arte >> renato bRAz
quinta-feira, 20 de dezembro de 2018
segunda-feira, 17 de dezembro de 2018
Júpiter Maçã, assim como Edu K, sempre foi uma grande promessa. Sucesso de críticas, aclamado pelo público, mas deslocado geograficamente e distante da hegemonia identitária cultural do Brasil. O funk carioca, o miami bass, a psicodelia, o hard rock, o mod, etc – tudo garante com que haja um processo de não não-identificação com a cultura brasileira, e, possivelmente, com a própria cultura gaúcha. ((p. 3
a questão é mais complexa na medida em que esses artistas encarnam um sentido mítico pré-existente,
o que significaria que nunca deixam de ser radicalmente identificados com as culturas regional e nacional ::
sendo essa relação do rock com o rio grande do sul um potencial de ressurgimento/recriação do próprio rock,
o que se observaria também, por exemplo, no caso de vitor ramil ::
@@@
minha cabeça cabocla é colocada a prêmio :: só ela sabe esperar :: só ela se recosta, à noite, no travesseiro,
para atravessar o mar da agrura, e voltar admirada e plena, grande e gentil, plena de galanteio :: minha cabeça
cabocla é uma perna, que boleia o pingo, e se lança sozinha e selvagem, incendiada de credo, na busca desenfreada ::
eu poderia ser um simples funcionário da RBS :: eu sou um professor mal aninhado e cru, perdido e
crucificado :: eu rejeitei todas as formas perfeitas de acomodação e postura o cordata :: o chimarrão
na roda da amizade, que anda de mão em mão, alimenta revoltas, e se saboreia sozinho, se eu me entendo
indiozinho caboclo e suave da mate :: a prestação silvícola, o jejuar da mata :: a recusa do prato simples
matrimonial, que se come com abóbora :: e esses machos que sempre me oprimiram, comendo suas jantas,
pequenos, terão suas cabeças cortadas, de modo gentil, saboroso e agreste :: eu sou um reizinho
fulão, fulador, folião, saboroso e agreste :: as mamas me apertam, me fazem sentir o cheiro gentil
da mata do vizinho, o cheiro do melzinho das abelhas :: eu sou esse bebezinho comendo, amigo das abelhas,
capaz de suportar nos ouvidos todo o furor de meus primos e suas produções, seus passar de veneno,
o mau cheiro das salada de maionese, e de suas mulheres, mal amadas :: e depois, quando vão para a cidade, e entopem o vaso dos sanitários
das cidades, com sua merda toda, e seus parcos salários :: na construção dessa cidade, uma dinamizadora,
alta, verde, de olhos azuis incompreensíveis :: na cidade baixa, depois de me reduzir ao pó :: vejo os trios elétricos,
os trens, as construções incompreensíveis, no modo como tudo provém da água, do ventre da mama,
mesmo nós, bravos pelejadores, e em como somos nuvem que passa, descarregada :: me ajeito no automóvel
que me trazia, todo o fim de ano, ou em ocasião de festa, do interior para a cidade, da água do rio para
a metrópole :: na tarde quente, o balanço da água, e de um vento que corta :: a rebentação, a mó da
cidade, no quarto, dormindo, ouvindo rock, e mesmo agora, a esperança, invejosa, de que eu seja um simples
bailador :: penso nessa bacia das águas, e no jantar bento de iansã, no seu "corre", no modo como me
projetou menininho manso, anelado, grudado aos livros, depois deles retirado e deixado ao relento,
para amanhecer qual a torta de um pasto :: "conheço todo o rio grande, qualquer estrada ou atalho" ::
me transformei em um bento pasto, firme e sossegado, para o pastoreio :: volto a sorrir intenso,
bento prado da revolução farroupilha esquecida que ao som dos beatles se abriu :: caio fernando plácido, sorrindo,
sossegado :: luminar sossegado, estrela sossegada :: atravesso o jacuí todo plácido, novo mantra do
bebezinho, sossegado :: vertente pura, sossegada :: liga-se a TV, não há mais um simples jornaldo almoço ::
há o banho plácido da estrela que me conecta a borges, o centauro :: sinto hoje em satolep, sou o barão
varado do triunfo, amanhecido em balas de plástico, embaladas a plásticos, em saquinhos, amarradas ::
marquinhos, o enforcado, varando ao fundo das águas, deixando-se afogado pelo batismo dos santos
óleos, inesquecido e comendo, orixá menino, guerreiro, caio fernando foi meu pasto, e sou minuzzi,
o carregado, o trilho elétrico para toda a vazão do antigo gado, mugindo galanteios, romântico pasto
alegre :: sinto hoje, longe de porto alegre, que sou um despacho, um bode em sacrifício, coberto
com o milho das bibocas, o vício alegre de perdoar um filho, o galanteio avantajado ::
terça-feira, 11 de dezembro de 2018
Ela preside os ritos de iniciação para a plena sociabilidade. Ela dá aos jovens condições de abandoná-la na hora certa e institui os ritos que os libera. Ártemis também é a deusa do parto.
vegeTal
por que não posso me transformar em uma árvore? ::
"Os primeiros seres vivos que deram origem as plantas são desconhecidos. Mas teriam sido seres unicelulares capazes de realizar fotossíntese e viviam dentro do mar, se deslocando dentro de massas de água que os carregavam, e possivelmente desenvolveram sensores captadores e direcionadores ao foco de luz para realizar a fotossíntese."
sendo a fotossíntese o principal processo da estrutura vegetal, não seria a arTe, para mim, uma espécie de
fotossíntese? :: será possível levar adiante esse tipo de analogia? :: talvez não apenas a arte, mas o processo
geral de geração de "sentidos alimentadores", "nutritivos"? :: "a luz do abacate"? :: ou mais: não será possível
gerar um discurso de inspiração vegetal ou biológica, orgânica, molecular? :: não será maior seu poder restaurador
(o lado restaurador do abacate?) :: na realidade, todo o processo que complexifique, que gere cadeias de significados...
o próprio caso do jornalismo, que busca clarificar, ou da ciência...
"Os primeiros seres vivos que deram origem as plantas são desconhecidos. Mas teriam sido seres unicelulares capazes de realizar fotossíntese e viviam dentro do mar, se deslocando dentro de massas de água que os carregavam, e possivelmente desenvolveram sensores captadores e direcionadores ao foco de luz para realizar a fotossíntese."
sendo a fotossíntese o principal processo da estrutura vegetal, não seria a arTe, para mim, uma espécie de
fotossíntese? :: será possível levar adiante esse tipo de analogia? :: talvez não apenas a arte, mas o processo
geral de geração de "sentidos alimentadores", "nutritivos"? :: "a luz do abacate"? :: ou mais: não será possível
gerar um discurso de inspiração vegetal ou biológica, orgânica, molecular? :: não será maior seu poder restaurador
(o lado restaurador do abacate?) :: na realidade, todo o processo que complexifique, que gere cadeias de significados...
o próprio caso do jornalismo, que busca clarificar, ou da ciência...
segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
um pouco de tudo
vai nos identificando
com o pedaço que
nos cabe no mundo,
força a nós destinada,
um fazer de barro,
cru, depois cozido,
depois lavado
pela chuva,
um ninho,
uma taipa,
uma choça ::
e o pássaro
residente
em nossa
toca compreende
o estado natural
das coisas,
seu estar,
seu ficar,
seu processo
de sorrir
com os braços
abertos
ao vento ::
seu
espaço
negro
de
ficar,
contido,
reforçando
as tramas
da cabana
que absorve
luz o dia
inteiro
e se cura
ao abrigo
do poder
obscuro
do obscuro
curanDeiro,
cozinheiro,
senhor dos
sopros
no milharal ::
coisa boa,
coisa útil,
coisa tátil ::
panela
de barro,
acha de
lenha,
coisa musicalmente
que imita
um divino
espírito
sanTo
da floresta ::
artE :: caiaNa dos criOUlos
domingo, 9 de dezembro de 2018
++
++
plaNTa :: macaúBa
Sereno só quando o olho cega,
Quando o sol se põe e
Quando durmo ao seu lado.
Amplio vagarosamente este ato.
Tempo, instante, oráculo divino,
Nossos sonhos, profecias dos
Céus, mais que intensos, doídos,
Curvados ao pé do altar.
Escuto as palavras de cada dia,
Como se fossem sentenças.
Sereno só quando quando a
Tua boca me alcança o ouvido
Me encontra a alma e me alimenta
O cérebro.
Para meu amor, Marcus Minuzzi.
++
++
((sílVia goulARt
arTE ::
ágOra :: ancestraLIdade e corpo brinCante
a forma sexual resume o processo de produção e reprodução da vida :: e o planeta terra, antes de qualquer
coisa, é um organismo vivo, um processo intenso de produção e reprodução de vida, e, portanto, sobretudo,
um espaço de sentido sexual intrínseco :: a vontade de fazer sexo
não é outra coisa que não a vontade de reproduzir-se e de, portanto, continuar vivo :: o episódio do médium
joão de dEus, contra o qual pesam várias acusações de abuso sexual em um ambienTe religioso até então absolutamente
insuspeito, recorda-nos de uma situação problemática e fixa, constante, dizendo respeito ao controle dessa
vontade de vida :: se o prazer que nos proporciona a vida é buscado sem limites, nega-se o sentido de cultura
ou civilização, pelo qual devemos aprender a serenar nossos desejos :: o caso de joão de dEus é típico,
pois produz a constatação, também constante, de que o masculino ama reproduzir-se e espalhar sua semente ::
do ponto de vista das pulsões inconscientes, o masculino é essa força que não merece ser extinta, pois isso comprometeria
a continuidade da vida, mas sim "domesticada" ::
sempre neguei o comportamento masculino de colecionar conquistas sexuais de um ponto vista quantitativo ::
com o tempo, compreendi que o desejo sexual tanto é melhor controlado quanto aprendemos a "trabalhá-lo"
sem simplesmente negá-lo ((como se ele fosse a fonte de um prazer apenas espúrio ou pecaminoso)) :: na verdade,
ele é, mais do que tudo, a fonte de toda a vida que nos cerca :: nietzsche condenava veementemente a cultura católica por sua
prática de "jogar lama" exatamente naquilo que é a fonte da própria vida :: em outras palavras, por transformar a sexualidade humana
em simples pecado, por demonizar o desejo :: a verdade sobre o caso joão de dEus ainda é obscura, mas a se confirmarem
todas as denúncias, creio que se estabelece, antes de tudo, o sentido do medo que nós seres humanos devemos
ter de nós mesmos, e o modo como devemos tratar esse sentimento :: o medo é, antes, proteção diante do que não
se conhece ou se controla :: é como o fogo :: ser imprudente na relação com esse elemento da natureza pode ser fatal :: é como no caso da tecnologia, onde descobertas ou invenções pode representar tanto paz
como violência :: o caso atual da internet é notório :: e a violência, o desastre, o indesejado, surgem quando não aprendemos
a lidar de maneira adequada com fenômenos que muitas vezes, evidentemente, extrapolam nossa compreensão ::
a postura obscurantista, tão em voga atualmente, surge justamente dessa ignorância e da incapacidade ou resistência
em se superar essa ignorância ::
tratar a sexualidade humana como um tabu, coisa que a extrema direita, no bRasil e no mundo vem
fazendo de maneira
bastante assustadora, impede o desenvolvimento espiritual do ser humano enquanto coletividade :: os tempos
são obscuros justamente pela prevalência de um medo desmedido, que se sobrepõe à coragem de exploração de novos territórios
de ciência e sabedoria :: nossa imaginação geralmente é quem dá conta dessa ambiguidade inevitável :: constatar que mesmo um
homem supostamente santo sucumbiu à força do desejo, que, a propósito, anda colada ao receio do desamparo e da solidão,
nos coloca em pleno estado de cultivo de soluções para o convívio, que se desenvolve sobretudo de modo inconsciente ::
há um zelo permanente por parte de nossas forças imaginativas mais divinas que responde por tais vigílias :: e uma humanidade
cada vez mais conectada, de certo modo, corresponde a um sentido desse "sonhar juntos" cada vez mais intenso ::
cada vez que esquecemos dessas terríveis dificuldades compreendidas pela vida em sociedade, cada vez mais
interconectada, entramos em "trabalho de parto" para dar origem a formas culturais redentoras :: o valor dos
arquétipos inconscientes, como nos informa a teoria junguiana, evidencia-se em situações como o atual momento
histórico :: aliás, o rito de sentir medo e sonhar, em conjunto, primeiramente em uma performance conduzida
pela comunicação de massas (cinema, televisão, rádio, imprensa, livros), e agora por meio da internet,
intensificou ao longo das últimas décadas :: somos agora a sociedade sonhadora por excelência, para que nossos
arquétipos inconscientes formulem poderosos mitos que dêem conta de um processo constante de humanização,
onde o amor e a beleza acabam por vencer o ódio, a insegurança, as atrocidades :: sempre tenso, esse processo,
antes de tudo, inspira esperança, revelando uma fonte salvífica inesgotável, que nos faz no mínimo desconfiar
da existência de um sentido superior e protetor, daquilo que temos por hábito chamar de dEus ::
coisa, é um organismo vivo, um processo intenso de produção e reprodução de vida, e, portanto, sobretudo,
um espaço de sentido sexual intrínseco :: a vontade de fazer sexo
não é outra coisa que não a vontade de reproduzir-se e de, portanto, continuar vivo :: o episódio do médium
joão de dEus, contra o qual pesam várias acusações de abuso sexual em um ambienTe religioso até então absolutamente
insuspeito, recorda-nos de uma situação problemática e fixa, constante, dizendo respeito ao controle dessa
vontade de vida :: se o prazer que nos proporciona a vida é buscado sem limites, nega-se o sentido de cultura
ou civilização, pelo qual devemos aprender a serenar nossos desejos :: o caso de joão de dEus é típico,
pois produz a constatação, também constante, de que o masculino ama reproduzir-se e espalhar sua semente ::
do ponto de vista das pulsões inconscientes, o masculino é essa força que não merece ser extinta, pois isso comprometeria
a continuidade da vida, mas sim "domesticada" ::
sempre neguei o comportamento masculino de colecionar conquistas sexuais de um ponto vista quantitativo ::
com o tempo, compreendi que o desejo sexual tanto é melhor controlado quanto aprendemos a "trabalhá-lo"
sem simplesmente negá-lo ((como se ele fosse a fonte de um prazer apenas espúrio ou pecaminoso)) :: na verdade,
ele é, mais do que tudo, a fonte de toda a vida que nos cerca :: nietzsche condenava veementemente a cultura católica por sua
prática de "jogar lama" exatamente naquilo que é a fonte da própria vida :: em outras palavras, por transformar a sexualidade humana
em simples pecado, por demonizar o desejo :: a verdade sobre o caso joão de dEus ainda é obscura, mas a se confirmarem
todas as denúncias, creio que se estabelece, antes de tudo, o sentido do medo que nós seres humanos devemos
ter de nós mesmos, e o modo como devemos tratar esse sentimento :: o medo é, antes, proteção diante do que não
se conhece ou se controla :: é como o fogo :: ser imprudente na relação com esse elemento da natureza pode ser fatal :: é como no caso da tecnologia, onde descobertas ou invenções pode representar tanto paz
como violência :: o caso atual da internet é notório :: e a violência, o desastre, o indesejado, surgem quando não aprendemos
a lidar de maneira adequada com fenômenos que muitas vezes, evidentemente, extrapolam nossa compreensão ::
a postura obscurantista, tão em voga atualmente, surge justamente dessa ignorância e da incapacidade ou resistência
em se superar essa ignorância ::
tratar a sexualidade humana como um tabu, coisa que a extrema direita, no bRasil e no mundo vem
fazendo de maneira
bastante assustadora, impede o desenvolvimento espiritual do ser humano enquanto coletividade :: os tempos
são obscuros justamente pela prevalência de um medo desmedido, que se sobrepõe à coragem de exploração de novos territórios
de ciência e sabedoria :: nossa imaginação geralmente é quem dá conta dessa ambiguidade inevitável :: constatar que mesmo um
homem supostamente santo sucumbiu à força do desejo, que, a propósito, anda colada ao receio do desamparo e da solidão,
nos coloca em pleno estado de cultivo de soluções para o convívio, que se desenvolve sobretudo de modo inconsciente ::
há um zelo permanente por parte de nossas forças imaginativas mais divinas que responde por tais vigílias :: e uma humanidade
cada vez mais conectada, de certo modo, corresponde a um sentido desse "sonhar juntos" cada vez mais intenso ::
cada vez que esquecemos dessas terríveis dificuldades compreendidas pela vida em sociedade, cada vez mais
interconectada, entramos em "trabalho de parto" para dar origem a formas culturais redentoras :: o valor dos
arquétipos inconscientes, como nos informa a teoria junguiana, evidencia-se em situações como o atual momento
histórico :: aliás, o rito de sentir medo e sonhar, em conjunto, primeiramente em uma performance conduzida
pela comunicação de massas (cinema, televisão, rádio, imprensa, livros), e agora por meio da internet,
intensificou ao longo das últimas décadas :: somos agora a sociedade sonhadora por excelência, para que nossos
arquétipos inconscientes formulem poderosos mitos que dêem conta de um processo constante de humanização,
onde o amor e a beleza acabam por vencer o ódio, a insegurança, as atrocidades :: sempre tenso, esse processo,
antes de tudo, inspira esperança, revelando uma fonte salvífica inesgotável, que nos faz no mínimo desconfiar
da existência de um sentido superior e protetor, daquilo que temos por hábito chamar de dEus ::
psicoloGia esquerda direita ::
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