abafado amassado pouco audível
tocar no mundo
como um tam
bor de coração, o parto
de meu ouvido arr
umou tudo, u
m hiper aviso sono
ro, bateristico, carnav
alesco, se formos repara
r, tudo batuca e acende
, tudo é batucavel e an
imadinho-aceso
sou a bactéria em sua vida microscópica, con ganhos por milímetro de satisfação encontrada no chão do desejo, por perceber, estiva do no bosque de possibilidades infinitas, todas a serem conquistadas con a segurança de quem localizou um eterno manancial produtivo de cortejar uniões, não perco nada , tudo é pele que suave sinto numa onda de percepções artística
sou qualquer ser que habita até mesmo os murmúrios dos lugares, se uma pedra delicada numa esquina me toca, entra para meu livro amoroso, tenho corpo quente da quentura que se abre para ler o fluxo dessa vida quente, presenTe, passado, futuro, lenta emoção que assimilo, trituro, rumino, e vou querendo essa luz, esse saber, com toques de vontade ancestral, um inseto, um anjinho, neto de uma necessidade simples de aprender tudo, uma potência de Nietzsche, e sonhar com um só hábito de amar, santa bactéria ancestral!!!!
a menina se enfeita
a sombra de nossa senhora
ali vejo senhora, sombra, benta aurora,
branca e aberta, a sagacidade
sonora de um signo que se oferta
tocar no mundo como um tambor de coração, o parto de meu ouvido arrumou tudo, um hiper aviso sonoro, bateristico, carnavalesco, se formos reparar, tudo batuca e acende, tudo é batucavel e animadinho-aceso
os lugares seguros por onde andamos,
o medo de amar
já que o amor é tolo
e complicado
tudo isso
junto
@@@
minha tela é única,
cinema particular
em que vivo
como um inseto
imperceptível,
ninguém
adivinha
sonhos que
estou
tendo,
sonho
com a
verdade
brasileira
aborígene
ancestral
que o mato
e a matilha
amando
meu sereno
ser
me
ensinaram,
olho cinemas
caboclos
como quem
ar respira,
negando
os pensamentos
odiosos
que todo
mundo
leva junto
de si
o fascista
é o prazer